Ford socorre-se de simuladores virtuais
- Pedro Junceiro

- há 1 dia
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A Ford está a a reforçar a utilização de ferramentas digitais e ambientes de simulação no desenvolvimento de automóveis novos, estratégia que permite acelerar, significativamente, os tempos de teste e a integração de tecnologias avançadas, como o sistema de condução assistida BlueCruise.

Inspirando-se em metodologias utilizadas no desporto automóvel, onde a simulação desempenha um papel determinante na evolução técnica, a marca norte-americana tem vindo a transpor esse “know-how” para o desenvolvimento de carros de produção em série. O objetivo é a otimização de recursos, a diminuição dos custos logísticos e, ainda, a redução dos ciclos de desenvolvimento, mantendo, todavia, padrões elevados de validação técnica.
No centro desta abordagem está o Simulador de Desenvolvimento de Produto criado em 2020, nas instalações de Dearborn, EUA, por iniciativa de Louis Jamail, responsável pela área de dinâmica de veículos e simulação. Este ambiente totalmente virtual permite replicar uma gama muito vasta de cenários de condução, de trajetos quotidianos em autoestrada até situações limite de emergência, com recolha e análise intensiva de dados para aplicação na otimização do desempenho dinâmica do automóvel e no desenvolvimento de sistemas de assistência à condução.
A principal vantagem reside na compressão temporal dos testes: num único dia de simulação é possível realizar o equivalente a vários meses de ensaios em condições reais. Para além disso, a virtualização elimina todos os riscos associados aos ensaios físicos, reduz o desgaste de componentes mecânicos e dispensa deslocações de equipas e veículos para diferentes localizações.

Outro benefício é a capacidade de simular condições extremas de forma imediata e controlada. Cenários como frio intenso, calor extremo ou diferentes tipos de piso podem ser reproduzidos consecutivamente e sem necessidade de testes reais em diversos continentes. Este controlo absoluto das variáveis permite uma análise mais precisa do comportamento do automóvel e de todos os sistemas com que está equipado.
A fiabilidade dos resultados continua, no entanto, dependente da correlação com dados reais. Por esse motivo, a Ford valida continuamente os registos das simulações com os dos testes físicos, garantindo a consistência entre o ambiente virtual e o comportamento em estrada. Ainda assim, o simulador oferece vantagens únicas, como a possibilidade de repetir exatamente as mesmas condições dos ensaios ou criar cenários impossíveis no mundo real, como superfícies perfeitamente uniformes, para isolar e analisar parâmetros específicos da direção ou dos travões.
Atualmente, os simuladores de Dearborn, cidade na área metropolitana de Detroit, no estado do Michigan, são utilizados em todos os programas de desenvolvimento da marca, estando também a ser replicados em centros técnicos da Ford a nível global. Esta expansão visa criar um ecossistema integrado, onde dados e melhorias possam ser partilhados em tempo real.

No domínio dos Sistemas Avançados de Assistência à Condução (ADAS), estas ferramentas também têm papel central no desenvolvimento e na validação de tecnologias como o BlueCruise, por permitirem testar de forma intensiva algoritmos de condução automatizada em ambientes virtuais altamente controlados.
Para o futuro, a Ford prevê alargar as capacidades de simulação a cenários fora de estrada e integrar fornecedores externos no ecossistema digital, de forma a acelerar o desenvolvimento de tecnologias. Assim, a simulação virtual apresenta-se como estratégica para o progresso da engenharia automóvel.





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