MINI Countryman SE ALL4
- Pedro Junceiro

- há 3 dias
- 5 min de leitura
Este Countryman SE ALL4 representa mais um passo na transição elétrica da Mini, combinando tração integral, 313 cv e a promessa de preservar a matriz muito dinâmica da marca britânica propriedade do Grupo BMW. Num segmento cada vez mais competitivo, este Sport Utility Vehicle (SUV) compacto, para conseguir impor-se, aposta, sobretudo, na diferenciação estética e na dinâmica da condução.

A Mini, num aparente paradoxo face às origens minimalistas da marca, reforçou, nos últimos anos, a aposta em automóveis de maiores dimensões, respondendo, assim, às exigências contemporâneas do mercado. O Countryman, agora na terceira geração, materializa esse posicionamento ao assumir-se como o maior Mini alguma vez produzido. Apesar de alguma resistência entre os adeptos mais puristas do fabricante britânico, a estratégia tem respaldo comercial evidente: em 2025, o modelo liderou as vendas globais da marca, com 93.305 unidades matriculadas, o que representou 32,4% do volume total do construtor.
Paralelamente, a eletrificação continua a consolidar-se como um dos pilares estratégicos da Mini. No topo da gama Countryman surge este SE ALL4, a proposta elétrica de maior desempenho, aqui ensaiada na especificação John Cooper Works (52.480 €), que reforça a vertente desportiva através de uma abordagem estética e dinâmica mais vincada.

Exterior e interior recebem diversos elementos distintivos, como a grelha dianteira de desenho específico, identificação JCW, pinças de travão em antracite escuro, forro do tejadilho em antracite e volante desportivo em pele perfurada. A identidade cromática em preto e vermelho prolonga-se pelo painel de bordo e pelos painéis das portas, sendo complementada por bancos dianteiros desportivos JCW com revestimento Vescin/Tecido.
O habitáculo evidencia elevados padrões de construção e qualidade percecionada, combinando ambiente desportivo com soluções práticas. Os múltiplos espaços de arrumação — incluindo um compartimento fechado entre os bancos dianteiros — reforçam a vertente funcional. A utilização de superfícies têxteis no painel de bordo, portas e consola central constitui outro elemento distintivo da atual linguagem estética da Mini, contribuindo para um ambiente contemporâneo, enriquecido pela iluminação ambiente configurável.

Espaço e digitalização
Com 4.445 m de comprimento e 1.635 m de altura, o novo Countryman amplia, substancialmente, a vertente familiar da marca. Nos lugares traseiros, os progressos no espaço para as pernas e em altura é particularmente evidente, o que permite acomodar dois adultos com elevado nível de conforto. A largura interior continua, contudo, a limitar a utilização plena do banco traseiro por três ocupantes adultos. A bagageira tem 460 litros de capacidade, valor competitivo dentro do segmento e adequado à vocação multifuncional do Mini.
O protagonismo tecnológico é assumido pelo ecrã OLED circular de 240 mm, elemento central da arquitetura interior e principal interface de interação com o carro. Para além das funções associados ao programa multimédia, este sistema agrega praticamente todas as configurações operacionais, permitindo acesso a um ecossistema alargado de aplicações.
A organização gráfica privilegia a legibilidade das informações de condução, posicionadas na zona superior do ecrã, enquanto a área inferior disponibiliza atalhos para funções prioritárias. Menos consensual é a integração do controlo da climatização no mesmo módulo, solução que penaliza a ergonomia durante a condução. A adaptação do Android Auto e do Apple CarPlay ao formato circular resulta, também, numa apresentação visual menos bem conseguida. Em contrapartida, a rapidez de processamento é exemplar.
A Mini preserva ainda algum vínculo emocional às suas origens através da presença de interruptores físicos inspirados nos carros clássicos da marca, responsáveis por funções como a ignição ou a seleção dos modos de condução. Opcionalmente, o Head-Up Display integrado no Pacote XL projeta as informações essenciais diretamente no campo de visão do condutor, reforçando a componente tecnológica.

Dinâmica: ADN preservado
O SE ALL4 demonstra que a eletrificação não compromete a essência dinâmica da Mini. A arquitetura de dois motores elétricos (um por eixo) garante tração integral e uma potência combinada de 306 cv, acompanhada por 494 Nm. A função Boost permite elevar temporariamente a potência para 313 cv (fá-lo apenas durante 10 segundos), sendo particularmente útil em situações de ultrapassagem ou condução mais exigente.
O modo Go-Kart constitui a expressão mais fiel da filosofia dinâmica da marca britânica, por intensificar a resposta ao pedal do acelerador e privilegiando uma entrega de potência mais imediata, acompanhada por grafismos específicos que monitorizam parâmetros como potência, binário e forças G.
Apesar de uma massa próxima das duas toneladas, o Countryman revela um comportamento extremamente competente. A suspensão com regulação firme, aliada a uma direção precisa e a um sistema de travagem eficaz, favorece a estabilidade em apoio e a rapidez nas mudanças de trajetória. Essa afinação, contudo, reflete uma clara prioridade atribuída à agilidade, penalizando o conforto sobre pisos degradados, um efeito amplificado pelas jantes de 20’’, que também impactam a autonomia de forma negativa, reduzindo-a de até 432 km (19’’) para até 406 km, de acordo com a homologação europeia WLTP.

Os bancos dianteiros desportivos JCW oferecem um excelente suporte lateral, contribuindo, nomeadamente, para uma posição de condução muito envolvente. Ainda assim, utilizadores que privilegiem níveis elevados de conforto encontram alternativas mais equilibradas neste segmento.
No extremo oposto, o modo Green otimiza a eficiência energética, suavizando a resposta do acelerador e promovendo uma condução mais progressiva sem comprometer a versatilidade de utilização. Este modelo também dispõe de um modo dedicado à condução fora de estrada, que ajusta a gestão da potência e melhora a motricidade em superfícies menos aderentes.
Durante este ensaio, num percurso de 100 km cumprido com o mesmo programa e o nível máximo de regeneração de energia durante as desacelerações e travagens, o consumo registado foi de 16,8 kWh/100 km, valor que permite autonomias reais próximas dos 400 km, de acordo com o anunciado pela marca.

Personalização e posicionamento “premium”
À semelhança de muitos outros automóveis do universo BMW, o Countryman aposta fortemente na personalização com recurso a opcionais. Às jantes Flag bicolores de 20’’ (590 €) juntam-se o teto panorâmico (690 €) e o Pacote XL (5390 €), que inclui equipamentos como bancos dianteiros aquecidos e com regulações elétricas, navegação com realidade aumentada e sistema de som Harman Kardon, entre outros conteúdos disponibilizados só em combinação com outros equipamentos.
A unidade ensaiada aproxima-se, assim, dos 60.000 €, o que é compatível com a proposta de posicionamento “premium” e com o forte carácter identitário da Mini, aqui reinterpretado à luz das exigências atuais. No Countryman SE ALL4, a eletrificação não dilui essa identidade; pelo contrário, reforça a entrega imediata de desempenho e a sensação de condução dinâmica. Enquanto proposta familiar, a firmeza da suspensão poderá representar um ponto menos favorável, ainda que coerente com a tradição dinâmica da Mini. Tudo somado, este SUV compacto confirma-se como uma interpretação moderna e tecnologicamente evoluída do conceito da marca, mantendo intacta a irreverência estilística e comportamental que continua a diferenciá-la no panorama automóvel.
































Comentários