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DS Nº 4 E-Tense 213 Jules Verne

Do plano de total renovação da oferta da marca de luxo francesa da Stellantis está a atualização de meio de ciclo do compacto destinado ao segmento C. Cirurgicamente, sem alterar o conceito, as alterações operadas melhoraram tudo o que de mais importante merecia ser melhorado, e, de caminho, foi lançada uma inédita, e muito competente, derivação 100% elétrica, cujos dotes são bem ilustrados pelo novo DS Nº 4 E-Tense 213 Jules Verne.



A marca de luxo francesa do consórcio Stellantis, por mais árdua que seja a batalha, não desiste de tentar impor-se numa “franja” do mercado dominada, historicamente, pelos fabricantes do norte da Europa, com os alemães na frente do pelotão. E, com o intuito de reforçar o posicionamento “premium”, em curto espaço de tempo, renovou quase por completo a oferta, adotou uma nomenclatura nova para os modelos, e introduziu soluções técnicas mais modernas em várias das propostas que tem no mercado.

 

Exemplo paradigmático de tudo isso é o revisto familiar compacto, aqui avaliado na versão DS Nº 4 E-Tense 213 Jules Verne. Aquela que assinala a chegada das motorizações elétricas a esta gama (o modelo também está disponível, desde 37.550 €, com o 3 cilindros turbo a gasolina de 1,2 litros, com tecnologia “mild hybrid” e 145 cv; a que se juntará, ainda este ano, o grupo motopropulsor híbrido Plug-In, com 225 cv, e 81 km de autonomia em modo 100% elétrico), no caso em conjugação com um nível de equipamento de série já por demais interessante (posicionado abaixo do de topo Étoile, e acima do Pallas e do Performance Line). Claro que uma simples mudança de nome não é, por si só, sinónimo de um automóvel totalmente novo, acabando o DS Nº 4 por ser uma evolução do anterior DS4: excetuando a motorização, as diferenças, por dentro, e por fora, não são, propriamente, radicais, mas que isso não signifique que não mereça a pena conhecer as principais alterações introduzidas.



Evolução ao invés de revolução

Começando pelas estilísticas: mantendo a configuração de carroçaria que fica como que a meio caminho entre um “hatchback” e um SUV-coupé, a aparência exterior continua inconfundível e muito cativante, tendo recebido uma grelha mais horizontal, em preto; uma nova assinatura luminosa dianteira (inspirada na do protótipo do desportivo elétrico DS E-Tense Performance, com 815 cv, revelado em 2022, no salão de Paris), com o logótipo da DS iluminado ao centro; uma assinatura luminosa traseira também nova, realçada por uma máscara cromada escura, e por escamas em relevo gravadas a laser; e o “lettering” DS Automobiles Nº 4 inscrito no portão.

 

Igualmente dignos de referência, o opcional tejadilho contrastante em preto (300 €), e as molduras dos vidros cromadas. Sendo específicos do nível de acabamentos Jules Verne o emblema no “capot”, a assinatura do escritor francês, e um mostrador de orientação, gravados nas soleiras das portas, e as bonitas jantes de 19” diamantadas em preto brilhante, com tampas dos cubos das rodas douradas. No final, tudo se combinando, de forma muito feliz, com as linhas musculadas, mas fluídas, para criar um visual, ao mesmo tempo, distinto e dinâmico.



O que se não alterou, com a atualização do modelo da DS destinado ao competitivo segmento C, foi o interior ser um dos seus elementos mais marcantes e diferenciadores. Como as dimensões exteriores praticamente não mudaram, o compacto continua a acolher, sem dificuldade, quatro passageiros adultos, e a oferecer um acesso aos lugares traseiros surpreendentemente fácil, tendo em conta o formato descendente do tejadilho em direção à traseira – mas a capacidade da mala está longe de deslumbrar, sendo, até, inferior à da versão a gasolina (40 litros com todos os lugares disponíveis, 50 litros quando os encostos dos bancos traseiros estão totalmente rebatidos), devido à montagem da bateria sob o piso, além de o plano de carga ser mais elevado do que o ideal.

 

À laia de compensação, o habitáculo continua a primar por ser bastante acolhedor e original; e por oferecer uma elevada qualidade percebida… e efetiva! Prova-o uma criteriosa seleção de materiais, quase todos de nível superior – e mesmo boa parte dos poucos plásticos que são mais duros contam com superfícies macias e agradáveis ao toque, pelo que os menos nobres são mesmo possíveis de encontrar só em locais mais recônditos do interior.



Outro trunfo a ter em conta é a sofisticada decoração, destacando-se, neste caso, enquanto mais um sinal de refinamento, já característico da marca, os acabamentos metálicos com padrão DS, aplicados em alguns botões no volante, na faixa central do “tablier”, e na moldura e em vários comandos na consola entre os bancos dianteiros. Nas versões Jules Vernes, os bancos são revestidos a Alcantara azul, e no painel de bordo, defronte do passageiro, está gravado a laser um esboço de uma rosa dos ventos, em homenagem à engenharia dos aventureiros do passado, e à célebre obra “A Volta ao Mundo em 80 dias”. Lamentando-se, contudo, que, apesar da ergonomia revista, os botões de comando dos vidros estejam colocados no topo dos painéis das portas, o que não facilita, de todo, o manuseamento – o mesmo acontecendo com a montagem dos comandos dos retrovisores no lado esquerdo do “tablier”, numa zona que, devido ao volante, fica fora do campo de visão do condutor.

