Evans campeão após drama na Sardenha!
Elfyn Evans, 37 anos, sagrou-se, pela primeira vez, campeão mundial de Ralis, após final dramático no Rali da Sardenha, no encerramento do campeonato de 2026. O galês, num Toyota GR Yaris Rally1, foi quinto em Itália, mas beneficiou de saída de estrada do sueco Oliver Solberg, também em Toyota GR Yaris Rally1, a poucas curvas do fim da última especial do ano – e o mais rápido dos dois nesta PEC ganharia o WRC! O sueco venceu o rali, mas perdeu o título por 5 pontos.
Evans, com o copiloto britânico Scott Martin, sagra-se campeão depois de cinco segundos lugares no Mundial (2020, 2021, 2023, 2024 e 2025), o galês conquistou, por fim, o título que perseguia há anos e tornou-se o primeiro britânico campeão do WRC desde Richard Burns, em 2001. Curiosidade: o engenheiro-chefe do carro tripulado por esta dupla é português. Chama-se Rui Soares.
Dificilmente, o desfecho do campeonato poderia ter sido mais dramático. Evans iniciou o último dia do Rali da Sardenha ainda na liderança do campeonato, mas um furo na roda dianteira direita, na penúltima especial, obrigou-o a trocar o pneu e retirou-o da luta pelos pontos do “Super Sunday”. E, assim, tudo ficou dependente da última especial da época, a “Power Stage” Sassari-Argentiera, com apenas 7,10 km de extensão.

Evans foi o primeiro dos candidatos ao título a completar o troço, mas admitiu não ter realizado uma prestação perfeita. Solberg partiu ao ataque e, a pouco mais de 1 km da meta, estava 1,9 s mais rápido do que o companheiro de equipa. Nesse momento, o sueco preparava-se para repetir a proeza do pai, Petter, campeão em 2003 – na história do WRC, seria acontecimento inédito.
No entanto, numa das últimas curvas da temporada e com a meta à vista, Solberg alargou demasiado a trajetória e perdeu o controlo do Toyota GR Yaris Rally1, que acabou na areia – e, assim, o sonho do título, literalmente, morreu na praia! Oliver regressou à estrada e completou a especial, mas o tempo que perdeu entregou o campeonato a Evans.

“Ainda não assimilei bem o que acabei de conseguir. Estava convencido de que não era possível. Não fiz a melhor especial, dei tudo, mas não foi limpa», admitiu Evans, que não esqueceu o companheiro de equipa – e adversário direto na luta pelo título: “Tenho pena do Oliver. Fez um fim de semana incrível e é duro perder desta forma tão perto do final”.
Uma carreira iniciada no Mundial em 2007
O título acaba com uma espera muito longa para Evans. Filho de Gwyndaf Evans, antigo campeão britânico de ralis, o galês estreou-se no WRC em 2007, no Rali de Gales/Grã-Bretanha de 2007, e passou a disputar o campeonato de forma regular a partir de 2013, realizando em 2014 a primeira temporada completa ao mais alto nível. Antes de se impor entre a elite da disciplina, ganhou a WRC Academy em 2012 e sagrou-se campeão britânico em 2016.

A primeira vitória absoluta no Mundial surgiu em outubro de 2017, precisamente em casa, no Rali de Gales/Grã-Bretanha, num Ford Fiesta WRC da M-Sport e com Daniel Barritt como copiloto. Então, tornou-se o primeiro galês a vencer a prova. Evans permaneceu na equipa até ao final de 2019 e transferiu-se para a Toyota em 2020. E foi nesse ano que iniciou a perseguição ao título.
Ao longo de 17 temporadas com participações no Mundial, Evans acumulou 171 ralis, 13 vitórias e 51 pódios. A vitória no Rali do Japão deste ano, a segunda da temporada depois da Suécia, tinha sido a 13.ª da carreira e permitira-lhe alcançar o 50.º pódio. Elfyn torna-se, assim, o terceiro britânico campeão do WRC, depois de Colin McRae (1995) e Richard Burns (2001), mas apenas o primeiro galês.

A dimensão do feito é ainda maior tendo em conta as oportunidades anteriores. Evans chegara já por duas vezes à última prova do campeonato na liderança e, em 2025, perdera o título para Sébastien Ogier por apenas 4 pontos. Este ano, liderou o Mundial durante grande parte da temporada, apresentando-se na Sardenha com 230 pontos, mais 17 do que Sami Pajari e 21 do que Oliver Solberg.
Todavia, a condição de primeiro no Mundial trouxe-lhe dificuldades, uma vez que teve de abrir a estrada durante parte importante do rali, limpando a trajetória para os adversários nos troços de terra. Mesmo assim, Evans e Martin mantiveram-se na luta até ao fim e terminaram o campeonato com 243 pontos, apenas 5 mais do que Solberg. Pajari ficou a somente mais 1, com 237.
Solberg vence, mas perde o Mundial
Oliver Solberg e Elliott Edmondson dominaram na Sardenha e conquistaram uma vitória clara – a quarta da carreira no WRC e a terceira este ano –, terminando 57,8 se à frente de Sébastien Ogier e Vincent Landais, igualmente num Toyota GR Yaris Rally1. Sami Pajari/Marko Salminen completaram um pódio 100% Toyota, a 1.48,6 m dos vencedores, enquanto Adrien Fourmaux/Alexandre Coria foram os quartos e asseguraram o melhor resultado entre os i20 N Rally1 da Hyundai. Evans acabou em quinto, a 4.57,0 m.

Toyota iguala 10 títulos da Lancia
Para a Toyota, mais uma temporada de domínio absoluto. A formação japonesa terminou o campeonato de construtores com 662 pontos, contra 440 da Hyundai, tendo garantido antecipadamente o título durante uma temporada em que somou 12 vitórias em 13 ralis – falhou o triunfo apenas em… Portugal (ganhou-o Thierry Neuville, num Hyundai).
O campeonato teve um significado histórico para a Toyota. O construtor japonês conquistou o 10.º título de construtores no WRC, igualando a Lancia no topo da classificação absoluta. Foi igualmente o sexto Mundial consecutivo da Toyota, numa série iniciada em 2021, igualando outro recorde da marca italiana, que venceu seis Mundiais entre 1987 e 1992.

Fim de uma era no WRC
O Rali da Sardenha representou o fim da era dos Rally1. Introduzida em 2022 para substituir os World Rally Cars, a categoria inaugurou uma nova geração técnica no Mundial, com Toyota, Hyundai e M-Sport Ford a desenvolverem carros que tinham uma célula de segurança tubular comum.
Os Rally1 estrearam a eletrificação na categoria máxima do WRC, combinando os 1.6 Turbo com um sistema híbrido Plug-In. A componente elétrica acabaria por ser eliminada a partir de 2025, mas a designação Rally1 e a base técnica mantiveram-se até ao final de 2026.
Em 2027, fase nova no Mundial, com o regulamento WRC27, pensado para vigorar durante 10 anos e reduzir muito os custos de desenvolvimento e competição. As regras introduzem maior liberdade na escolha da carroçaria, permitem a entrada de construtores independentes e procuram aumentar o número de participantes na categoria principal, reduzindo a dependência dos grandes fabricantes.

Durante 2027 e 2028, solução de transição para os atuais automóveis Rally2. Os carros homologados até ao final do ano poderão competir na categoria principal através da instalação de um “kit” específico aprovado pela FIA.
É também uma mudança de ciclo na organização do campeonato, que tem novo promotor, e no calendário. Portugal foi removido do WRC em 2027, apesar de ter sido anunciado um acordo que previa a presença da prova no mapa até 2028.






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