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Estreia do Madring na Fórmula 1

há 4 horas
4 min de leitura

Este domingo, na ronda 14 do Mundial de 2026 e na edição 56 do Grande Prémio de Espanha, estreia do Madring com 5,414 km e 22 curvas. É o 79.º circuito da história da Fórmula 1 e o primeiro novo desde a inclusão de Las Vegas, em 2023. O projeto foi confirmado em 2024, o contrato é válido até 2035 e a construção da pista foi adjudicada por 83,2 milhões de euros.


O novo circuito localizado nas zonas de Barajas e Valdebebas, ambas próximas do centro da capital espanhola. A prova marca o regresso da categoria principal do desporto automóvel a Madrid, o que não acontecia desde 1981, ano em que o circuito de Jarama recebeu pela última vez a competição.


O Madring é o sétimo circuito espanhol a receber o Mundial de Fórmula 1, depois de Pedralbes (duas corridas), Jarama (nove), Montjuic (uma), Jerez de la Frontera (cinco), Barcelona-Catalunha (35) e Valência (cinco). Destes, só Valência nunca recebeu uma edição do Grande Prémio de Espanha. O circuito citadino construído na zona portuária da cidade acolheu cinco edições do Grande Prémio da Europa, entre 2008 e 2012. Jerez também recebeu o Grande Prémio da Europa, em 1994 e 1997, mas já tinha sido o “palco” do Grande Prémio de Espanha de 1986 a 1990.



A chegada da Fórmula 1 a Madrid começou a ganhar forma oficial a 23 de janeiro de 2024, quando a F1 e a IFEMA Madrid anunciaram o acordo para a realização do Grande Prémio de Espanha na capital espanhola a partir de 2026. O contrato tem a duração de 10 temporadas, garantindo a presença da prova no calendário entre 2026 e 2035.


Construído em redor do centro de exposições IFEMA Madrid, o Madring é um

circuito híbrido, combinando secções permanentes com vias públicas. O desenho definitivo tem 5,414 km e 22 curvas, com a corrida de domingo a contar com 57 voltas, num total de 308,399 km. As longas retas deverão permitir aos Fórmula 1 atingir velocidades na ordem dos 340 km/h.

 

As equipas enfrentam um desafio quase desconhecido num circuito que combina longas retas, zonas de forte travagem, mudanças de elevação, curvas cegas, túneis e sequências rápidas, muitas delas delimitadas por barreiras muito próximas da pista.



19 bandeiras vermelhas em dois dias

Uma primeira indicação sobre a dificuldade do Madring surgiu nos dias 24 e 25 de agosto, quando a Fórmula 3 realizou dois dias de testes no circuito. O resultado foi muito acidentado: as sessões foram interrompidas por nada menos do que 19 bandeiras vermelhas, 16 das quais provocadas por piões ou acidentes e três por problemas mecânicos.


Dez pilotos chegaram a embater nas barreiras e três monolugares sofreram danos nos chassis. Os incidentes distribuíram-se por diferentes pontos do traçado, incluindo as curvas 5 e 6, a curva 7 (zona particularmente exigente devido à mudança de elevação e visibilidade reduzida) e a curva 17, além de terem sido registados acidentes nas curvas 3, 10, 11 e 14.


James Vowles, diretor da Williams, descreveu-o como uma pista que «mata carros», enquanto George Russell salientou que a combinação entre velocidade elevada e proximidade das barreiras poderá proporcionar ainda menos margem para erros do que no Mónaco. Lewis Hamilton comparou igualmente a dificuldade de aprendizagem do Madring à de Jeddah (Arábia Saudita), outro circuito citadino extremamente rápido.



45.000 fãs em La Monumental

Como elemento mais espetacular do Madring, a curva 12, a denominada La Monumental, uma longa secção semicircular cujo conceito evoca as tradicionais praças de touros espanholas. Com cerca de 550 metros de extensão e uma inclinação máxima de 24%, apresenta-se como uma das imagens de marca do novo circuito.


Os Fórmula 1 deverão permanecer aproximadamente seis segundos dentro da curva, que combina a forte inclinação com uma mudança de elevação que torna parte da trajetória cega. Carlos Sainz descreveu de forma particularmente gráfica a aproximação ao ponto mais elevado: durante alguns instantes, o piloto «só vê o céu», disse o espanhol da Williams.


La Monumental também impressiona ela dimensão das bancadas construídas em seu redor: a zona terá capacidade para cerca de 45.000 fãs, criando praticamente um estádio em torno de uma única curva.

 

A localização constitui outro dos argumentos do projeto. O Madring encontra-se a poucos minutos do Aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas e dispõe de ligações por metro, comboio e autocarro. Quando o projeto foi anunciado, a organização estimava que até 90% dos espetadores poderiam deslocar-se para o circuito em transportes públicos.



Construção adjudicada por 83,2 milhões

A construção do Madring arrancou em 2025, tendo a obra sido entregue ao consórcio constituído pela espanhola Acciona, com 60%, e pela francesa Eiffage Construcción, com os restantes 40%. O concurso tinha um orçamento-base de 111 milhões de euros, mas a proposta vencedora fixou o valor do contrato em 83,2 milhões de euros.


Este montante não corresponde, contudo, ao investimento associado à realização do Grande Prémio. O contrato contempla especificamente a construção do circuito e das novas vias e instalações necessárias, além da montagem e posterior desmontagem das infraestruturas temporárias e da reposição das estradas e serviços públicos afetados depois de cada edição da corrida.


O projeto começou por prever um circuito de 5,47 quilómetros e 20 curvas quando o acordo foi anunciado em 2024, mas o desenho foi depois desenvolvido até chegar à configuração definitiva de 5,414 km e 22 curvas.



Impacto próximo dos 470 milhões

Além da dimensão desportiva, Madrid aposta muito no retorno económico da Fórmula 1. As primeiras projeções da organização e das autoridades apontavam para um impacto anual na ordem dos 450 milhões de euros e cerca de 8000 empregos. Um estudo mais recente da PwC elevou a estimativa para 467 milhões de euros e 8850 postos de trabalho associados à edição inaugural do grande prémio.


O mesmo estudo estima em aproximadamente 83 milhões de euros as receitas provenientes de impostos e contribuições sociais e indica que foram vendidos mais de 120.000 bilhetes, com mais de 80.000 espetadores provenientes de fora da Comunidade de Madrid e cerca de 45.000 oriundos de outros países.


Quarenta e cinco anos depois da última passagem por Jarama, Madrid regressa ao mapa da Fórmula 1 com um circuito totalmente novo e presença garantida no campeonato, pelo menos, até 2035.

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