Indústria britânica avisa UE: milhões em jogo
Na sequência da pressão de Bruxelas sobre Londres para aumentar as tarifas aos automóveis elétricos chineses, a indústria automóvel britânica responde com números. Estudo da Oxford Economics estima que a produção do Reino Unido suporta 24 mil milhões de euros de atividade económica e 250.000 empregos na União Europeia (UE).

A relação entre as duas indústrias continua, apesar do Brexit (referendo em junho de 2016, saída formal em janeiro de 2020), profundamente integrada: o Reino Unido é o maior mercado de exportação da UE para ligeiros de passageiros e, em sentido inverso, a UE é o principal destino dos veículos produzidos em território britânico. O comércio automóvel entre os dois lados vale cerca de 80.000 milhões de euros por ano.
É neste contexto que a Society of Motor Manufacturers and Traders (SMMT) alerta para os riscos de uma eventual exclusão dos automóveis, componentes e materiais produzidos no Reino Unido das futuras regras “Made in Europe”.
A associação britânica apoia-se num estudo realizado pela Oxford Economics, segundo o qual a produção automóvel do Reino Unido é responsável por cerca de 24 mil milhões de euros de atividade económica no espaço comunitário e 250.000 postos de trabalho através das cadeias de abastecimento e do consumo associado aos salários.
Só as exportações automóveis britânicas para a UE geram, de acordo com a mesma análise, 5,6 mil milhões de euros de despesa em bens e serviços produzidos nos Estados-Membros, suportando 58.000 empregos e 1,6 mil milhões de euros em receitas fiscais.
A SMMT utiliza estes números para pressionar Bruxelas numa fase em que decorrem as negociações em torno do Industrial Accelerator Act e das regras que deverão definir quais os automóveis considerados “Made in Europe”.
A associação defende que os veículos, componentes e materiais produzidos no Reino Unido devem ser tratados como equivalentes aos fabricados na UE, apesar da saída britânica do bloco comunitário.

Uma relação comercial de 80 mil milhões
A preocupação britânica prende-se com a possibilidade de os veículos produzidos no Reino Unido ficarem excluídos de incentivos reservados aos automóveis fabricados na UE, incluindo apoios destinados a frotas empresariais mais ecológicas, supercréditos de CO2 e contratos públicos dos estados-membros.
Na perspetiva da SMMT, essa diferenciação poderia reduzir a competitividade dos carros britânicos naquele que continua a ser o seu principal mercado de exportação e, por consequência, diminuir também a procura de componentes e serviços produzidos no outro lado do Canal da Mancha.
Esta interdependência é muito visível nas cadeias de fornecimento. Os fabricantes europeus vendem mais componentes automóveis ao Reino Unido do que a qualquer outro mercado mundial, o que ajuda a explicar a dimensão dos impactos económicos estimados pelo estudo.

Alemanha seria o país mais exposto
A Alemanha surge como a economia europeia mais exposta à produção automóvel britânica, com cerca de 6,3 mil milhões de euros de atividade económica associada e 69.000 empregos suportados. Seguem-se França, com aproximadamente 2000 milhões de euros e 24.000 empregos, Itália, com 1,7 mil milhões, e Espanha, com 1,5 mil milhões de euros.
A dependência também é significativa em diversos países da Europa Central e de Leste. A produção automóvel britânica suporta, segundo a Oxford Economics, cerca de 23.000 empregos na Polónia, 14.000 na Roménia, 13.000 na Chéquia e 11.000 na Eslováquia. Mike Hawes, diretor executivo da SMMT, considera que, apesar do Brexit, as cadeias de abastecimento entre Reino Unido e UE continuam integradas e que excluir a indústria britânica das futuras regras “Made in Europe” seria contraproducente para ambos os lados.
A associação defende, por isso, que o Reino Unido deve ser reconhecido como parceiro da indústria automóvel europeia no âmbito do Industrial Accelerator Act, evitando uma fragmentação adicional das cadeias de produção.





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