Freelander regressa ao mercado europeu!
O Freelander, nome histórico da Land Rover, transformou-se numa marca autónoma de automóveis elétricos ou eletrificados com tecnologia da chinesa Chery e desenho da britânica JLR. Depois da estreia na China, que aconteceu este ano, prepara-se o regressa à Europa com uma insígnia independente! O primeiro modelo no catálogo é o 8, Sport Utility Vehicle (SUV) com 617 cv, na configuração anunciada para exportação. Portugal não figura (ainda?) entre os mercados confirmados no Velho Continente, que são Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica, Países Baixos e Suíça. De resto, até o Reino Unido e a Irlanda ficam de fora desta fase do processo de expansão internacional.

A criação da Freelander como marca autónoma resultou da reorganização da Jaguar Land Rover iniciada em 2023. A 19 de abril desse ano, o consórcio britânico propriedade da indiana Tata Motors anunciou a adoção da estratégia “House of Brands” (Casa das Marcas, traduzindo do inglês para o português), no âmbito do programa Reimagine que também abrangeu a Jaguar, fabricante que acaba de apresentar o primeiro membro de uma nova família de automóveis, todos elétricos: o GT batizado com o nome de Type 01. Então, Range Rover, Defender e Discovery foram promovidas a marcas autónomas com identidades próprias.
Pouco depois, em junho, a Jaguar Land Rover mudou de designação corporativa para JLR. A Land Rover criada em 1948 não desapareceu, mantendo-se, todavia, como uma marca histórica integrada numa herança que associamos, sobretudo, a automóveis como o Range Rover, Defender e Discovery, mas deixou de atuar comercialmente como o nome agregador de toda a gama. A Freelander “nasceu” numa fase posterior e, deliberadamente, fora desta estrutura.
O passo decisivo aconteceu a 19 de junho de 2024, quando JLR e Chery anunciaram um acordo para uma nova “joint-venture” chinesa que tinha como propósito a construção da marca Freelander. O projeto previu sempre o recurso a arquiteturas eletrificadas da Chery, a produção na fábrica de Changshu, na China, e o desenvolvimento de uma gama própria de produtos destinada ao maior mercado mundial antes do início do processo de exportação. À época, a JLR explicou que a Freelander funcionaria separada tanto da gama da Chery como da sua “House of Brands”.

Início da parceria chinesa remonta a 2012
O arranque da ligação entre as duas empresas é muito anterior a este processo. A Chery Jaguar Land Rover foi constituída no outono de 2012, numa “joint venture” detida em partes iguais pelos dois consórcios. A fábrica de Changshu, primeira unidade de produção integral da JLR fora do Reino Unido, iniciou as operações em outubro de 2014. E é esta estrutura industrial e tecnológica que está na base da nova Freelander.
A marca estreou-se publicamente na primavera, com a apresentação na China do Concept 97, estudo cuja designação recordava 1997, o ano de apresentação do primeiro Land Rover Freelander. Depois, o 8 tornou-se o primeiro automóvel de produção da nova marca. O modelo encontrava-se à venda no mercado “doméstico” desde setembro. O anúncio da expansão internacional do programa antecipava-se.

PHEV de 617 cv para exportação
A versão destinada aos mercados internacionais é muito diferente da proposta na China. Para exportação, o Freelander 8 recebe uma bateria com cerca de 34 kWh de capacidade, em vez dos 60,3 kWh utilizados na versão chinesa. A autonomia anunciada para o modo de condução 100% elétrico anunciada baixa para cerca de 110 km, mas trata-se de estimativa, uma vez que ainda não existem números homologados de acordo com o ciclo europeu WLTP.
O motor de combustão interna utilizado como extensor de autonomia também muda – esta tecnologia, recorda-se, é equiparada à híbrida Plug-In (PHEV). O 1.5 Turbo utilizado na China dá lugar a uma unidade de 4 cilindros e 2 litros a gasolina, associada a dois motores elétricos, para uma potência máxima combinada anunciada de 617 cv. O A versão chinesa do Freelander 8 tem bateria de 60,3 kWh de capacidade, 818 cv na variante mais potente do sistema e permite percorrer até 310 km de forma 100% elétrica, de acordo com o ciclo chinês CLTC.
O Freelander 8 é um SUV de grandes dimensões. mais de 5,1 m de comprimento e admite duas configurações do habitáculo (cinco ou seis lugares). O equipamento inclui suspensão pneumática, quatro rodas direcionais e pacote muito extenso de sistemas de assistência à condução fora de estrada.

Um nome com quase 30 anos
O lançamento da Freelander reintroduz no mapa do automóvel um nome que tem uma história iniciada há quase 30 anos. Em 1997, a Land Rover introduziu modelo que viria a tornar-se num dos seus carros mais importantes, que era mais compacto e pensado para uma utilização orientada para estrada do que os Land Rover tradicionais. Estas características permitiram que a marca entrasse num segmento que representava cada vez mais volumes de produção e vendas.
A primeira geração tinha carroçarias de 3 e 5 portas, permaneceu em produção até 2006 e, durante vários anos consecutivos, conseguiu mesmo o título de 4x4 mais vendido na Europa, ultrapassando, no final do programa, mais de 540.000 unidades entregues a clientes. Em 2006, a Land Rover apresentou o Freelander 2, automóvel maior e mais sofisticado do que o original e comercializado apenas com 5 portas (nalguns mercados, nomeadamente no norte-americano, recebeu o nome de LR2). O fim da carreira do modelo aconteceu em 2014, após 17 anos no mercado e quase um milhão de unidades registadas. E, como o sucessor, a Land Rover apresentou o Discovery Sport.

Concorrência dentro de casa?
A estratégia da JLR cria uma situação pouco comum. A Freelander pretende competir no mercado “premium” e, por isso, no preço e no posicionamento, poderá aproximar-se muito de alguns automóveis do consórcio britânico, sobretudo da Discovery! No entanto, a deslocação progressiva da Defender e da Range Rover para patamares comerciais superiores abriu espaço para a entrada de uma proposta mais acessível, apoiada em tecnologia e capacidade industrial chinesas.
A marca tem planos para mais SUV, anunciando-se mesmo seis automóveis nos próximos cinco anos. E esta ofensiva iniciada na China, progressivamente, estender-se-á aos mercados internacionais. A primeira fase da expansão concentra-se no Médio Oriente. A segunda privilegia a Austrália e a Nova Zelândia. A terceira concentra-se na Europa.






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