Citroën AX comemora 40 anos
O Citroën AX, utilitário que marcou gerações, assinala 40 anos em 2026 e a marca francesa decidiu evocar o património histórico de um automóvel que também chegou a ser fabricado pela então PSA em Mangualde. Compacto, ligeiro e acessível, o modelo tornou-se presença comum nas estradas europeias, havendo ainda hoje bastantes exemplares em circulação. A saga do construtor no segmento B continuou com Saxo e C3, este ainda em comercialização.

O projeto do AX surgiu em 1981, quando a Citroën começou a desenvolver um automóvel compacto destinado ao segmento B, com cerca de 3,5 m de comprimento e espaço para cinco ocupantes. O objetivo passava por criar modelo capaz de rivalizar diretamente com propostas como o Supercinco da Renault (tratava-se da segunda geração do “best Zeller” da marca do losango), mantendo os critérios de economia, estilo e funcionalidade por que este fabricante era reconhecido.
Os primeiros esboços surgiram com o projeto “S9”, numa variante também prevista para a Talbot, mas que nunca chegaria à produção, e as linhas do protótipo foram desenvolvidas ao longo dos anos até à apresentação da versão definitiva do AX no salão de Paris de 1986. Para o desenho final contribuíram também os estudos do programa “Eco 2000”, cofinanciado pelo governo francês, que incentivou a pesquisa de automóveis aerodinâmicos, económicos e de peso reduzido.
O formato em cunha foi uma herança desse programa e de diversos estudos realizados com a tecnologia disponível na época, com o AX a definir-se como um modelo de carroçaria leve, para-brisas inclinado e “spoiler” traseiro, elementos que realçavam o cuidado com a aerodinâmica – apenas 0,31 de Cx, um valor baixo para a época. O motor dianteiro posicionado transversalmente era outro dos seus atributos, tudo isto num automóvel que tinha apenas 3,52 m de comprimento e cujo peso se situava entre os 640 kg e os 695 kg.
Evolução técnica
Tecnicamente, o Citroën AX dispunha de tração dianteira e de uma nova geração de motores a gasolina – 1.0 (954 cc), 1.1 (1124 cc) e 1.4 (1360 cc), com potências de 45 cv, 55 cv e 65 cv, respetivamente –, que estavam associados a caixas de 4 ou 5 velocidades, dependendo da versão.
Dois anos depois do lançamento e já depois da chegada da carroçaria de 5 portas, o que aconteceu em 1987, a Citroën introduziu na gama uma motorização 1.4 Diesel. O carácter mais desportivo do AX seria afirmado pelas versões Sport (1.3 de 95 cv) e GT (o 1.4 de 85 cv).

Em 1991, o AX foi alvo de uma atualização estética e técnica, recebendo alterações no exterior e no interior. Foi também nesta fase que surgiu o GTI, com o motor 1.4 e potências que, consoante o mercado e a existência ou não de catalisador, rondavam os 90 a 100 cv.
Nota, igualmente, para a versão 100% elétrica que a Citroën chegou a produzir em pequena série. O AX Électrique utilizava baterias de níquel-cádmio com 100 Ah de capacidade, que alimentavam um motor elétrico de 20 kW/26 cv, embora a potência nominal fosse de apenas 11 kW/15 cv. A autonomia rondava os 75 km.
A Citroën também se empenhou nas campanhas publicitárias, com uma delas a colocar o AX a circular pela Grande Muralha da China, sob o mote “Révolutionnaire”. A filmagem tornou-se uma das mais conhecidas da história do modelo e antecedeu a “Opération Dragon”, de 1988, durante a qual jovens europeus percorreram cerca de 4500 km entre Shenzhen e Pequim aos comandos de diversas unidades do concorrente no segmento B.

A produção do AX foi inicialmente confiada à histórica fábrica de Aulnay-sous-Bois, em França, unidade que já se dedicava, desde a década de 1970, à produção do CX. Posteriormente, o modelo passou também a ser produzido em Vigo, Espanha, e em Mangualde, Portugal, de onde saíram das linhas de montagem 90.998 unidades entre 1990 e 1998.
O AX saiu de cena apenas em 1998, dois anos depois da introdução do sucessor, o Saxo.







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