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Mini Aceman SE

A Mini, posicionado entre as gerações novas de Cooper e Countryman, passa a contar com este Aceman, o primeiro automóvel da marca a ser proposto apenas com motorizações elétricas. Versão intermédia da gama, o SE confirma a pertinência desta criação “Made in China” do fabricante britânico do Grupo BMW, adicionando um extra de versatilidade, e o formato da moda, a uma identidade dinâmica reconhecida!



No processo de total eletrificação da gama, a marca britânica do Grupo BMW dá importante passo em frente com o Aceman, o seu primeiro automóvel disponível apenas com motorizações elétricas, e, também por isso, uma das suas mais interessantes, e importantes, criações dos últimos tempos. Em análise, o Aceman SE, versão intermédia da família (218 cv e 330 Nm), posicionado entre o mais acessível Aceman E (184 cv), e o mais “desportivo” Aceman John Cooper Works (258 cv).

 

Ponto prévio: seria redutor, quando não impreciso, considerar que sucede ao Paceman “crossover” de 3 portas produzido de 2012 a 2016, ou à “pseudo-break” Clubman descontinuada em 2024. Pode, antes, ser visto como uma variante “alongada” (+203 mm de comprimento, +111 mm entre eixos, +10 mm de largura e +82 mm de altura, dimensões que o colocam no mesmo plano de muitos concorrentes no segmento dos utilitários, o B) do novo – e, esteticamente, mais consensual – Cooper eléctrico, com o qual partilha base técnica, plataforma, motorizações, e linha de produção na fábrica da Great Wall, em Jiangsu, China; mas com uma configuração de carroçaria do tipo Sport Utility Vehicle (SUV), e um visual, que o aproximam, nos planos estilístico e funcional, do bem mais volumoso Countryman. Aliás, em termos de medidas exteriores, o seu “primo” mais próximo acaba mesmo por ser o Cooper de 5 Portas, por sinal, o único Mini do momento disponibilizado somente com motores de combustão.



Primeiro estranha-se…

Esclarecido o “encaixe” do Paceman no portefólio da Mini, importa apreciar algo que, em automóveis com forte componente aspiracional, é ainda mais determinante: o estilo. Aqui, não há dúvidas quanto ao parentesco com o Countryman novo, patente nas linhas da carroçaria, bem mais angulosas do que as dos Cooper novos, e, sobretudo, nos grupos óticos dianteiros de formato hexagonal (com três configurações possíveis para as luzes de circulação diurna), tal como o contorno contrastante que simula uma tradicional grelha frontal, embora, neste caso, desprovido de zona inferior – contando os farolins traseiros com desenho específico. O resultado não é consensual, mas o crescente número de unidades em circulação dos dois modelos, e, por consequência, de oportunidades para com os mesmos nos cruzarmos na via pública, evocam o emblemático “slogan” publicitário criado pelo inimitável poeta: primeiro estranhando-se, acaba por entranhar-se…



No habitáculo, o “design” é idêntico ao do dos Mini recém-chegados ao mercado, apresentando-se dominado pela decoração em preto e vermelho, a que se junta uma qualidade geral referencial para a classe. Sendo o espaço para passageiros e bagagens, no primeiro caso, aceitável para dois ocupantes atrás (um terceiro já padecerá de menor liberdade de movimentos, sendo o acesso aos lugares posteriores um pouco condicionado pelas reduzidas dimensões das portas, e pelo seu não muito amplo ângulo de abertura), oferecendo a mala uma capacidade que não vai além dos 300 litros (máximo de 1005 litros com o banco posterior totalmente rebatido), e pecando por um plano de carga um pouco elevado.



Em lugar de grande destaque no interior está o enorme ecrã central tátil OLED redondo (240 mm de diâmetro), destinado a comandar um sistema de infoentretenimento assente na mais recente geração do sistema operativo da marca (Mini OS 9), através do qual são operadas quase todas as funções do automóvel, à exceção das comandadas através dos botões existentes logo abaixo do mesmo, das hastes colocadas na coluna de direção, e dos botões montados no volante. Apesar de uma lógica e de uma organização “sui generis”, tipicamente Mini, o mesmo se podendo afirmar das animações e do grafismo, é extremamente completo e rápido, e não exige excessivo tempo de habituação.


Neste ponto, já terá notado que o Aceman SE em avaliação exibe o emblema John Cooper Works em vários locais da carroçaria e do habitáculo, mas tal deve-se ao facto de se tratar de um nível de equipamento com esse nome (4290 €), que em nada interfere com a sua dotação mecânica. Embora seja importante para o elogio que merece um posto de condução não muito elevado, e bastante correto e envolvente, por nessa verba se incluírem, entre outros, os bancos dianteiros desportivos, com encostos de cabeça integrados e apreciável apoio lateral, e o volante totalmente redondo, com pega e dimensões perfeitas.



