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BMW iX5 Hydrogen: produção quase à vista

há 33 minutos
5 min de leitura

A BMW entrou numa nova fase do desenvolvimento do iX5 Hydrogen, o primeiro automóvel de produção em série da marca alemão equipado com a tecnologia de pilha de combustível (Fuel Cell ou FCEV). Os protótipos estão já a cumprir um programa intensivo de testes em condições reais e, em paralelo, a marca alemã prepara o processo de industrialização do modelo, de forma a cumprir o objetivo de arranque da produção em 2028.



O iX5 Hydrogen integra a quinta geração do X5, apresentada este ano, e terá uma autonomia na ordem dos 750 km (WLTP), antecipando-se ainda que necessite de menos de cinco minutos para reabastecer os depósitos de hidrogénio. A marca compromete-se com uma aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 5 s, registo que aproxima o desempenho do modelo das restantes versões elétricas do Sport Activity Vehicle (SAV) que fabrica em Spartanburg, na Carolina do Sul, EUA. Os valores definitivos ainda não estão disponíveis.


O novo X5 é o primeiro BMW com cinco tecnologias de propulsão na gama: mecânicas a gasolina e gasóleo com sistemas “mild hybrid” de 48 V (MHEV), motorizações híbridas Plug-In (PHEV), versões 100% elétricas (BEV) e pilha de combustível a hidrogénio (FCEV). A produção arrancou este verão, estando a chegada das primeiras versões a Portugal prevista para o final de novembro. O iX5 Hydrogen juntar-se-á à gama apenas em 2028.



750 km com 7 kg de hidrogénio

Uma das principais novidades técnicas deste iX5 é o BMW Hydrogen Flat Storage, sistema que substitui a disposição mais convencional de grandes depósitos cilíndricos por sete depósitos de alta pressão, fabricados em material compósito reforçado com fibra de carbono e instalados numa estrutura metálica.

Funcionam a 700 bar e armazenam 7 kg de hidrogénio, pelo menos.


A nova disposição ocupa um espaço equivalente ao da bateria Gen6 das versões elétricas, posicionamento que não penaliza o espaço no habitáculo e permite fabricar diferentes motorizações na mesma linha de montagem. É também uma das razões para o aumento da autonomia, prometendo-se até 750 km.


A célula de combustível produz eletricidade através da reação eletroquímica entre o hidrogénio armazenado nos depósitos e o oxigénio do ar. Essa eletricidade alimenta o sistema de propulsão, pelo que o iX5 Hydrogen é, na prática, um automóvel elétrico que produz a bordo grande parte da eletricidade de que necessita.



O sistema integra uma bateria, que é utilizada para armazenar energia e fornecer potência adicional sempre que é necessário. Durante o programa de testes em curso, a equipa de desenvolvimento da BMW trabalha, precisamente, na afinação do funcionamento conjunto de célula de combustível, motor elétrico, bateria, depósitos e Energy Master, a unidade central de gestão do sistema. A nova bateria permite ainda aumentar a capacidade de recuperação de energia.


Pela primeira vez num BMW com tecnologia FCEV, tração integral xDrive ativada de forma elétrica e sistema de controlo dinâmico Heart of Joy desenvolvido para a nova geração de automóveis elétricos da marca alemão (o fabricante de Munique estreou-o em 2025, no novo iX3).



No primeiro iX5 Hydrogen, motor elétrico traseiro com 295 kW/401 cv, alimentado por uma pilha de combustível capaz de fornecer 125 kW/170 cv e por uma bateria que podia disponibilizar até 170 kW/231 cv. Este SAV acelerava de 0 a 100 km/h em menos de 6 s e superava os 180 km/h de velocidade máxima.


Este modelo armazenava cerca de 6 kg de hidrogénio a 700 bar em dois depósitos e consumia, em média, 1,19 kg/100 km, o que permitia reivindicar uma autonomia de 504 km (nos dois casos, registos de acordo com a homologação europeia WLTP). Para o novo modelo, aponta-se para um progresso cerca de 49% entre reabastecimentos, mesmo se o combustível armazenado a bordo aumenta só cerca de 17%.


A potência do anterior iX5 Hydrogen, que era de 401 cv, não resultava da soma simples dos 170 cv da pilha de combustível e dos 231 cv da bateria. A pilha produzia eletricidade a bordo de forma contínua, enquanto a bateria funcionava como acumulador e fornecia energia adicional nas situações de maior solicitação.



Terceira geração desenvolvida com a Toyota

Esta tecnologia resulta de programa de colaboração técnica entre BMW e Toyota com mais de uma década. Na primeira geração, utilizada experimentalmente pela marca da hélice em 2014, o sistema de pilha de combustível era de origem Toyota. Na segunda, aplicada à frota piloto da geração precedente do iX5 Hydrogen, Munique desenvolveu o sistema, mas utilizaou células fornecidas pela marca japonesa.


Nesta terceira geração, destinada ao automóvel para produzir de série, BMW e Toyota passaram a desenvolver conjuntamente o sistema de propulsão. A nova solução ocupa cerca de 25% menos espaço, apresenta maior densidade de potência e combina mais eficiência e potência. A cooperação foi reforçada em 2024 com o objetivo de desenvolver esta nova geração e reduzir os custos através da partilha de componentes e das economias de escala, mas cada fabricante manteve os seus próprios modelos.



Do iX5 experimental ao BMW produzido de série

O nome iX5 Hydrogen, recorda-se, não é novo. A BMW, em 2023, produziu uma pequena frota-piloto baseada na anterior geração do X5 para testar a tecnologia numa utilização quotidiana real. Esses automóveis circularam em mais de 20 países e percorreram quase um milhão de quilómetros, enfrentando condições que foram do frio extremo aos climas tropicais, mas nunca estiveram disponíveis para venda.


O novo iX5 Hydrogen, no entanto, não é apenas um demonstrador tecnológico: a BMW prepara-se para produzi-lo de série e comercializá-lo, tornando-se, por isso, no primeiro automóvel da marca fabricado de forma massiva com esta tecnologia. A pilha de combustível é feita pela Steyr, na Áustría, numa unidade onde já estão a ser instalados bancos de ensaio e equipamentos industriais, e a decorrer a formação dos trabalhadores. Munique continuará responsável pelo desenvolvimento e montagem dos protótipos, enquanto Landshut produzirá componentes adicionais.



273 milhões de euros de apoios públicos

O projeto beneficia de financiamento público significativo. O HyPowerDrive, que abrange o sistema de propulsão e os depósitos do iX5 Hydrogen, recebeu 191 milhões de euros do executivo governamental alemão, no âmbito do programa europeu IPCEI Hy2Move, aos quais se juntam 82 milhões de euros da Baviera. No total, são 273 milhões de euros de apoios destinados ao desenvolvimento desta tecnologia.


A aposta da BMW no hidrogénio não pretende substituir o automóvel elétrico a bateria. A marca alemã apresenta-nos a pilha de combustível como uma tecnologia complementar indicada para as utilizações que exijam autonomias maiores, reabastecimentos rápidos e muita versatilidade. Todavia, o sucesso desta aposta continua dependente de obstáculo muito difícil de transpor: a disponibilidade de uma rede de abastecimento de hidrogénio suficientemente extensa. Os dois fabricantes envolvidos neste programa reconhecem essa necessidade e defendem, paralelamente ao desenvolvimento dos automóveis, a expansão da infraestrutura de abastecimento.

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