Fórmula 1 em Portimão a 20 de junho de 2027
Está confirmado. O Mundial de Fórmula 1 regressa ao nosso País e ao Autódromo Internacional do Algarve (AIA) de 18 a 20 de junho de 2027, de seis anos depois da última passagem pelo país e pelo Circuito de Portimão. Os bilhetes para a 19.ª edição do Grande Prémio de Portugal, ronda nove da próxima temporada da categoria-rainha do desporto automóvel, começam a ser vendidos no dia 21 de setembro. O impacto económico estimado é de 150 milhões de euros.

A confirmação da data surgiu com a divulgação do calendário oficial de 2027 e concretiza o acordo celebrado em dezembro de 2025 entre a Fórmula 1 e o AIA. O contrato contempla duas edições do Grande Prémio de Portugal, em 2027 e 2028, devolvendo ao país uma presença regular, ainda que por enquanto limitada a duas temporadas, no calendário do Mundial.
A etapa portuguesa encontra-se posicionada no início da fase europeia da temporada, entre os Grandes Prémios do Mónaco e da Grã-Bretanha (Silverstone) e a organização prevê atividade em pista durante os três dias do programa, acompanhada por diferentes iniciativas e eventos paralelos durante a semana anterior.

O impacto económico esperado é muito significativo. Segundo o Turismo do Algarve, a realização do Grande Prémio poderá representar cerca de 150 milhões de euros, com reflexos na hotelaria, restauração, transportes, comércio, serviços e restantes empresas da região. A organização espera receber centenas de milhares de pessoas ao longo dos vários dias do evento.
A primeira fase de venda de bilhetes arranca no dia 21 de setembro, exclusivamente na plataforma oficial do evento. Inicialmente, serão disponibilizados apenas passes gerais para os três dias, lugares sentados nas diferentes bancadas e opções de hospitalidade, numa campanha dividida em quatro fases.
De Boavista a Portimão
A corrida de 2027 será a 19.ª edição do Grande Prémio de Portugal pontuável para o Campeonato do Mundo de Fórmula 1, numa história iniciada há quase sete décadas e repartida por quatro circuitos.
A estreia aconteceu em 1958, no Circuito da Boavista, no Porto, com vitória de Stirling Moss, ao volante de um Vanwall. No ano seguinte, a prova mudou-se para Lisboa e para o Circuito de Monsanto, onde Moss voltou a vencer, desta vez num Cooper-Climax.
Em 1960, a Fórmula 1 regressou à Boavista e a vitória pertenceu a Jack Brabham, com um Cooper-Climax. O australiano assegurou no Porto o seu segundo título mundial consecutivo. Seguiu-se uma ausência de 24 anos.

Treze anos consecutivos no Estoril
O Grande Prémio de Portugal regressou em 1984, desta vez no Autódromo do Estoril, iniciando o período mais longo e regular da presença portuguesa na Fórmula 1. O circuito recebeu a prova durante 13 temporadas consecutivas, entre 1984 e 1996.
A primeira corrida desta nova era foi ganha por Alain Prost, num McLaren-TAG, à frente do companheiro de equipa Niki Lauda e de Ayrton Senna, então ainda piloto da Toleman.
Um ano depois, o Estoril entrou definitivamente na história da modalidade. A 21 de abril de 1985, sob chuva intensa, Ayrton Senna conquistou a primeira vitória da carreira na Fórmula 1, dominando ao volante de um Lotus-Renault.
Portugal voltaria a ser palco de outro marco histórico em 1987, quando Alain Prost venceu no Estoril e alcançou a sua 28.ª vitória, ultrapassando as 27 de Jackie Stewart e tornando-se então o piloto com mais triunfos na história da Fórmula 1.

Ao longo das 13 edições realizadas no Estoril venceram Alain Prost (1984, 1987 e 1988), Ayrton Senna (1985), Nigel Mansell (1986, 1990 e 1992), Gerhard Berger (1989), Riccardo Patrese (1991), Michael Schumacher (1993), Damon Hill (1994), David Coulthard (1995) e Jacques Villeneuve (1996). Prost e Mansell são, por isso, os pilotos com mais triunfos no Grande Prémio de Portugal, com três cada.
A última corrida desta fase realizou-se a 22 de setembro de 1996 e foi ganha por Jacques Villeneuve, num Williams-Renault, à frente de Damon Hill e Michael Schumacher. O português Pedro Lamy, então piloto da Minardi, terminou na 16.ª posição.

