Semáforo verde só à velocidade legal
As cidades norte-americancas Portland (Oregon) e Albuquerque (Novo México) estão a utilizar um sistema de controlo de funcionamento dos semáforos que deteta a velocidade dos automóveis: quem circula dentro dos limites legais pode receber luz verde mais cedo, enquanto os condutores mais acelerados são obrigados a parar mais tempo no vermelho.

No sistema “Rest in Red” (numa tradução literal do inglês para o português, “descansa no vermelho”), os semáforos permanecem “fechados” até quando o trânsito é reduzido e mudam para verde apenas quando é detetada a aproximação de veículos em condições seguras. O princípio de funcionamento não tem nada de complicado: sensores instalados nos cruzamentos detetam as viaturas a várias centenas de metros de distância e permitem ao sistema gerir o semáforo em função da sua aproximação.
Se o automobilista circular dentro do limite de velocidade e não existir trânsito incompatível no cruzamento, pode receber luz verde. Aproximando-se demasiado depressa, a probabilidade de encontrar o sinal vermelho e ser obrigado a parar é muito maior.
Este sistema, na prática, é uma espécie de “lomba virtual”: em vez de uma barreira física (ou de uma multa), utiliza o tempo de espera para desencorajar os excessos de velocidade. O sistema é muito interessante durante a noite, quando artérias largas e com pouco trânsito podem incentivar velocidades bastante superiores às permitidas.
Portland começou a utilizar esta tecnologia numa das artérias com maior sinistralidade da cidade e um historial de acidentes relacionados com velocidade excessiva. Posteriormente, o projeto foi implementado noutras vias problemáticas. O “Rest in Red” funciona entre as 22h00 e as 6h00 nos dias úteis e até às 7h00 aos fins de semana, precisamente nos períodos em que a redução do tráfego favorece velocidades mais elevadas.
A tecnologia não exige a instalação de uma infraestrutura 100% nova. Portland utiliza sensores de micro-ondas capazes de identificar veículos a várias centenas de metros, embora semáforos mais antigos possam necessitar de novos sensores e controladores. Segundo o município, adaptar cada cruzamento ao “Rest in Red” pode custar entre 20.000 e 100.000 dólares (aproximadamente 17.000 a 85.000 €), dependendo do equipamento já existente.

Albuquerque adotou uma estratégia semelhante, depois de sucessivas queixas dos residentes relacionadas com excesso de velocidade, acidentes e danos materiais. Neste caso, o “Rest in Red” integra um programa mais abrangente, juntamente com fiscalização automática da velocidade e sincronização dos semáforos para uma velocidade de 30 mph (48 km/h). A própria cidade afirma que o conjunto destas medidas tem contribuído para acalmar o trânsito e melhorar a segurança.
O objetivo principal não é punir financeiramente quem excede o limite, mas criar um incentivo imediato para cumprir as regras.
As diferenças para os radares tradicionais são evidentes: o objetivo principal não é punir financeiramente quem excede o limite, mas criar um incentivo imediato para cumprir as regras. Quem conduz mais depressa pode acabar imobilizado num sinal vermelho; quem respeita a velocidade, tem maior probabilidade de prosseguir sem parar. Uma forma engenhosa de demonstrar que, pelo menos nestes cruzamentos, acelerar mais não significa necessariamente chegar mais depressa.
Outras cidades dos EUA equacionam a adoção de sistemas semelhantes para reduzirem os excessos de velocidade e a sinistralidade associada a este tipo de mau comportamento durante a condução.







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