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Maioria francesa nos usados importados

Em Portugal, a oferta de automóveis é insuficiente para satisfazer a procura, razão por detrás do facto de muitos condutores recorrerem ao mercado internacional de usados. No entanto, mesmo um automóvel aparentemente bem conservado pode ocultar problemas graves, de danos estruturais à manipulação da quilometragem. Devido à ausência de um sistema europeu comum para a partilha de dados entre países, o risco associado à compra de veículos importados mantém-se elevado.



De acordo com estudo recente da carVertical, que analisou dados de 2025, mais de metade dos carros verificados em Portugal eram importados. No total, 57,3% dos veículos analisados tinham origem estrangeira a apenas 42,7% das unidades eram nacionais. A França destaca-se como país de origem, representando 22,3% das importações, à frente de Alemanha (12,8%), Bélgica (9%), Países Baixos (4,3%) e Itália (1,7%). A predominância destes mercados deve-se ao forte volume de vendas de carros novos nesses países, muitos dos quais entram em ciclos de exportação após o fim dos contratos de “leasing”.

 

Carros importados representam riscos acrescidos 

Os carros usados importados, apesar da atratividade dos preços, representam riscos acrescidos. A manipulação da quilometragem é uma prática relevante: 4,9% dos veículos provenientes de França apresentavam indícios de adulteração, valor que se compara com 4,2% nos Países Baixos e em Itália, 3,5% na Bélgica e 3% na Alemanha. Esta ilegalidade permite inflacionar artificialmente o valor de venda, resultando frequentemente em custos inesperados de manutenção para os compradores.



Os registos de danos revelam diferenças ainda mais significativas entre mercados. Entre os carros importados para Portugal, 82% dos provenientes da Bélgica e 80,9% dos oriundos da Alemanha apresentavam histórico de danos. Nos Países Baixos, essa percentagem situava-se nos 60,8%, enquanto em França era de 32,6% e em Itália de 12,2%. Embora nem todos os danos sejam graves, acidentes estruturais podem comprometer a segurança do veículo, sobretudo quando as reparações são efetuadas com componentes não originais ou de menor qualidade.

 

Outro fator crítico prende-se com a fragmentação dos registos automóveis a nível europeu. Em muitos casos, o histórico de um veículo permanece limitado ao país de origem e pode não acompanhar o automóvel após a exportação, dificultando o acesso a elementos completos por parte dos clientes. A carVertical garante que o enquadramento do RGPD contribui para a limitação, ao classificar diversos dados automóveis como pessoais, restringindo a partilha de informação.

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