 

Melhoria importante é o novo (neste modelo…) sistema multimédia, muito completo, e de funcionamento mais intuitivo, embora, na essência, seja semelhante ao utilizado noutros automóveis da Stellantis. O painel de instrumentos e o ecrã central táctil, ambos de 10,25”, contam com gráficos inspirados nos do topo de gama DS Nº 8, o que reforça a exclusividade exigida num modelo “premium – com a vantagem adicional de existirem comandos físicos para a climatização, e teclas de atalho, também físicas, para a página principal, e para o submenu em que é possível desligar, diretamente, o alerta sonoro de velocidade excessiva e o assistente à manutenção na faixa rodagem. O que, felizmente, também se mantém é a posição de condução bastante correta, e mais baixa do que o esperado, com o banco a oferecer um razoável apoio lateral.



Fator distintivo

Mas o que realmente faz a diferença, para o seu antecessor, no DS Nº 4, é, justamente, esta derivação 100% elétrica, que tem uma bateria com 58,3 kWh de capacidade utilizável, capaz de garantir uma autonomia que, sem ser referencial para os dias que correm, não deixa de ser interessante. Em condições reais de utilização, uma única carga completa permite percorrer até 371 km em estrada, 276 km em autoestrada e 360 km em cidade, a que corresponde uma autonomia média ponderada de 341 km. Podendo (e devendo!) as patilhas no volante ser utilizadas para alternar entre os três níveis de intensidade da regeneração de energia em desaceleração (-0,6 m/s2 no primeiro, -1,3m/s2 no intermédio, -2,0 m/s2 no mais elevado), para uma melhor eficiência energética, ainda que, infelizmente, nem o mais acentuado funcione como um “e-Pedal” capaz de levar o veículo até à imobilização, o que reduziria ainda mais o recurso ao pedal do travão, sobretudo numa condução citadina.

 

Porventura tanto, ou mais importante, que a autonomia é a desenvoltura que este motor, com 213 cv e 343 Nm, confere ao DS Nº 4 E-Tense 213. Com bastante mais potência e binário do que os 156 cv e 270 Nm oferecidos pelo utilizado noutros modelos da Stellantis que competem no mesmo segmento, e assentes na mesma plataforma, torna a condução bastante mais fácil e descontraída do que, por exemplo no Peugeot e-308 ou no Opel Astra Electric, também devido às melhores “performances”, brilhando, ainda, por uma resposta muito bem calibrada – imediata e intensa, mas fácil de dosear, nunca brusca, e sempre progressiva.



Por isso, as acelerações, tanto nos arranques, como nas recuperações, são suficientemente expeditas e, por isso, garantem desenvoltura na esmagadora maioria das situações de condução numa utilização tipicamente familiar, em que também vem ao de cima o ótimo conforto de marcha, assegurado pelas suspensões muito bem afinadas. E se o objetivo, ou a necessidade, do momento obrigarem a impor ritmos mais acelerados, o DS Nº 4 E-Tense 213, não obstante não ter quaisquer pretensões desportivas, também dá muito boa conta de si: selecionado o modo Sport (também existem o Eco e o Normal, sendo a única diferença substantiva entre eles a rapidez de resposta ao acelerador), mesmo nas solicitações mais exigentes, a entrega de potência progressiva, e o chassis muito bem afinado, asseguram que a motricidade e a tração são mais do que suficientes para que se possa ganhar velocidade com convicção, inclusive à saída das curvas mais apertadas – sem demasiada tendência para a subviragem, ou excessiva intervenção do controlo eletrónico de estabilidade, ao ponto de raramente se dar pela presença desta assistência.



De facto, o equilíbrio é a nota dominante neste DS Nº E-Tense 213, em que motor e chassis combinam de forma quase perfeita, disfarçando muito bem os quase 1900 kg de peso, e permitindo-lhe ser bastante veloz, sem que, para isso, seja “explosivo”, ou difícil de dominar – bem pelo contrário! Até quando se “esmaga” o pedal da direita, o eixo dianteiro dá perfeitamente conta do recado, sendo raro ouvir queixumes por parte dos pneus Michelin e-Primacy (muito) mais orientados para a eficiência energética do que para as “performances” – e isto tudo contribuindo para reações sempre muito previsíveis, e para uma condução extremamente acessível e segura, mesmo numa toada mais intensa, e, até, sobre piso molhado.

 

Já a impossibilidade de desligar os controlos de tração e estabilidade, a não ser a baixa velocidade, para permitir os arranques sobre pisos com muito baixa aderência, impede que se ganhe aquele extra de agilidade, que uma traseira, que até mostra ser solícita sempre que é provocada, decerto garantiria se pudesse ser mais interventiva, e ajudar as descrever as trajetórias com outra graciosidade, e maior divertimento ao volante. Os mais afoitos lamentá-lo-ão, mas não é algo que possa ser criticado num automóvel em que conforto, serenidade e segurança estão acima de qualquer pretensão desportiva.



Anunciado como o único familiar compacto de prestígio 100% elétrico do mercado, o novo DS Nº 4 E-Tense 213 Jules Verne é daqueles automóveis que faz quase tudo bem, e de que, por isso, é muito fácil gostar. A marca francesa prevê que, devido à preponderância dos clientes empresariais, cerca de 70% das vendas sejam asseguradas pelas versões elétricas, algo para que também tenderá a contribuir o seu posicionamento comercial, com os preços a iniciarem-se nos 46.850 € pedidos pela versão Pallas de acesso… entre as elétricas. A dotada do nível de equipamento em apreço custa 49.350 €.



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