Honda: Grande Prémio 500 na Fórmula 1
Este domingo, na 47.ª edição do Grande Prémio dos EUA, a 14.ª no Circuito das Américas (COTA) de Austin, no Texas, a Honda comemora uma marca histórica na Fórmula 1, que atinge na condição de fornecedora das unidades de potências dos AMR26 da Aston Martin: 500.ª participação na categoria-rainha do desporto automóvel. Este registo é assinalado 62 anos depois da estreia, que remonta a 2 de agosto de 1964, a um Grande Prémio da Alemanha, no Nürburgring, com um piloto norte-americano (Ronnie Bucknum) ao volante do primeiro monolugar integralmente desenvolvido pelo construtor japonês: o RA271.
Estas 500 participações em grandes prémios consideram as diferentes fases de atividade da Honda na disciplina – construtor, fornecedor de motores ou fabricante de unidades de potência híbridas. A temporada de 2026, em matéria de resultados, encontra-se muitíssimo aquém das expectativas, depois de cumpridos os primeiros 17 grandes prémios de um calendário que conta com 23 – a Aston Martin tem apenas sete pontos, todos somados pelo espanhol Fernando Alonso –, mas estes números negativos não beliscam uma história que é de muitos mais sucessos do que insucessos, como demonstram as estatísticas.

A Honda, depois da estreia protagonizada na Alemanha-1964, não teve de esperar muito pela primeira vitória na Fórmula 1. Conseguiu-a pouco mais de um ano depois, a 14 de outubro de 1965, no Grande Prémio do México, na pista permanente na Cidade Desportiva Magdalena Mixhuca (em 1973, este circuito foi rebatizado Autódromo Hermanos Rodríguez), com o RA272 substituto do RA271 e o piloto norte-americano Richie Ginther.
Este fim de semana, nos EUA, para assinalar as 500 participações, os Aston Martin de Alonso e do canadiano Lance Stroll apresentam-se decorados com logótipos “Honda500” e todos os engenheiros da Honda Racing em atividade no circuito texano têm equipamentos comemorativos de marco tão importante.

Três vitórias como construtor
A primeira passagem da Honda pelo Mundial de Fórmula 1 aconteceu entre 1964 e 1968. Neste período, a marca concebia tanto o chassis com o motor. Depois do triunfo de Ginther no México, o britânico John Surtees, no RA300, ganhou o Grande Prémio de Itália de 1967.
Depois de muitos anos de ausência, regresso como equipa oficial em 2006, após a compra da BAR. Esta etapa prolongou-se até ao final do campeonato de 2008. Outro britânico, Jenson Button, com o RA106, ganhou o Grande Prémio da Hungria de 2006, conseguindo a terceira e última vitória da Honda como construtor na Fórmula 1.
No total, nesta condição, a Honda participou em 88 corridas, distribuídas por oito temporadas, somando três vitórias, duas “poles”, duas voltas mais rápidas e nove pódios. Como melhor resultado no Mundial de Construtores, dois quartos lugares, alcançados em 1967 e 2006. Em 1967, Surtees também acabou o Mundial de Pilotos em quarto.
Sucessos com Williams e McLaren
Muito mais extensa – e bem-sucedida! – é a história da Honda como fabricante e fornecedora de motores, primeiro, e unidades de potência. A adoção da segunda designação coincidiu com a introdução da tecnologia híbrida (a primeira fase teve início em 2009, com o KERS, a segunda em 2014, com os V6 1.6 Turbo apoiados pelos sistemas de recuperação de energia MGU-K e MGU-H, e a terceira registou-se no início desta temporada, com a componente elétrica a ganhar muito mais peso, com o aumento da potência do MGU-K e o fim do MGU-H).
O regresso em 1983 coincidiu com o período de maior sucesso da marca na Fórmula 1. A parceria com a escuderia britânica Williams permitiu a conquista do Mundial de Construtores em 1986. Na época seguinte, a marca japonesa ganhou os campeonatos de Pilotos e Construtores – o primeiro com o brasileiro Nelson Piquet. Seguiu-se a associação à McLaren, a escuderia que dominou a Fórmula 1 de 1988 a 1991. Neste período, os motores Honda contribuíram para quatro títulos consecutivos de Construtores e para as vitórias de Ayrton Senna nas temporadas de 1988, 1990 e 1991 – de permeio, Alain Prost campeão em 1989.

