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Elétricos com muitos quilómetros reprovam menos nas inspeções

há 1 dia
3 min de leitura

Estudo britânico baseado em 47,4 milhões de inspeções periódicas obrigatórias conclui que os automóveis elétricos com quilometragens elevadas registam até menos 25% de reprovações do que os modelos a gasolina da mesma idade e com utilização equivalente. Os elétricos apresentam, contudo, mais problemas nos pneus.



A investigação realizada pela New AutoMotive, a pedido da British Vehicle Rental and Leasing Association (BVRLA), associação que representa as empresas britânicas de aluguer e locação automóvel, procurou determinar como evoluem as condições de circulação dos automóveis à medida que envelhecem e acumulam quilómetros. Para garantir a comparabilidade dos resultados, os investigadores consideraram tanto a idade como a quilometragem dos veículos, analisando inspeções MOT realizadas entre 2024 e 2026.


Nos automóveis com quilometragens entre cerca de 32.000 e 64.000 km, os resultados são quase equivalentes: 12% de reprovações nos elétricos, contra 11,7% nos veículos a gasolina. Porém, a situação altera-se à medida que os quilómetros aumentam. A partir de cerca de 96.000 km, a taxa de reprovação dos elétricos tende a estabilizar nos 16%, enquanto a dos automóveis com motores de combustão interna continua a aumentar.


Entre os veículos com três a oito anos e quilometragens acumuladas entre cerca de 145.000 e 193.000 km, apenas 16,5% dos elétricos reprovaram nas inspeções, contra 22,1% dos automóveis a gasolina. Uma diferença que corresponde a uma probabilidade de reprovação cerca de 25% inferior. Acima dos 193.000 km, a vantagem dos elétricos aumenta: a taxa de reprovação baixa para 16%, enquanto nos automóveis a gasolina sobe para 23,5%.



Elétricos com 15 anos continuam a circular

O estudo também procurou determinar se os automóveis elétricos mais antigos desaparecem das estradas britânicas mais cedo do que os carros com motores a gasolina. Para isso, os investigadores analisaram a percentagem de viaturas que regressaram para uma nova inspeção no prazo de 30 meses após a anterior. Entre os veículos com 15 anos, 94,6% dos elétricos voltaram a ser inspecionados, contra 88,1% dos automóveis a gasolina.


No entanto, os investigadores ressalvam que a ausência de uma nova inspeção não significa necessariamente que um veículo tenha sido enviado para abate, uma vez que também pode ter sido exportado ou retirado temporariamente de circulação. “Isto não é uma justificação para comprar um veículo elétrico usado sem fazer uma pesquisa prévia. Os compradores devem analisar o seu histórico, estado, pneus e bateria, tal como fariam ao examinar o motor, a caixa de velocidades e o histórico de manutenção de um automóvel a combustão”, diz Toby Poston, diretor executivo da BVRLA.


O responsável acrescentou que os dados permitem contestar a ideia de que um elétrico com 120.000 ou 160.000 km deva ser automaticamente considerado um automóvel que ultrapassou a sua vida útil.



Pneus são um dos pontos fracos

Os automóveis elétricos não conseguem resultados superiores em todos os componentes analisados. Nos pneus, por exemplo, os investigadores identificaram cerca de 1,8 vezes mais defeitos nos elétricos do que nos automóveis a gasolina. O problema revelou-se particularmente pronunciado em alguns modelos elétricos desenvolvidos a partir de plataformas concebidas, originalmente, para veículos com motores de combustão interna. Importa salientar que este resultado diz respeito ao número de defeitos detetados nas inspeções, não significando necessariamente que os pneus dos elétricos apresentem uma durabilidade 1,8 vezes inferior.


Em contrapartida, os investigadores não encontraram evidências de que o peso superior dos elétricos se traduza numa maior incidência de problemas nas suspensões. Entre os 96.000 e os 145.000 km, os veículos alimentados a bateria registaram 4,7 defeitos nas suspensões por cada 100 inspeções, contra 6,1 nos automóveis a gasolina. Já nos travões, a análise revelou uma situação particular. Graças à travagem regenerativa, os elétricos com quilometragens elevadas apresentam menos defeitos nos sistemas de travagem por fricção. Porém, os veículos elétricos mais antigos e com poucos quilómetros podem apresentar mais problemas de corrosão nos discos, precisamente devido à menor utilização dos travões convencionais.



Estado da bateria continua a ser determinante

Apesar dos resultados favoráveis aos elétricos, os investigadores sublinham que as inspeções MOT não avaliam a saúde das baterias de tração, a perda de capacidade ou o desempenho dos sistemas de carregamento. Também não permitem determinar a frequência de avarias eletrónicas, problemas de “software” ou intervenções realizadas ao abrigo da garantia.


Por este motivo, a BVRLA recomenda que a avaliação de um automóvel elétrico usado inclua sempre uma análise do estado de saúde da bateria (SoH), além das verificações habituais aos componentes mecânicos e de segurança.


A conclusão principal do estudo é particularmente relevante para o mercado de usados: uma quilometragem elevada não constitui, por si só, um indicador de que um automóvel elétrico está próximo do fim do ciclo de vida útil.

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