China também é peso pesado nos comerciais
A indústria chinesa, depois da entrada em força no mercado europeu de ligeiros de passageiros, aponta agora aos veículos comerciais. A dimensão da ofensiva apresenta-se no IAA Transportation 2026, certame que decorre em Hannover, na Alemanha, até dia 20, que conta com mais de 450 expositores oriundos da China.

A presença não se limita aos fabricantes. Abrange componentes, baterias, sistemas de carregamento, gestão de frotas e tecnologias de condução autónoma. Neste salão, mais de 70% dos expositores são internacionais e registam-se mais de 150 estreias mundiais.
Entre as marcas chinesas presentes encontram-se nomes já conhecidos na Europa, como BYD e Maxus, mas também Foton, Farizon, GAC, Dongfeng, Sinotruk, Sany e Skyworth, além de diversos fabricantes ainda desconhecidos no continente.

BYD propõe camiões de longo curso
Um dos exemplos mais relevantes é a BYD, que apresentou em Hannover a sua mais completa gama europeia de veículos comerciais elétricos, agora abrangendo modelos entre 3,5 e 44 toneladas! No topo encontra-se o ETT 44, camião elétrico destinado ao transporte de longo curso, equipado com uma bateria Blade de 651 kWh de capacidades e motores capazes de disponibilizar até 1000 cv. A marca anuncia uma autonomia próxima dos 600 km e a possibilidade de carregamento rápido com potências de até 1,5 MW, o que permite recuperar a energia armazenada no acumulador de 20% para 80% em cerca de 20 minutos.
A estratégia vai, porém, além da venda do camião. A BYD pretende oferecer às empresas um ecossistema que integra carregamento, armazenamento e gestão de energia, assistência e financiamento. A fabricante chinesa confirmou a intenção de produzir camiões na Europa, seguindo uma estratégia semelhante à já adotada nos ligeiros de passageiros.
Elétricos e condução autónoma
A Maxus, marca ao grupo SAIC, mostrou o eDeliver 420L, um camião elétrico de 42 toneladas, mas também um protótipo RoboVan destinado à distribuição urbana com condução autónoma de Nível 4. Segundo a empresa, a tecnologia de condução automatizada do consórcio já acumulou mais de 10 milhões de quilómetros de testes sem acidentes.
A estreia da Skyworth no IAA Transportation evidencia igualmente o avanço da indústria chinesa para soluções que combinam eletrificação e automação. O novo Z9 é um camião pesado elétrico 6x4 com dois motores, 610 kW/830 cv e bateria LFP de 400 kWh de capacidade, concebido para uma condução autónoma de Nível 4.

Para reconhecer o ambiente em redor, o modelo utiliza cinco sensores LiDAR, cinco radares e 10 câmaras de alta-definição. A Skyworth apresentou ainda o camião de recolha de resíduos G18 e o Urban Elf Robobus, ambos preparados para um funcionamento autónomo de Nível 4.
O hidrogénio encontra-se entre as alternativas exploradas pelos fabricantes chineses.
A Dongfeng mostrou soluções de pilha de combustível destinadas ao transporte pesado de longa distância, enquanto outros construtores apostam simultaneamente em elétricos a bateria, hidrogénio e diferentes soluções para distribuição urbana.

Próximo alvo é a produção europeia
Mais importante do que o número de marcas é a intenção de algumas delas se instalarem industrialmente na Europa. Fabricantes como BYD, Sany e SuperPanther estão a desenvolver ou reforçar estruturas europeias de produção, engenharia e desenvolvimento, procurando adaptar os produtos às exigências locais e aproximar-se dos operadores de transportes.
A estratégia começa, assim, a repetir aquilo que já aconteceu nos automóveis de passageiros: primeiro exportar da China, depois criar redes comerciais e, finalmente, localizar o desenvolvimento e a produção na Europa.







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