Considerando as diferentes eras técnicas da Fórmula 1, os motores e unidades de potência da Honda conquistaram 89 vitórias, 90 “poles”, 76 voltas mais rápidas e 223 pódios na Fórmula 1. A marca nipónica, na condição de fornecedora, festejou seis títulos de Construtores, de 1986 a 1991, e esteve associada diretamente a seis de Pilotos, com Piquet, Senna, Prost e Max Verstappen (2021).
A Honda, desde a estreia no Mundial de Fórmula 1, forneceu motores ou unidades de potência a 13 construtores e 47 pilotos, considerando-se as diversas gerações técnicas com que trabalhou, dos motores atmosféricos e turbo das décadas de 1980 e 1990 às atuais unidades híbridas.

Indianápolis-2005: a “dúvida”
A contagem de 500 grandes prémios na Fórmula 1 é da própria Honda e considera uma participação que não corresponde a uma presença efetiva, a razão por detrás de algumas dúvidas estatísticas! Em 2005, em Indianápolis, Grande Prémio dos EUA (muito) polémico. Nesse fim de semana, problemas com os pneus Michelin fizeram com que os monolugares de sete escuderias cumprissem apenas a volta de formação, entrassem nas boxes e não estivessem numa grelha de partida que teve só seis carros. Entre as ausentes encontrava-se a BAR-Honda de Jenson Button e Takuma Kato, pilotos que tinham conseguido qualificar-se em terceiro e oitavo, respetivamente.
Então, apenas os monolugares com pneus da Bridgestone participaram no grande prémio (seis de três equipas). Venceu o alemão Michael Schumacher, da Ferrari, à frente do brasileiro Rubens Barrichello, o companheiro de equipa, enquanto Tiago Monteiro, da Jordan-Toyota, acabou na terceira posição – único pódio de um piloto português na história da Fórmula 1 (e foi também o 19.º e último de escuderia que sairia de cena no fim desse ano, depois de 15 épocas consecutivas na categoria)!
As “dúvidas” estatísticas devem-se a este episódio. Indianápolis-2005 é registada pela própria Honda como participação efetiva, por estar inscrita no grande prémio, mas diversas bases de dados consideram só as partidas realizadas. E, assim, para as segundas, em Austin, os japoneses somam “apenas” a 499.ª corrida na Fórmula 1.
Toro Rosso antes da Red Bull
A Honda, depois deste caso, manteve-se na categoria como construtor entre 2006 e 2008, mas a ausência de resultados originou nova saída de cena. Em 2015, já na era híbrida da Fórmula 1, regresso ao campeonato, outra vez com a McLaren como parceira. O “casamento” acabou em “divórcio” após três temporadas foram muito difíceis. Em 2018, a marca nipónica associou-se à Toro Rosso e, no ano seguinte, o fornecimento de unidades de potência estendeu-se à “casa-mãe” da escuderia de Faenza, Itália, a Red Bull.
A associação à equipa austríaca proporcionou o regresso às vitórias e aos títulos – a marca retirar-se-ia da categoria no fim da temporada de 2021, o ano do primeiro título mundial do neerlandês Max Verstappen. Todavia, através da Honda Racing Corporation, manteve-se a relação técnica com a Red Bull Powertrains. Durante os quatro anos da associação, ganharam-se mais dois Mundiais de Construtores (2022 e 2023) e três de Pilotos (2022, 2023 e 2024).

Nova era com Aston Martin
Este ano, mais uma etapa nova na Fórmula 1, agora com a Aston Martin como parceira. A Honda, de acordo com o regulamento técnico adotado para 2026, desenvolveu a unidade de potência RA626H montada nos AMR26 de Fernando Alonso e Lance Stroll. Até ao momento, os resultados são dececionantes, mas a marca japonesa não desiste facilmente!...
“Estamos na Fórmula 1 desde 1964. Tivemos contratempos, momentos de triunfo e, este ano, estamos confrontados com mais um desafio”, reconhece Koji Watanabe, o homem-forte da Honda Racing Corporation, depois de destacar a dimensão histórica das 500 participações em corridas na categoria de topo do desporto automóvel.






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