Peugeot 208 (2027) estreia STLA One
- José Caetano

- 22 de mai.
- 4 min de leitura
A Stellantis, cerca de quatro anos depois do “Dare Forward 2030” apresentado por Carlos Tavares, português à frente, à época, do segundo maior fabricante europeu de automóveis, anunciou programa estratégico novo, o “FaSTLane 2023”, primeiro sob o comando de Antonio Filosa, o italiano que assumiu o comando do consórcio em junho de 2025. Tavares, recorda-se, abandonou o cargo em dezembro de 2024, num contexto de maus resultados e tensões internas.

Entre as muitas novidades anunciadas por Filosa & Cia., mudança significativa na política de plataformas de empresa com 14 marcas: Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, DS, FIAT, Jeep, Lancia, Maserati, Opel/Vauxhal, Peugeot e Ram. Na base da estratégia, a introdução de arquitetura nova para carros concorrentes nos segmentos B, C e D, a STLA One, estrutura preparada para motorizações elétricas, híbridas e térmicas.
A STLA One, informou a Stellantis, substituirá, de forma progressiva, a STLA Small, que estava programada, originalmente, só para carros elétricos, e a STLA Medium. A primeira tinha estreia prevista para o próximo ano e a segunda foi introduzida em 2024 (estreia na terceira geração do Peugeot 3008), mas a direção da Stellantis diz que é dispendiosa e pesada. O objetivo da mudança é reduzir o custo, o tempo de desenvolvimento, o peso e a complexidade industrial. A arquitetura nova admite a utilização em automóveis com diferentes dimensões – comprimentos e distâncias entre eixos – e formatos, o que garante flexibilidade técnica e de produção. Assim, recorrendo a base capaz de satisfazer necessidades diferentes tanto de mercado, como em matéria de requisitos de eletrificação, racionaliza-se muito a operação.
A estreia da STLA One encontra-se prevista para 2027, na terceira geração do 208, que o Polygon Concept antecipou em novembro de 2025. Este estudo com menos de 4 m de comprimento apresentava-se como manifesto de “design” (é-o tanto no exterior, como no interior), dispunha de muitas tecnologias revolucionárias, como a direção “steer-by-wire”, sistema que antecipava, igualmente, geração nova do i-Cockpit da Peugeot, e promovia o plano de eletrificação progressiva da Peugeot. E estas ideias mantêm-se, independentemente da mudança de arquitetura técnica, uma vez que esta solução, que elimina a ligação mecânica comum entre volante e rodas, permite progressos relevantes na agilidade e na precisão, na modularidade e, ainda, na integração de assistências eletrónicas à condução mais modernas.
A STLA One tem estreia prevista o salão de Paris, em outubro. Na comunicação da Stellantis, anunciaram-se outras novidades para a Peugeot, nomeadamente Sport Utility Vehicle (SUV) para posicionar na mesma categoria do 3008, e geração nova dos compactos 308 e 308 SW. E a base técnica nova, de acordo com o fabricante, servirá de base a mais de 30 automóveis, antecipando-se que signifique, até 2035, mais dois milhões de vendas/ano! Neste ponto, o plano estratégico da Stellantis é semelhante aos programas da BMW (Neue Klasse) e da Volkswagen (SSP).

Na STLA One, baterias LFP menos dispendiosas do que as NMC e compatibilidade com arquiteturas elétricas de 800 V, que serão utilizadas só nos modelos topos de gama. E esta plataforma admite, ainda, a integração do “software” STLA Brain e do painel de bordo STLA SmartCockpit, que serão desenvolvidos com parceiros como a Qualcomm e a Applied Intuition.
Até 2030, a Stellantis pretende que apenas três plataformas representem 50% dos volumes de vendas, com diversos automóveis do consórcio a partilharem até 70% dos componentes. A SLTA One, diz-se, garante aumento de 20% na rentabilidade e redução nos tempos de desenvolvimento dos carros novos de 40 meses para 24, a exemplo do que acontece com os fabricantes chineses. A Renault conseguiu-o no programa da geração nova do Twingo, recorrendo a parceiros… chineses.

Sete novidades em quatro anos
A Peugeot faz parte do grupo de quatro marcas prioritárias para o consórcio, para a implementação das tecnologias globais novas da Stellantis. As outras são a FIAT, a Jeep e a Ram. Para o fabricante francês, um dos vencedores da mudança de visão da administração do consórcio, a ambição é de sete novidades em quatro anos, o que tem como objetivo aumentar a cobertura do mercado de 45% para 60%.
E, assim, após o lançamento do 208 novo, e da estreia da STLA One, introdução da terceira geração do 2008, Sport Utility Vehicle (SUV) que beneficiou de atualização em 2023 e é muitíssimo bem-sucedido na Europa, e numa categoria cada vez mais competitiva (segmento B). Estes automóveis produzir-se-ão só com motorizações elétricas e o segundo não deverá surgir no mercado antes do final de 2029.
No entanto, a marca do leão tem outro SUV compacto novo na linha do horizonte, igualmente baseado na STLA One, que será posicionada na mesma categoria do 3008, automóvel com modernização programada só para 2009. De acordo com o fabricante, também contará com motorizações híbridas, como acontecerá com a quarta geração do 308 (e do derivado 308 SW), que tem entrada em cena prevista para 2028.
O programa para a Peugeot também pressupõe o reforço da oferta no topo da gama – atualmente, é o 5008 que desempenha essa função. Apresentado em abril, no salão de Pequim, China, o Concept 06 antecipou “shooting brake” com motorizações elétricas baseado em arquitetura técnica de origem Dongfeng.

A Stellantis negoceia a criação de “joint-venture” europeia com o fabricante chinês, empresa em que contará com participação maioritária de 51%. O acordo pressupõe o aproveitamento da capacidade instalada na fábrica de Rennes, França. Atualmente, nesta unidade, produz-se apenas o Citroën C5 Aircross, mas os chineses pretendem utilizá-la para fabricar automóveis da marca “premium” Voyah.














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