Suzuki Swift 1.2 CVT MHEV S3
- Pedro Junceiro

- há 2 dias
- 5 min de leitura
Automóvel estruturante na estratégia global da Suzuki, o Swift ultrapassou a marca das 10 milhões de unidades vendidas em cerca de duas décadas de história. A geração nova, a quarta desde 2004, mantém a fórmula de sempre: dimensões compactas, eficiência e racionalidade. Agora, soma-lhe o sistema “mild hybrid” de 12 V e a caixa CVT, combinação que privilegia a moderação nos consumos (e nas emissões de CO2) e a facilidade de utilização em ambientes urbanos.

O Swift, automóvel que compete no mercado global apenas desde 2004, tornou-se rapidamente numa das principais referências da Suzuki, marca que terminou 2025 na segunda posição entre os fabricantes nipónicos no mercado doméstico, apenas atrás da Toyota, e na terceira em todo o mundo, superando-a apenas o maior fabricante mundial e a Honda! A receita sempre assentou em princípios intemporais: baixo peso, eficiência mecânica, bom aproveitamento do espaço e comportamento dinâmico equilibrado. Agora, propõe-se uma evolução da fórmula de sucesso, mas sem quaisquer ruturas conceptuais.
Do ponto de vista estético, as alterações, mesmo se moderadas, são suficientes para conferir maior modernidade ao subcompacto concorrente no segmento B. A dianteira apresenta grelha redesenhada e grupos óticos mais atuais, enquanto a traseira recebe uma atualização de pormenor. A silhueta mantém-se imediatamente reconhecível, o que faz com que este carro possa passar despercebida aos olhares menos atentos. E as dimensões também mudaram pouco. O comprimento ganha 1,5 cm, fixando-se nos 3,86 m, enquanto a distância entre eixos permanece nos 2,45 m — indicador da continuidade estrutural.

Espaço a bordo bem gerido
O Swift, apesar das dimensões exteriores muito compactas, continua a destacar-se pelo aproveitamento inteligente do espaço interior. A habitabilidade é uma das virtudes maiores do Suzuki: quatro adultos viajam com conforto assinalável, sobretudo nos lugares traseiros, onde o espaço em comprimento e altura supera, claramente, as expectativas do segmento B, que são sempre moderadas. Já a bagageira tem apenas 265 litros de capacidade, valor adequado a uma utilização quotidiana, mas limitado para viagens maiores e na companhia da família.
O habitáculo foi profundamente revisto face à geração anterior. O ecrã tátil central de 9’’ apresenta-se agora numa posição sobrelevada que melhora a ergonomia e a visibilidade. O sistema multimédia ganhou funcionalidades, passando a oferecer compatibilidade sem fios com Apple CarPlay e Android Auto, além de integração com a Suzuki Connect, a aplicação que permite consultar remotamente informações como a localização e o estado geral do carro ou eventuais luzes deixadas acesas. Contudo, a rapidez de processamento e a sofisticação gráfica permanecem aquém do que existe de melhor nesta categoria.

A qualidade de montagem é sólida, coerente com a reputação da marca japonesa. O recurso exclusivo a plásticos rígidos no painel de bordo e nas portas evidencia uma abordagem pragmática, orientada para a durabilidade e a moderação nos custos de produção. Elementos decorativos em tom cinza, incluindo superfícies texturizadas, procuram introduzir algum contraste visual.
A instrumentação combina dois mostradores analógicos com um ecrã TFT central multifunções, que disponibiliza informação detalhada sobre consumos, fluxos de energia do sistema “mild hybrid”, forças G e análises de acelerações e travagens. A navegação entre menus pode ser feita através de comandos no volante ou por um botão integrado no próprio painel, solução redundante, sim, mas funcional. Nota positiva para a manutenção de comandos físicos dedicados à climatização, opção cada vez menos comum e que reforça a facilidade de utilização no quotidiano.

Leveza como argumento técnico
O Swift mantém uma filosofia mecânica simples, o que é coerente com o seu posicionamento comercial. O motor atmosférico de 3 cilindros e 1,2 litros debita 81 cv e 109 Nm. À primeira vista, estes valores são muito modestos, mas o baixo peso (desde 957 kg) altera substancialmente a perceção dinâmica.
Associado a caixa de variação contínua, a mecânica, embora pequena na capacidade e na potência, revela-se particularmente adequada às exigências e necessidades dos contextos urbanos. A resposta é pronta em arranques e a progressividade da transmissão favorece uma condução suave no “pára-arranca”. Em estrada, o conjunto também supera as expectativas, com acelerações progressivas e desempenho mais do que suficiente (para um segmento B). Esta versão cumpre o arranque 0-100 km/h em 11,9 s, superando inclusive o registo da versão equipada com caixa manual (12,5 s).
O sistema “mild hybrid” de 12 V, também modesto nos números (a “assistência é de apenas 3 cv/2,3 kW e 60 Nm), desempenha um papel relevante na suavização da operação da caixa CVT e no reforço da disponibilidade da mecânica nos baixos regimes. A pequena bateria de iões de lítio recupera energia nas desacelerações e travagens, sendo percetível o efeito de retenção sempre que reduzimos a pressão no pedal do acelerador.
A eficiência constitui um dos pontos fortes da motorização MEHV do Swfit. A gestão da caixa CVT, que procura manter o motor em regimes ótimos de funcionamento, contribui decisivamente para consumos reduzidos. Durante este teste, registámos média de 4,5 l/100 km, o que pressupõe facilidade na obtenção de valores inferiores a 5 l/100 km numa utilização quotidiana — números que se aproximam dos de alguns híbridos com tecnologia HEV, mas sem a complexidade técnica acrescida destes sistemas que permitem circular muito mais tempo de forma 100% elétrica.
Menos positiva é a sonoridade sob carga. Nas acelerações mais vigorosas, a subida de regime típica das CVT torna o motor mais audível e algo ríspido, chegando temporariamente às 4500 rpm até estabilizar na velocidade pretendida. As patilhas no volante (de série no nível S3) simulam sete relações fixas, mas esta solução tem um impacto prático reduzido na dinâmica.
Equilíbrio acima de tudo
Em termos dinâmicos, o Swift privilegia claramente o conforto. A suspensão apresenta amortecimento suave, absorvendo eficazmente as irregularidades no piso comuns em ambientes urbanos, sem comprometer o controlo da carroçaria. A sensação é a de um chassis competente, capaz de lidar com mais potência do que aquela que este motor disponibiliza. A direção é leve, adequada à condução em cidade, e a visibilidade geral favorece tanto as manobras, como a circulação nos meios urbanos.
O posicionamento do Swift é assumidamente racional. A opção pela caixa CVT — cerca de 1500 € acima da versão com caixa manual — reforça essa vocação prática, acrescentando conforto e contribuindo para consumos particularmente competitivos. Na versão S3, a mais equipada, a unidade ensaiada apresenta um preço de 24.490 €, valor justo, considerando-se todo o equipamento disponibilizado e esta proposta de produto.
Sem recorrer a exuberâncias estéticas ou técnicas, o Swift reafirma-se como um dos utilitários mais equilibrados do segmento B. A combinação de leveza, eficiência, espaço bem gerido e facilidade de condução demonstra que a Suzuki continua fiel a uma filosofia pragmática — e que, mesmo num mercado cada vez mais complexo, existe espaço para soluções simples bem executadas.


































Comentários