China recolhe 4,3 milhões de carros!
- José Caetano

- há 9 horas
- 3 min de leitura
Tesla, Xiaomi, Leapmotor, XPENG e Geely encontram-se entre os fabricantes abrangidos por uma operação de recolha na China. Esta ação sem precedentes obriga à revisão de cerca de 4,3 milhões de automóveis, a maioria devido aos riscos associados aos sistemas de abertura de emergência das portas, numa altura em que Pequim prepara regras mais exigentes para os puxadores ocultos, proibindo-os nos carros novos a partir do próximo ano.

Esta ação é a maior do género alguma vez realizada no mercado chinês e surge num momento em que as autoridades do país estão a intensificar a fiscalização dos puxadores de portas elétricos, solução muito comum em carros elétricos. A Tesla, marca norte-americana com operações industriais no maior mercado automóvel mundial, é a marca mais penalizada por esta operação.
Ação abrange quase três milhões de Tesla
De acordo com números da Administração Estatal para a Regulação do Mercado da China (SAMR), a fabricante norte-americana tem de recolher nada menos do que 2.975.910 automóveis, entre unidades produzidas no país e importadas: 973.156 Model 3 fabricados no país asiático de março de 2019 a abril de 2026 e 1.956.713 Model Y feitos de entre novembro de 2020 a abril de 2026. Somam-se
35.590 Model 3, 8328 Model X e 2123 Model S importados, o que eleva o total de viaturas abrangidas para perto de três milhões!

De acordo com o regulador chinês, que é citado por diversas agências de notícias, o problema reside no facto de os puxadores mecânicos de emergência no interior dos automóveis serem difíceis de identificar e utilizar, por apresentarem uma cor semelhante à dos demais revestimentos do habitáculo. E, assim, em situações extremas, como uma colisão grave que provoque a falha do sistema elétrico de baixa tensão, mais dificuldades na abertura rápida das portas pelos ocupantes ou problemas no acesso ao interior pelas equipas de socorro.
A Tesla, para corrigir o problema, tem de aplicar, gratuitamente, sinalética de aviso em todos os carros abrangidos pela recolha e atualizar, através de “software” OTA (over-the-air), o sistema que controla o funcionamento dos vidros. A reprogramação do sistema introduzirá um mecanismo de descida automática dos vidros após um acidente, reduzindo os riscos numa emergência.

Puxadores dissimulados debaixo de olho
Esta recolha acontece poucos meses depois de a China ter anunciado medidas para restringir os puxadores dissimulados nas portas, uma solução com impacto positivo na aerodinâmica (item com influência direta na eficiência energética e, consequentemente, na autonomia). Esta fórmula foi popularizada pela Tesla e adotada por numerosos fabricantes chineses.
As autoridades chinesas têm vindo a aumentar o escrutínio dos sistemas depois de acidentes rodoviários nos quais a perda de alimentação elétrica, segundo os peritos que investigaram estes episódios, ter dificultado a abertura das portas, o que aumentou o risco de os ocupantes permanecerem presos no interior dos carros.
E, assim, já a partir de 2027, a China deverá proibir determinadas configurações de puxadores nos automóveis novos, impondo o recurso a soluções que garantam um acesso muito mais fácil, fiável e intuitivo aos mecanismos de abertura durante emergências.

Mais marcas afetadas pela operação de recolha
A Tesla não é a única fabricante afetada por esta decisão. Xiaomi, Leapmotor, XPENG e diversas marcas do consórcio Geely, entre outros fabricantes, anunciaram recolhas relacionadas com os mecanismos de emergência das portas.
A Xiaomi, por exemplo, prepara-se para reparar mais de 390.000 carros, enquanto a Leapmotor anunciou intervenções corretivas em cerca de 370.000. A lista publicada pelo regulador chinês também inclui automóveis da XPENG, Zeekr e Chery. No caso da Zeekr, marca propriedade da Geely, a recolha abrange 92.658 unidades do 007 e do X. Também neste caso, a SAMR refere que o comando mecânico de emergência apresenta uma cor próxima da utilizada nos revestimentos interiores, o que dificulta a identificação. E a solução passa pela aplicação de sinalética adicional e por uma atualização OTA destinada a permitir a abertura dos vidros após uma colisão grave.

Outros fabricantes estão a aplicar medidas semelhantes, que variam entre atualizações de “software”, colocação de etiquetas e inscrições mais visíveis e alterações nos próprios mecanismos de abertura das portas.
Segundo a Imprensa oficial chinesa, a mensagem das autoridades é clara: numa indústria que continua a evoluir a um ritmo extremamente elevado, a competição entre marcas não deverá ser medida só pela velocidade da inovação tecnológica, mas também pela capacidade de garantir níveis elevados de segurança.
Os reguladores dos EUA e da Europa também estão a analisar os riscos associados a este tipo de solução, sobretudo quando a abertura convencional das portas depende da alimentação elétrica do automóvel.






.png)
Comentários