Toyota ganha 24 Horas de Le Mans épicas!
- José Caetano

- 15 de jun.
- 5 min de leitura
Atualizado: 15 de jun.
O Toyota, com o TR010 Hybrid #7 de Mike Conway, Kamui Kobayashi e Nyck de Vries, ganhou a 94.ª edição das 24 Horas de Le Mans 2026. Este sucesso é o sexto no Circuito de la Sarthe, o terceiro na era Hypercar que teve início em 2021 e o 21.º no Campeonato do Mundo de Resistência (WEC), também desde a adoção dos hipercarros que sucederam aos protótipos LMP1, premiou a estratégia tão arriscada como bem-sucedida da equipa numa corrida época épica. Os japoneses igualaram o registo da Bentley na maratona francesa organizada a partir de 1923 (agora, só Jaguar, com sete, Ferrari, com 12, Audi, com 13, e Porsche, com 19, conseguiram mais sucessos!). A BMW M Team WRT, com o M Hybrid V8 #20, foi segunda, à frente do segundo Toyota, o TR010 Hybrid #8!

Em 2026, Le Mans renovou a reputação de que desfruta há muitos anos. Esta 94.ª edição das 24 Horas proporcionou-nos uma das corridas mais imprevisíveis e intensas da era moderna do WEC, que teve início em 2012, pois apenas 10,913 s separaram o primeiro classificado do segundo, depois de 24 horas em ritmo frenético e 381 voltas à pista que tem 13,626 km e percorre diversas estradas que são públicas durante o resto do ano – trata-se da diferença mais pequena na história de prova que cumpriu 100 anos em 2023!
No centro da ação esteve a Toyota Gazoo Racing, que regressou às vitórias no Circuito de la Sarthe depois de comemorar o quinto triunfo em Le Mans, em 2022, e após três sucessos consecutivos dos 499P da Ferrari e da AF Corse. O TR010 Hybrid #7 contou com oposição surpreendente do BMW #20, do Toyota #8 e do Cadillac V-Series. R #12 do Hertz Team Jota perante uma assistência recorde de 350.105 espectadores.

Regresso à boa forma após qualificação dececionante
O resultado da Toyota contrasta enormemente com o ponto de partida dos dois hipercarros nipónicos, ambos protagonistas de qualificação dececionante: 14.º e 15.º classificados na grelha. Este “atraso” para a frente do pelotão fez com que a equipa nipónica optasse por uma abordagem estratégica alternativa desde os primeiros minutos das 24 Horas, antecipando paragens nas boxes para reabastecimentos e trocas de pneus e procurando desfrutar de pista limpa durante o máximo de tempo possível.
Esta decisão revelou-se determinante. À medida que a corrida avançou, e ainda numa fase inicial da maratona, os GR010 Hybrid progrediram na classificação dos hipercarros, evitando o tráfego intenso e posicionando-se, gradualmente, entre os candidatos à vitória. Durante largas horas, protagonismo do #8, com Brendon Hartley, Ryō Hirakawa e Sébastien Buemi a ultrapassarem adversários diretos, incluindo o Cadillac #12 e o BMW #20, até consolidar a sua posição na frente do pelotão. E o #7 acompanhou-o.

