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BMW "risca" Série 2 Active Tourer

há 39 minutos
3 min de leitura

BMW anunciou uma profunda reorganização destinada a recuperar os níveis de rentabilidade. A marca também anunciou o que o Série 2 Active Tourer não contará com um sucessor e que prepara um novo compacto elétrico com tecnologia Neue Klasse, modelo que pretende produzir a partir de 2028. O consórcio alemão pretende reduzir em 20% as estruturas de gestão e acelerar a utilização de Inteligência Artificial.



O plano apresentado no Capital Market Day 2026 fixa como objetivo intermédio uma margem EBIT entre 3% e 5% no negócio automóvel em 2028, antes do regresso ao intervalo de 8% a 10% no início da próxima década. Para lá das metas financeiras, a BMW definiu alterações concretas na gama, na produção, na organização interna e nos processos de desenvolvimento.


Uma das consequências diretas do plano é a redução do número de versões e automóveis na gama. A BMW confirmou já que o Série 2 Active Tourer não terá sucessor, embora não tenha identificado todos os automóveis que sairão do catálogo durante este processo de racionalização. Em sentido contrário, a marca prepara a entrada noutros segmentos considerados prioritários. Na Europa, em 2028, novo modelo 100% elétrico na base na gama, desenvolvido com tecnologias da Neue Klasse.



A marca não revelou nome, características técnicas ou posicionamento do carro, mas confirmou que se destinará, prioritariamente, ao ao mercado europeu. Será mais um passo na extensão das tecnologias da Neue Klasse a diferentes segmentos, depois da estreia no iX3 e da sua aplicação progressiva a modelos como o novo i3, X5 e Série 7.


Para os EUA, estratégia diferente. A BMW estuda a introdução de um novo Sport Activity Vehicle (SAV) para posicionar acima do X7, desenvolvido de forma mais específica para as preferências do mercado norte-americano. A elevada procura por modelos da família X mantém a fábrica de Spartanburg, na Carolina do Sul, EUA, a trabalhar no limite da capacidade, levando o construtor a estudar uma maior regionalização da produção destes automóveis.


Também no topo da gama, novidades. Em 2027, introdução no mercado do primeiro BMW ALPINA desde que a marca passou a integrar plenamente o grupo. A novidade é inspirada no Série 7 e pretende ocupar um espaço intermédio entre a BMW e a Rolls-Royce, aumentando a presença do construtor nos segmentos que garantem maiores margens de lucro.



China com até 95% de produção local

A regionalização será muito importante na China. A BMW pretende aumentar a produção local nos segmentos de maior volume com a chegada dos automóveis Neue Klasse, limitando as importações, progressivamente, aos automóveis com maiores margens. Até 2030, pelo menos 95% dos veículos destinados ao maior mercado mundial deverão ser produzidos localmente e desenvolvidos tendo em conta as preferências específicas dos clientes daquele país. E o grupo admite exportar carros fabricados na China para outros mercados do Sudeste Asiático.


A reorganização não se limita aos automóveis. Até meados de 2027, o Grupo BMW Group pretende reduzir em 20% o número de divisões e respetivos cargos de gestão, acompanhando esta alteração com uma redução semelhante nos níveis organizacionais inferiores. Está em curso um programa de reestruturação da força de trabalho, que inclui saídas voluntárias e simplificação de processos internos.



IA para acelerar desenvolvimento e reduzir custos

A Inteligência Artificial (IA) desempenhará um papel central neste processo. O grupo pretende alargar a utilização de agentes de IA ao desenvolvimento, compras, produção, vendas, marketing e pós-venda, automatizando tarefas rotineiras, acelerando decisões e reduzindo os tempos necessários para desenvolver novos automóveis.


Na engenharia, a BMW está já a trabalhar com a Mistral AI na utilização de modelos especializados em simulações de colisão. O objetivo passa por integrar progressivamente agentes digitais em todo o processo de desenvolvimento, da definição dos requisitos técnicos aos testes e homologação, mantendo a validação final sob responsabilidade dos engenheiros.


A marca pretende recorrer a modelos de IA treinados especificamente com dados de engenharia e simulação industrial, concentrando recursos humanos nas áreas em que considera existir maior diferenciação tecnológica e de produto. A evolução conduzirá ainda ao conceito de “AI-defined vehicle”, que sucede à atual geração de automóveis definidos por “software”. A arquitetura eletrónica introduzida pela Neue Klasse será transversal à gama e permitirá uma integração crescente entre assistência à condução, infoentretenimento e restantes sistemas do automóvel.

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