XPENG produz primeiro Robotáxi
- José Caetano

- há 1 dia
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A XPENG, fabricante chinês especializado em automóveis elétricos criado apenas em 2014, iniciou a produção em série do primeiro Robotáxi. Fê-lo em Guangzhou, China. Este passo é decisivo para a estratégia de mobilidade autónoma da marca. Segundo a empresa, o programa de Robotaxi foi desenvolvido internamente e com recurso a plataforma e tecnologias próprias.

O projeto expressa a abordagem da XPENG à mobilidade do futuro, por combinar, numa arquitetura, engenharia automóvel, “hardware” e “software” de condução autónoma e modelos de inteligência artificial (IA). A marca prevê iniciar operações de demonstração na segunda metade do ano, de forma a preparar uma transição rápida para a comercialização do serviço.
O Robotáxi foi concebido como automóvel otimizado para o transporte autónomo de passageiros, por isso privilegiando, sobretudo, conforto a bordo e a experiência digital de utilização. Entre os equipamentos vidros escurecidos para promoção da privacidade, bancos com encostos reclináveis e função “Zero Gravity” e, também, sistema multimédia com monitor traseiro retrátil.

Neste sistema, os passageiros podem aceder às informações da viagem, regular a atuação de diversas funções do carro, incluindo os parâmetros de funcionamento de equipamentos disponíveis a bordo e interagir com o assistente de voz “Xiao P”. O ecossistema digital foi desenvolvido para elevar a experiência, de forma a torná-la mais atrativa do que os serviços tradicionais de transporte (individual), como os os disponíveis em “app” nos nossos “smartphones”.
Arquiteturas elétrica e eletrónica modernas
O Robotáxi tem a arquitetura elétrica e a eletrónica mais modernas da companhia de Guangzhou. A base é a Smart Electric Platform Architecture (SEPA) de todos os automóveis recentes da marca chinesa, mas apresenta-se equipada com “stack” dedicada à condução autónoma – na prática, “hardware” (tem “chips”, sensores, câmaras e radares) e “software” (sistemas operativos e controlo, e algoritmos de IA, por exemplo) que atuam de forma coordenada e muito otimizada, e permitem ao automóvel movimentar-se sem intervenção humana.
O sistema da XPENG integra quatro “chips” de IA (apresentam-se como cérebros) desenvolvidos internamente, com a capacidade combinada de processamento de até 3000 TOPS (três mil biliões de operações por segundo!), poder computacional que suporta a segunda geração do programa de Inteligência Artificial VLA (Vision-Language-Action) da marca chinesa e permite Nível 4 de condução autónoma em condições operacionais predefinidas.
Condução autónoma baseada só em visão
Um dos elementos mais distintivos da abordagem da XPENG à tecnologia da condução autónoma é a opção por uma arquitetura baseada apenas em visão computacional, sem recurso a LiDAR e a mapas de alta-definição. Segundo a marca, esta fórmula reduz a dependência de infraestruturas externas e simplifica a cadeia de decisão do sistema, eliminando camadas intermédias de interpretação. A XPENG diz que esta arquitetura permite reduzir o tempo de atraso na resposta para menos de 80 milissegundos, melhorando a rapidez de decisão e a adaptação a cenários dinâmicos de condução.

Em janeiro, a XPENG obteve autorização para testes em estrada aberta, em Guangzhou. Depois, em março, criou uma unidade dedicada ao desenvolvimento e à operação do negócio de Robotáxis. A empresa planeia ainda disponibilizar o “kit” de desenvolvimento de “software” da plataforma a parceiros externos e tem a Amap (aplicação de navegação do tipo Google Maps desenvolvida pela chinesa Alibaba) como primeira parceira do ecossistema.
A XPENG, com esta iniciativa, posiciona a mobilidade autónoma como uma linha estratégica de crescimento nova, paralela ao negócio principal de caros elétricos, reforçando, também, a ambição de liderança no domínio da inteligência artificial aplicada à mobilidade.









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