Mercedes-Benz CLA 250+ com Tecnologia EQ
- Pedro Junceiro

- 26 de mar.
- 5 min de leitura
Cativa pelo visual e tem muitos atributos que o tornam numa referência obrigatória entre as berlinas compactas com posicionamento “premium”. O CLA (perde a designação de Coupé) é o primeiro automóvel numa gama nova de carros elétricos da Mercedes-Benz. Tem arquitetura de 800 V, a razão por detrás da eficiência excecional que apresenta. Neste 250+ com Tecnologia EQ, 272 cv, tração traseira, bateria com 85 kWh de capacidade e até 739 km de autonomia.

Automóvel com grande importância na estratégia da Mercedes-Benz, o CLA novo mantém a imagem muito dinâmica como um dos atributos em destaque, apresentando-se, por isso, preparado para dar continuidade ao percurso de sucesso iniciado em 2013, ano da introdução do original. Agora, ao abrigo das tendências atuais, moderniza-se de forma substancial e tanto na tecnologia, como no desenho e nas motorizações, com propostas eletrificadas para utilizações diferenciadas. No 250+ com tecnologia EQ (de nome completo!), encontramos mesmo uma das maiores autonomias num carro elétrico.
O CLA estreia a plataforma MMA, que permite maior eficiência e arrumação otimizada de todos os componentes, além de contar com arquitetura elétrica de 800 V, o que permitirá, igualmente, potências de carregamento muito altas. Esta arquitetura, futuramente, será utilizada noutros automóveis, como o GLA e o GLB.

Mantém a imagem de “coupé”
Mesmo perdendo essa classificação, o que acontece apenas à terceira geração (segunda em 2019), o CLA continua a ter “ares” de “coupé”, valorizando-se a eficiência aerodinâmica permitida pelo tejadilho panorâmico em vidro curvo (equipamento de série em todas as versões da gama), resultando num coeficiente de apenas 0,21 Cx, um dos melhores entre todos os carros de produção de série, com puxadores integrados nas portas que também contribuem para este propósito.
Esteticamente, sobressai pela grelha dianteira com 142 estrelas iluminadas e barra luminosa horizontal a unir os dois conjuntos LED de alta performance (ambos parte do Pack Advanced Plus com Extra Digitais), tornando-se num chamariz de atenções durante a condução noturna. Atrás, onde a tampa da bagageira encurtada reforça a aparência dinâmica, destaque para os farolins igualmente unidos por faixa horizontal, conferindo largura adicional. Realce ainda para o desenho em estrela dos grupos óticos à frente e atrás e para as animações ao abrir e fechar o veículo. Para sublinhar a aparência desportiva, o modelo ensaiado contava com Linha AMG (3350 €), jantes desportivas em preto de 19’’ (750 €) e cor vermelha “Patagónia” (1250 €), resultando numa aparência musculada (leia-se dinâmica).

Interior moderno no desenho e na tecnologia
O habitáculo reinterpreta os conceitos da Mercedes-Benz, unindo rigor e qualidade elevada nos materiais e na construção, enquanto a componente tecnológica sai reforçada em vários níveis. Mas este CLA dá mesmo um passo em frente nítido em relação ao modelo anterior, em matéria de acabamentos e revestimentos, reforçando a quantidade dos materiais macios, incluindo nos painéis das portas (as de trás também têm maior cuidado), combinando-se pele sintética e camurça com pespontos vermelhos contrastantes, cortesia da já apontada Linha AMG. No geral, a ideia que transmite é a de um modelo de grande qualidade, com maior atenção aos detalhes e acabamentos, em linha com os pergaminhos premium da Mercedes.
Além disso, o CLA 250+ novo mostra-se ao mais alto nível na tecnologia, com dois ecrãs de grandes dimensões, ambos personalizáveis e muito completos (opcionalmente pode ter um terceiro ecrã no lugar do passageiro). O da instrumentação mede 10,25’’ e o central tátil 14’’ polegadas, integrando sistema MB.OS novo para abordagem “zero layer” mais evoluída, ou seja, de acesso simples e intuitivo (adotando conceito de menus e submenus) e com resposta bastante rápida (tem processador de maior desempenho e refrigeração otimizada). O sistema multimédia é atualizável remotamente e o assistente virtual MBUX pode recorrer à Inteligência Artificial para maior fluidez de operação. Admite-se, ainda, a conexão sem fios a sistemas Android Auto e Apple CarPlay. A iluminação ambiente continua a ser tema de destaque nos Mercedes-Benz. E, também neste item, o CLA 250+ representa um passo em frente.