Da teoria à prática

Num modelo que visa fundir a utilização mais pragmática acima já comprovada com o proverbial dinamismo de um Mini, a experiência de condução só poderia ser decisiva. E, neste particular, o Aceman SE não desilude (assim se tenha sempre presente que de um 100% elétrico se trata, e que os logótipos JCW não comportam melhoramentos mecânicos). Modos de condução (batizados como Mini Experience Modes) existem oito, mas só três alteram, de facto, o desempenho: Core (o selecionado por omissão sempre que se liga a “ignição”), Green (mais vocacionado para a economia) e Go-Kart (mais desportivo, e o que permite desligar o controlo eletrónico de estabilidade). Os restantes atuam, no essencial, sobre a iluminação interior, o som ambiente, e a configuração do ecrã central, entre outros fatores que personalizam o “cockpit”.


Ponto prévio, algo que domina sempre qualquer análise de um elétrico: a autonomia. Montando uma bateria com 49,2 kWh “úteis”, o Aceman SE logrou percorrer, com uma carga completa e em condições reais de utilização, 344 km em estrada, 270 km em autoestrada, e 396 km em cidade, para uma autonomia média ponderada de 353 km. Sem deslumbrar, também não desaponta, até porque, em meio urbano, o valor alcançado pode ser um pouco superior quando se faz bom uso dos vários níveis de intensidade de regeneração de energia em desaceleração (automático, fraco, médio e forte), selecionáveis no ecrã central (o que está longe de ser o mais prático) quando o seletor da transmissão está na posição “D” (quando na “B”, o mais intenso é ativado automaticamente).



Onde está o ás?

Ao volante, mesmo numa toada tipicamente familiar, logo se descortina que a suspensão é firme, impedindo que as irregularidades mais acentuadas sejam impercetíveis para os ocupantes, mas não ao ponto de tornar o Aceman SE desconfortável, bem pelo contrário; e que a motorização tem força para lidar com todas as situações, primando por uma reposta sempre rápida e intensa, mas linear, progressiva e fácil de dosear. Trunfo que poderá sê-lo menos a ritmos mais empenhados, em que este Mini, embora não deixando de ser muito célere, nunca é explosivo, ou particularmente impressionante, no plano sensorial, em termos de acelerações, não obstante pouco mais de 7 segundos serem suficientes para cumprir os 0-100 km/h (a modesta velocidade máxima é já um “clássico” nos elétricos, para não comprometer excessivamente a autonomia, que, mesmo assim, numa condução realmente intensa, não chega aos 200 km…).

 

Em compensação, a direção, precisa, direta e informativa, oferece um “feeling” e uma resposta ótimos, os travões não só são potentes, como resistentes à fadiga, e contam com um tato do respetivo pedal digno de encómios, e a afinação específica da suspensão evidencia os seus méritos. Tudo concorrendo para um comportamento, acima de tudo, extremamente equilibrado, honesto e previsível, o que se traduz numa enorme facilidade de condução, pois, mesmo no modo Go-Kart, e com o ESP desligado, só mesmo em situações muito exigentes (como as reacelerações mais intempestivas à saída das curvas) se sente alguma (pouca) dificuldade do trem dianteiro em colocar no chão toda a potência disponível… a não ser que que o asfalto esteja húmido, ou, pior, molhado (de sublinhar que, no caso em apreço, as jantes JCW de 19”, com pneus 22/40, são um extra disponível por 690 €). Firme, interativo, rápido, ágil, por vezes divertido, este automóvel comporta-se mais como um Mini moderno do que como um SUV, estando, em termos de identidade dinâmica, mais próximo, e ainda bem, do Cooper e não do Countryman.



No final, esta é bem capaz de ser a escolha ideal para quem pretende um Mini elétrico, e muito pode contribuir para ajudar a marca a atingir os seus objetivos em termos de eletrificação. Herda quase tudo o que de melhor tem o Cooper, mas acrescenta-lhe o carácter (ligeiramente) mais prático que lhe advém, principalmente, das 5 portas, da habitabilidade mais desafogada, e da mala mais volumosa – não esquecendo o formato de carroçaria da moda. O preço de 40.399 € (Aceman E desde 37.050 €, Aceman JCW a partir de 49.800 €) está de acordo com o posicionamento “premium” da marca, como o prova, ainda, o facto de a unidade ensaiada, por via dos (muitos) extras que montava, orçar em 53.119 €. Existem rivais mais baratos, potentes e equipados, e com autonomias maiores, mas nenhum é um… Mini.



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