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Carregadores não acompanham utilização dos elétricos

há 38 minutos
4 min de leitura

A utilização das redes de carregamento de automóveis elétricos está a aumentar muito mais depressa do que a infraestrutura disponível. Segundo a ChargePoint, empresa norte-americana especializada em carregadores, “software” de gestão e serviços de acesso e “roaming” para redes de carregamento na América do Norte e Europa, registou-se um crescimento de 34% no número de sessões realizadas através da sua plataforma no último ano, enquanto a quantidade de novos pontos progrediu apenas 16%.


Fotos: ChargePoint
Fotos: ChargePoint

Criada em 2007, a empresa fornece tecnologia e serviços a operadores, empresas, frotas, edifícios residenciais e espaços comerciais, não funcionando como proprietária dos postos. Na Europa, esta plataforma permite utilizar carregadores de diversos operadores através de acordos de “roaming”, condição que lhe proporciona uma visão muito abrangente sobre a evolução da procura.


A diferença entre utilização e expansão da infraestrutura preocupa cada vez mais as empresas do setor e os analistas, uma vez que a próxima fase de crescimento do automóvel elétrico deverá trazer para o mercado mais clientes sem garagem ou lugar de estacionamento próprio. Ou seja, utilizadores muito mais dependentes de carregamento público, no trabalho ou em espaços comerciais.


Rick Wilmer, diretor da ChargePoint, considera que a infraestrutura não está a acompanhar o aumento da procura de automóveis elétricos. A empresa aproxima-se dos 500 milhões de sessões realizadas através das redes ligadas à sua plataforma e diz que chegar à marca de 1000 milhões é apenas uma questão de tempo.



Não basta instalar mais postos…

Para a ChargePoint, o problema não se resume, no entanto, ao número absoluto de carregadores. Com automóveis capazes de aceitar potências mais elevadas e postos cada vez mais rápidos, cada conector pode servir mais carros por dia. Isso significa que o crescimento da infraestrutura não necessita de acompanhar, ponto por ponto, o aumento do parque circulante.


Ainda assim, Pedro Pacheco, vice-presidente de investigação da Gartner, alerta para outra dificuldade: diversos mercados europeus aproximam-se de níveis de quota de automóveis elétricos em que uma percentagem crescente dos novos utilizadores não dispõe de carregamento doméstico.


Se estas alternativas não aumentarem, a disponibilidade de carregamento poderá transformar-se num dos principais obstáculos à expansão do automóvel elétrico.

Neste cenário, o carregamento no local de trabalho assume particular importância. E, segundo o analista, apresenta-se muito subdesenvolvido. O mesmo acontece com os pontos instalados em supermercados, centros comerciais e outros espaços de permanência prolongada.



Corrente alternada fundamental

Apesar da importância dos carregadores ultrarrápidos (corrente contínua, ou DC), a ChargePoint afirma que os sistemas AC (corrente alternada) são ainda a espinha dorsal da infraestrutura. São muito mais baratos de instalar e adequam-se melhor a casas, empresas, hotéis, parques de estacionamento e comércio, espaços onde os carros permanecem estacionados durante períodos mais longos.


Os sistemas AC (corrente alternada) são ainda a espinha dorsal da infraestrutura.

Recentemente, a empresa aumentou a potência máxima da nova arquitetura Flex de 12 kW para 19,2 kW, para também diminuir os tempos de permanência nestes carregadores. Na corrente contínua, a evolução é muito mais rápida. A indústria aproxima-se rapidamente de tempos comparáveis aos dos abastecimentos com combustível dos automóveis com motores de combustão.


Na Europa, a ChargePoint, com a Eaton, está a preparar uma arquitetura capaz de fornecer até 600 kW a automóveis ligeiros, acima dos cerca de 350 kW que ainda representa a referência nas redes ultrarrápidas. O aumento das propostas de 800 V explica esta evolução.



Segundo os números da empresa, os automóveis com sistemas elétricos de 800 V representaram 13% das vendas de elétricos novos no Reino Unido e Alemanha em 2025, contra apenas 5% em 2024. No início do ano, mais de metade dos carregadores ultrarrápidos disponíveis mos dois países já permitiam aproveitar as vantagens desta tecnologia.


6,6 milhões passam a 23 milhões

E as necessidades não param de aumentar. A ChargePoint aponta para um crescimento do número global de pontos de carregamento de 6,6 milhões em 2025 para quase 23 milhões em 2040. No entanto, a procura de eletricidade pode evoluir ainda mais depressa do que o número de automóveis, com o aparecimento de frotas autónomas utilizadas quase em permanência. A empresa projeta cerca de oito milhões de robotáxis na América do Norte em 2040, que podem representar mais de 35% da eletricidade consumida pelos automóveis elétricos naquela região e mais de 10% na Europa.


Estas frotas pressupõem a disponibilidade de infraestruturas muito diferentes das utilizadas por particulares: elevada potência, grande disponibilidade e localização em pontos capazes de suportar operações quase contínuas.



Carro também pode alimentar rede

Outra tendência identificada é o carregamento bidirecional. As tecnologias V2G e V2H permitem utilizar a bateria do automóvel para devolver eletricidade à rede durante os períodos de maior procura ou alimentar uma habitação. E o aumento do número de carregadores está a criar outros problemas. O aumento dos furtos de cabos, por exemplo, fez com que a ChargePoint investisse no desenvolvimento de cabos resistentes ao corte, o que dificulta o roubo de cobre sem comprometer a flexibilidade necessária durante a utilização.


E a ChargePoint conclui: tornar os automóveis elétricos mais baratos é decisivo para aumentar as vendas, mas não chega! A disponibilidade de carregamento onde os utilizadores vivem, trabalham e fazem compras apresenta-se como determinante para o sucesso da próxima fase da eletrificação.

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