Acidente de LMGT3 altera equilíbrio de forças
Durante a manhã de domingo, após a noite mítica de Le Mans, que não teve incidentes dignos de registo, a corrida continuava sem estar decidida, mas acidente na categoria LMGT3, com o Porsche 911 GT3 R #91 da Manthey DK Engineering, obrigou ao segundo período de Safety Car desta edição 94 das 24 Horas – ordenou-o Eduardo Freitas, o português com o caro de diretor de corrida no WEC. E o equilíbrio de forças alterou-se, com o hipercarro #7 a reentrar na discussão pela vitória.
Após um início marcado por contratempos (furo lento e problema técnico no sensor da transmissão), o TR010 Hybrid de Conway, Kobayashi e Vries beneficiou da neutralização para recuperar tempo. A partir daí, Le Mans transformou-se numa espécie de grande prémio mais longo do que o habitual, com quatro carros separados por margens de tempo muito reduzidas, e as equipas oficiais de três construtores (BMW, Cadillac e Toyota) determinadas a ficarem na história da corrida de resistência mais importante e mediática do desporto automóvel.
Depois, até à bandeira de xadrez, todas as decisões foram críticas. A gestão do tráfego, a execução das paragens nas boxes e o momento das neutralizações determinaram o rumo da corrida. Kamui Kobayashi assumiu protagonismo na ponta final, combinando consistência com velocidade, enquanto Nyck de Vries rubricou algumas das ultrapassagens mais entusiasmantes das 24 Horas, incluindo uma ao Cadillac #12 de Norman Nato na reta de Mulsanne.
A situação “Full Course Yellow” já próximo do final favoreceu, decisivamente, a estratégia do Toyota #7, pois permitiu-lhe consolidar a liderança nos momentos decisivos. E, assim, Kobayashi cruzou a linha de meta na primeira posição, garantindo a 51.ª vitória da Toyota no WEC, na 102.ª participação, o que corresponde a uma taxa de sucesso de 50%. O resultado também colocou a marca nipónica no comando dos campeonatos de 2026 (Construtores e Pilotos).

António Félix da Costa sexto, Filipe Albuquerque nono
Atrás do vencedor, o BMW #20 confirmou o regresso da marca alemã (apoiada por equipa belga) ao topo da resistência. Após a vitória nas 6 Horas de Spa-Francorchamps, na Bélgica, na ronda dois do WEC-2026, a formação composta por Robin Frijns, René Rast e Sheldon van der Linde garantiu o segundo lugar – e o o primeiro pódio absoluto do fabricante de Munique em Le Mans desde a vitória de 1999, com o V12 LMR de Yannick Dalmas, Pierluigi Martini e Joachim Winkelhock.
O Toyota #8, que liderou durante grande parte da corrida, completou o pódio, terminando a 20,417 segundos da equipa vencedora, e o Cadillac #12 foi quarto, a 32,381 s dos primeiros classificados, condicionado por uma penalização (excesso de velocidade durante a ativação de zona lenta no circuito) e por duas paragens adicionais nas boxes.

Em Le Mans-2026, a Ferrari, a formação vencedora das três edições anteriores, nunca esteve na discussão pelo triunfo. Os três 499P não conseguiram acompanhar o ritmo dos líderes e o mais bem classificado foi “só” quinto, à frente do Alpine A424 #35 de António Félix da Costa. O outro piloto português em Le Mans-2026, Filipe Albuquerque, terminou na nona posição, no V-Series.R #101 da norte-americana Cadillac WTR.
Corvette ganha LMGT3, Inter Europol Competition vence LMP2
Em LMGT3, vitória para a Corvette e a TF Sport. Partindo da 17.ª posição na grelha da categoria, o Z06 GT3.R #33, com Ben Keating, Nicky Catsburg e Jonny Edgar, não cometeu erros, nem recebeu penalizações ou esteve envolvido em incidentes, combinação virtuosa de fatores que permitiu à equipa estar na liderança nas fases decisivas. É a 10.ª vitória da marca da norte-americana General Motors em Le Mans. O Lexus RC F GT3 #78 da Akkodis ASP Team foi segundo, à frente do Aston Martin Vantage AMR GT3 Evo #23 da Heart of Racing.
Entre os LMP2, a equipa polaca Inter Europol Competition confirmou que é a referência desta categoria que não integra o Mundial, ao conquistar a terceira vitória em quatro anos – desta vez comemorada com um segundo carro na segunda posição. Venceu o Oreca 07-Gibson #43 de Tom Dillmann, Nick Yelloly e Jakub Śmiechowski, à frente do “gémeo” #343. A Forestier Racing by Panis foi terceira
Na subcategoria LMP2 Pro/Am, vitória da CrowdStrike Racing by APR, equipa que compete com bandeira portuguesa (leia-se licença).
















































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