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Mini John Cooper Works Elétrico

O John Cooper Works Electric é mais do que versão nova na história da Mini. Representa mudança radical na abordagem à condução desportiva, à potência ou às “performances”, que talvez prenuncie o princípio do fim do que a marca inglesa propõe desde a década de 1960. Ou sofisticação tecnológica e precisão em vez de complexidade mecânica e emoção!…



O nome do engenheiro britânico John Cooper, durante muito tempo, foi associado à extração de mais potência de motores leves e pequenos. A filosofia ganhou fama durante a década de 1960, período em que a Mini obteve quatro vitórias no Rali de Monte Carlo (1964, 1965, 1966, 1967), mas comemorou apenas três, uma vez que perdeu a terceira na secretaria, devido à desclassificação (polémica…) do carro de Timo Mäkinen, por irregularidades nos faróis. Após a mudança de século, e depois da passagem da marca para a órbita do Grupo BMW, surgiu firma especializada na preparação dos carros do fabricante inglês, que os alemães absorveram em 2007, na antecâmara da introdução do primeiro John Cooper Works produzido de série.

 

Independentemente das mudanças, respeitaram-se sempre as exigências de mais potência, mais emoção e prazer na condução, e mais ligação homem-máquina. A Mini, com o JCW Electric, arriscou romper, pela primeira vez, com estes princípios fundadores, por substituir os ruídos, as vibrações e a complexidade mecânica dos carros que transportaram nome tão icónico pelo silêncio, a resposta instantânea e a eletrónica associadas aos automóveis com motorizações elétricas.



Este Mini John Cooper Works Electric representa, por isso, muito mais do que uma motorização e uma versão novas numa história riquíssima. É uma mudança maior, por propor uma forma muito diferente de potência e “performances”. Por exemplo, no frente a frente com a versão térmica do Mini John Cooper Works, com motor 2.0 Turbo de 231 cv (170 kW) e 380 Nm, não encontramos diferenças só nos números! Os princípios por detrás destes dois carros coincidem apenas na ambição de mais diversão e prazer na condução, e “performances”.

 

Tecnicamente, o John Cooper Works Electric, automóvel fabricado na China, pela Spotlight Automotive, “joint venture” criada pelo Grupo BMW e a Great Wall Motor – em 2025, abandonaram-se os planos para a transferência da produção dos Mini elétricos para Oxford, Inglaterra, durante este ano… – baseia-se numa plataforma própria com motor dianteiro e bateria NMC da CATL com 54,2 kWh de capacidade integrada no piso e entre os eixos, posicionamento que baixa, significativamente, o centro de gravidade e otimiza a repartição do peso. Esta configuração contrasta com a arquitetura do modelo homónimo a gasolina, com motor e caixa montados de forma que aumenta a concentração de massa no eixo dianteiro, o que penaliza a distribuição do peso. No entanto, num e noutro, tração dianteira.



No John Cooper Works Electric, em vez de autoblocante mecânico tradicional, há sistema eletrónico de vectorização do binário, que baseia o funcionamento numa atuação seletiva dos travões e na gestão do motor elétrico. O princípio do segundo é reproduzir o efeito do primeiro, entregando binário à roda com mais aderência. O John Cooper Works a gasolina, em contrapartida, tem sistema mais convencional, que é controlado eletronicamente e trabalha de forma mais direta, principalmente sob condições de condução desportiva.

 

Na prática, no elétrico, eficácia enorme na colocação da potência no asfalto, mas de forma mais filtrada, devido à dependência da eletrónica. Já as reações do JCW com motor de combustão são mais diretas e naturais, sobretudo na forma como o carro ganha tração nas saídas das curvas. No JCW Electric, os 350 Nm encontram-se disponíveis em permanência sob o pé direito, a aceleração é sempre imediata e instantânea. Na versão térmica, a disponibilidade dos 320 Nm depende do regime de funcionamento da mecânica de 4 cilindros e da atuação do turbocompressor, o que introduz uma progressividade que diminui a eficácia, mas aumenta a emoção na condução.



No John Cooper Works Electric, em vez de caixa de velocidades, conta-se com um redutor de relação única. Este componente mecânico reduz a rotação elevada do motor elétrico e multiplica o binário antes de enviá-lo para as rodas, e trabalha de forma coordenada com o diferencial. Assim, não existem relações e embraiagem. Já o John Cooper Works a gasolina tem caixa automática de dupla embraiagem e 7 velocidades com modo ativado sequencialmente em partilhas no volante. Trata-se de mecanismo que significa maior complexidade técnica, sim, mas também mais interação na condução.

 

Nas suspensões, carros com “instrumentos” semelhantes (MacPherson à frente e multibraços atrás). No entanto, as afinações são distintas. O Electric caracteriza-se pela firmeza excessiva do amortecimento, devido à necessidade de controlar o peso a mais original pela bateria, o que origina resposta seca às irregularidades do piso e penaliza, claramente, o conforto a bordo. Na versão a gasolina, capacidade maior de filtragem, compromisso mais equilibrado entre desempenho dinâmico e possibilidade de utilização no dia a dia.



No Electric, a posição de condução respeita a identidade da Mini – é baixa e muito envolvente –, mas a experiência a bordo é dominada por ambiente muito digital (o monitor do tipo OLED com 240 mm de diâmetro, ou cerca de 9,4’’ concentra todas as funções principais do automóvel, da instrumentação ao programa multimédia, e destaca-se pela diversidade tanto da apresentação, como do grafismo – mudam em função do perfil de condução ativo). A qualidade merece-nos só elogios, mas a dependência deste ecrã pode provocar distrações indesejadas, sobretudo quando conduzimos (muito) depressa.


Os bancos adequam-se bem à proposta desportiva associada ao JCW Electric, por contarem com apoios laterais de qualidade. Os modos de condução também assumem protagonismo no carácter deste Mini. Entre perfis mais eficientes e configurações mais desportivas, destaca-se o programa mais “eletrizante” (Go-Kart), que liberta todo o potencial do sistema elétrico e tem função de “boost” temporário, que aumenta a intensidade da resposta ao acelerador. O sistema intervém na gestão da potência, na resposta da direção e até na apresentação gráfica do monitor no centro do painel de bordo.



Também na travagem, JCW elétrico diferente do térmico. O sistema beneficia de capacidade regenerativa que permite recuperar energia e reduzir o desgaste dos componentes. Todavia, esta “fórmula” penaliza a consistência e o tato do pedal, características menos positivas que sobressaem mais em condução desportiva. No JCW térmico, a resposta é sempre mais contundente e previsível, o que torna a experiência mais intensa.

 

Por fim, as capacidades da versão elétrica dependem muito de sistemas de arrefecimento da bateria e da eletrónica de potência. Abusando-se da condução desportiva, podemos confrontar-nos com restrições para proteção da integridade do “hardware”, o que não acontece no modelo com motor de combustão. O primeiro contrapõe com mais eficiência e melhores “performances” (5,9 s “contra” 6,1 s no arranque 0-100 km/h), por não existirem perdas associadas à transmissão, nem necessidade de manter o motor numa faixa ideal de rotação. Complementarmente, devido ao controlo eletrónico da entrega de potência, a condução do John Cooper Works Electric é mais fácil e rápida, vantagens que paga com a ausência de interação mecânica, som e vibração.

 

A sofisticação tecnológica por detrás da precisão do JCW Electric contrasta com a complexidade mecânica na origem da emoção do JCW com motor de combustão. Logo, o primeiro entusiasma-nos muito, mas o segundo honra mais o nome que tem.




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