Pandemia leva Fórmula 1 a Portimão
Seriam necessários mais 24 anos de espera para a Fórmula 1 regressar a Portugal. E aconteceu em circunstâncias absolutamente excecionais. A pandemia de COVID-19 obrigou a modalidade a reconstruir profundamente o calendário de 2020, recuperando circuitos e países que não estavam previstos no programa original. Foi nesse contexto que o AIA surgiu no Campeonato do Mundo, recebendo o Grande Prémio de Portugal entre 23 e 25 de outubro.
A estreia de Portimão ficou imediatamente ligada a um dos maiores recordes da história da Fórmula 1. Na qualificação de sábado, Lewis Hamilton, num Mercedes conquistou a 97.ª “pole position” da carreira na categoria, batendo o companheiro de equipa Valtteri Bottas por 0,102 s e ampliando um máximo absoluto que já lhe pertencia desde 2017.

No dia seguinte, o britânico voltou a fazer história. Hamilton venceu a corrida e alcançou o 92.º triunfo na Fórmula 1, ultrapassando as 91 vitórias de Michael Schumacher e tornando-se o piloto com mais vitórias na história da disciplina. Depois de perder posições nas primeiras voltas, enquanto os pneus médios atingiam a temperatura ideal, o britânico recuperou o ritmo, ultrapassou Bottas na 20.ª das 66 voltas e terminou 25,592 s à frente do finlandês, estabelecendo ainda a volta mais rápida.
As 92 vitórias de Hamilton correspondiam, curiosamente, à soma das 51 de Alain Prost com as 41 de Ayrton Senna. Portugal tornava-se também, pela segunda vez, o país onde era batido o recorde absoluto de vitórias na F1: Prost tinha ultrapassado as 27 de Jackie Stewart no Estoril, em 1987, e Hamilton, 33 anos depois e no Algarve, superava Michael Schumacher.
A experiência de 2020 levou a Fórmula 1 a escolher novamente Portimão para preencher uma vaga no calendário de 2021, ainda condicionado pela pandemia. Hamilton chegou ao Algarve com 99 “pole positions” e a possibilidade de alcançar ali a histórica 100.ª, mas Valtteri Bottas bateu-o na qualificação por apenas 0,007 s. O britânico atingiria a marca uma semana depois, em Espanha, tornando-se o primeiro piloto da história da F1 a chegar às 100!

Na corrida portuguesa, no entanto, Hamilton voltou a ganhou. Partiu da segunda posição, ultrapassou Max Verstappen e Bottas e conquistou o segundo triunfo consecutivo no AIA, mantendo assim um registo perfeito no circuito algarvio: duas participações e duas vitórias.
A dimensão do recorde estabelecido em Portimão em 2020 é ainda mais evidente olhando para os números atuais. Hamilton chegou ao Algarve com 91 vitórias e saiu com 92; atualmente soma 106 triunfos e 104 “pole positions”, mantendo os máximos absolutos da Fórmula 1.
A “montanha-russa” volta ao Mundial
Inaugurado em 2008, o Autódromo Internacional do Algarve tem 4,653 km e 15 curvas e distingue-se pelos acentuados desníveis, curvas cegas e constantes mudanças de elevação, por isso recebendo a designação de “montanha-russa”. O complexo, gerido pela Parkalgar, possui homologação de grau máximo da FIA e da FIM.
Quando a Fórmula 1 regressar ao Algarve, em junho de 2027, terão passado seis anos desde a última corrida em Portimão, 31 anos desde a derradeira edição no Estoril e 69 anos desde o primeiro Grande Prémio de Portugal integrado no Campeonato do Mundo.
É a continuação de uma história que já passou por Boavista, Monsanto, Estoril e Portimão e que inclui episódios marcantes na história da própria disciplina: o título de Brabham, a primeira vitória de Senna, o recorde de Prost no Estoril e o histórico triunfo de Hamilton no Algarve.
Depois das duas edições de emergência de 2020 e 2021, realizadas num período excecional para a Fórmula 1 e para o mundo, o AIA prepara-se, por fim, para receber o Mundial num contexto de normalidade – e, pela primeira vez, com a garantia antecipada de duas edições consecutivas, em 2027 e 2028!

24 Grandes Prémios e 10 (!) corridas de Sprint
A 78.ª edição do Mundial de Fórmula 1 começa a 14 de março (Bahrain) e termina a 12 dezembro (Abu Dhabi), mantém 24 Grandes Prémios, com Portugal e Turquia a substituírem Barcelona-Catalunha e Países Baixos (Zandvoort), e conta com um número recorde de 10 corridas de Sprint, mais quatro do que este ano (ou sete do que na temporada de estreia deste formato, 2021) – Bahrain, Austrália, Japão, Mónaco, Canadá, Grã-Bretanha, Itália, Brasil, Qatar e Abu Dhabi.
O calendário da Fórmula 1 para 2027 não colide com as datas de outras três corridas muito mediáticas do desporto automóvel, cuidado que deve saudar-se: 500 Milhas de Indianápolis (30 de maio), 24 Horas de Nürburgring (29 e 30 de maio) e 24 Horas de Le Mans (12 e 13 de junho).






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