Mas nem tudo são rosas: o volante com botões táteis não convence, acontecendo o mesmo com a passagem dos controlos da climatização para o ecrã tátil. Incompreensível é, ainda, a escolha de botão de seleção para alternar entre o acionamento dos vidros elétricos dianteiros e traseiros na porta do condutor, que não tem qualquer vantagem prática. A Volkswagen propõe o mesmo no ID.3, por exemplo, mas prepara-se para abandonar esta solução, como apresentou no interior novo para o ID. Polo e o ID. Cross.
Na habitabilidade, o CLA melhorou ligeiramente, nomeadamente atrás e ao nível das pernas, graças ao aumento da distância entre eixos, servindo sem problemas para transportar quatro adultos de estatura média (até 1,80 m). Isto porque o formato coupé do tejadilho limita a altura de quem se senta atrás, exigindo-se também atenção no acesso, sobretudo, aos lugares traseiros. Já a bagageira, não sendo muito ampla, alberga 405 litros e é complementada pelos 101 litros do compartimento dianteiro, sob o “capot”. A quantidade de espaços de arrumação no habitáculo melhorou, destacando-se, por exemplo, a consola central de dois níveis entre os bancos dianteiros.
Também na condução, automóvel “premium”
A versão 250+ com tecnologia EQ é a intermédia da gama e aposta em motor traseiro síncrono de ímanes permanentes com 272 cv (200 kW) e 335 Nm, dados que permitem a este automóvel exibir-se num patamar muito bom. Mesmo que não sejam valores muito elevados pelos cânones atuais da eletrificação, o CLA 250+ sente-se sempre muito rápido a acelerar e a recuperar velocidade, mesmo no modo de condução mais eficiente. Fá-lo com níveis de motricidade elevados: não há perdas de tração nos arranques e a aceleração é feita com decisão e segurança, o que resultando num carro capaz de entusiasmar. Tanto mais que a condução tem um tato muito sólido, sobressaindo tanto no conforto, como na passagem em curva – esse ecletismo dinâmico é um dos pontos fortes, mostrando suavidade em mau piso e controlo direcional sem reparos em estradas sinuosas, mesmo a ritmos mais fortes.
Motivado também pelo baixo centro de gravidade, o CLA 250+ é intuitivo, seguro e não renega um toque desportivo, ilustrando o acerto de suspensão “no ponto” e direção precisa. Também aqui, registámos a evolução significativa de carro que tem, ainda, interior refinado e silencioso.

O motor elétrico está ligado a transmissão de 2 velocidades, uma solução pouco comum, mas que permite gerir a energia motriz de forma diferenciada durante a condução, ora melhorando as prestações (em cidade), ora a eficiência (em autoestrada). O ponto de troca situa-se em redor dos 100 km/h. Aspeto polarizador é o das sonoridades artificiais selecionáveis no ecrã central, que se fazem ouvir também no exterior da viatura.
A aerodinâmica e as melhorias operadas no trio motor/caixa/bateria (o acumulador de energia é do tipo NCM e tem 85 kWh de capacidade útil) originam uma das autonomias mais amplas do mercado – até 790 km em ciclo combinado (739 km na configuração em exame) – e consumos muito moderados, conseguindo-se 14,1 kWh/100 km num teste sem restrições de ritmos, embora com recurso aos modos “Eco” de condução e “Auto” de regeneração – o segundo gere, automaticamente, a intensidade da recuperação de energia em desaceleração e travagem (o sistema também tem programas “D+”, “D” e “D-”).
A arquitetura de 800 V dá ao CLA 250+ a possibilidade de recarregar a 320 kW, reduzindo (muito) o tempo de espera em postos rápidos (só 22 minutos de 10 a 80%), mas a marca não garantiu a compatibilidade com os postos de 400 V, pelo que será mesmo preciso recorrer aos postos mais modernos/recentes (e caros/raros…) para usufruir dessa possibilidade.
Estes predicados resultam num dos elétricos mais competentes do mercado e, muito possivelmente, no melhor elétrico da marca alemã, proporcionando condução ágil, confortável e até divertida, a par de eficiência excecional, o que elimina a ansiedade associada à autonomia limitada. Como é habitual na Mercedes, o preço a pagar é muito influenciado pela compra de opcionais: a unidade nas imagens aproxima-se dos 70.000 € (68.950 €).




































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