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Citroën C3 Aircross Hybrid 145 Max

Maior, mais maduro e com opção invulgar de sete lugares num modelo de segmento B-SUV, o Citroën C3 Aircross aposta na versatilidade interior e no conforto em viagem para se destacar face à concorrência. A versão híbrida de 145 cv, a mais potente da gama, promete a liberdade de um motor térmico com a poupança da eletrificação, podendo vir a ser a solução ideal para quem faz viagens mais longas.



Sendo dos motores do crescimento da Citroën na Europa (+12,3% de vendas no primeiro trimestre de 2026), o C3 Aircross reafirma a aposta da marca francesa em automóveis descomplicados, focados no conforto e na facilidade de utilização. Essa faceta prática reflete-se, de forma muito evidente, na configuração possível de sete lugares, argumento quase exclusivo no segmento B-SUV. Aliás, o único rival nesse aspeto é o Opel Frontera, modelo também do Grupo Stellantis, com o qual partilha a base tecnológica e diversos componentes.

 

Maior e mais robusto do que a geração precedente (que conservava ainda alguns ares de monovolume), o C3 Aircross novo apresenta-se como um SUV dedicado de 4,39 metros de comprimento, situando-se na fronteira entre os segmento B e C em termos de dimensões. A consequência mais relevante do aumento das medidas é o reforço da habitabilidade, logo, oferecendo abordagem familiar mais apelativa, sobretudo porque pode agora ser configurado com dois bancos escamoteáveis na bagageira (com custo de 700€). Face à versão de cinco lugares, a segunda fila surge adiantada em 65 mm, solução encontrada pela Citroën para facilitar o acesso à terceira fila, algo que se realiza de maneira prática e fácil graças a mecanismo no banco lateral da fila intermédia (que não tem ajuste longitudinal, note-se). O espaço na segunda fila continua bastante generoso, tanto para as pernas, como em altura do assento ao tejadilho, naquele que é um predicado muito forte deste C3 Aircross.



Já o acréscimo da terceira fila, não deixando de ser aspeto positivo pela modularidade, faz-se com alguns compromissos, desde logo porque esses lugares são apenas utilizáveis por crianças (alguém com mais de 1,50 m de altura terá dificuldades para “arrumar” as pernas), enquanto a bagageira “encolhe” para meros 40 litros. Mesmo com a terceira fila rebatida, a capacidade não vai além dos 330 litros. Nota para a inclusão de tomadas USB-C também para a terceira fila.


Amplo e luminoso

Independentemente dessas questões, o habitáculo apresenta-se simples, amplo e luminoso, não só pelas dimensões generosas, mas também pela superfície vidrada existente que permite a entrada de muita luz natural. Resulta assim num ambiente agradável e acolhedor, pautado ainda pela boa impressão de construção e pela ergonomia acertada, com preponderância ainda para muitos botões físicos, como os da climatização, que são de fácil acesso durante a condução. Já a escolha dos materiais para o interior fica aquém do esperado, já que os plásticos duros predominam, sendo as poucas exceções a faixa horizontal têxtil no painel de bordo e as áreas macias nos apoios de braço nas portas.



A vertente tecnológica também está presente, embora sem a modernidade de alguns dos seus rivais. O painel de instrumentos digital, apesar de estreito, tem leitura fácil e permite alterar algumas das informações, enquanto o ecrã central tátil de 10,25 polegadas em posição elevada alberga infoentretenimento básico e sem grandes excentricidades de conteúdos, focando-se no essencial, como a conexão sem fios a Android Auto e Apple CarPlay, sistema de navegação nativo e pouco mais.


A posição de condução elevada oferece excelente visibilidade em redor do C3 Aircross, enquanto os bancos Advanced Comfort merecem elogios pelo bem-estar convidativo.



Fácil de conduzir

Já conhecida de outros modelos do Grupo Stellantis, a motorização “mild hybrid” de 48 V faz parte da estratégia de eletrificação do grupo, combinando motor 1.2 turbo tricilíndrico de 136 cv e 230 Nm de binário com um motor elétrico de 28 cv (21 kW) e 55 Nm, o qual está alojado na caixa e-DCS6 (dupla embraiagem), para um valor combinado de potência de 145 cv.

 

Sendo a versão mais potente da gama C3 Aircross, o desempenho deste híbrido “suave” é francamente positivo, valendo-se da entreajuda entre os motores térmico e elétrico para condução marcada pela sensação de ligeireza. O motor a gasolina regista entrega de potência muito linear desde baixas rotações, mas a assistência da máquina elétrica revela-se determinante para acelerações e recuperações decididas, algo a que não é alheia também a atuação correta da caixa de seis velocidades (de dupla embraiagem), que efetua uma boa leitura de cada momento de condução.



No entanto, a parte elétrica também tem papel fundamental na eficiência, uma vez que permite condução frequente em modo 100% elétrico, sobretudo em cidade, embora dependa muito da pressão no acelerador, da inclinação da estrada e da carga na bateria (0,89 kWh de capacidade bruta; 0,43 kWh úteis). Também em velocidades mais elevadas é possível circular em modo elétrico, mas apenas e só se a pressão no acelerador for leve como uma “pena” e em condições muito favoráveis.

 

Abordagem serena

Seja como for, a hibridação resulta bem e mesmo que o modo elétrico não dure distâncias muito longas, a frequência com que entra em vigor traduz-se em benefícios para os consumos, que se ficam facilmente na casa dos 5 l/100 km, como atestam os 5,6 l/100 km do percurso feito no ensaio.


Entre os pontos a melhorar estão a insonorização do habitáculo, a lentidão do seletor de condução, que impede a concretização rápida de manobras (por exemplo, inversões de marcha) e os sensores de estacionamento muito sensíveis, que intervém até em engarrafamentos.



O comportamento dinâmico segue à risca a filosofia da Citroën de automóveis primariamente orientados para o conforto, com a suspensão Advanced Comfort de série (com batentes hidráulicos progressivos) a privilegiar a comodidade dos ocupantes e a tranquilidade em viagem em detrimento da agilidade pura, sem comprometer a estabilidade e segurança em mudanças de direção. Trata-se de modelo com condução fácil e assaz satisfatória para fins familiares e urbanos, exibindo também bons predicados em viagens mais longas, mas sem o refinamento necessário para ombrear com outras propostas do segmento neste aspeto. Além disso, a direção com nível elevado de assistência reforça a lógica de uma abordagem mais serena, de manuseio fácil em circuitos urbanos, mas pouco informativa para outras exigências.

 

Proposto com lista de equipamento generosa no nível Max (jantes de 17 polegadas “Aragonite”, faróis LED, câmara traseira, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, carregador “wireless” para smartphone e sensores de chuva e de luz, entre outros), o C3 Aircross Hybrid Max tem um preço apelativo de 27.690€ (incluindo o valor da terceira fila – 700€), devendo ser proposta a considerar por aqueles que fazem do conforto, da facilidade de condução e das aptidões familiares critérios fundamentais para o dia-a-dia, sem esquecer a poupança oferecida pelo sistema “mild-hybrid”. E, se o objetivo é mesmo ter sete lugares, não há muito mais por onde escolher a preços idênticos...



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