Noah Monteiro: “F4 é muito competitiva, mas tenho de ambicionar o título”
- José Caetano

- há 41 minutos
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Noah Monteiro, 16 anos, comanda o campeonato de Espanha de Fórmula 4, após nove corridas (e cinco pódios) numa época que tem 21. Confirmam-se, assim, a consistência e o talento demonstrados na minitemporada de inverno da categoria em que compete desde 2025, que ganhou, conquistando um título inédito para um piloto português. Atualmente, a competição está parada para férias de verão, encontrando-se o regresso à ação marcado para o fim de semana de 22 e 23 de agosto, no circuito de Jarama, nos arredores de Madrid.

Filho de Diana Pereira e Tiago Monteiro, que completou 50 anos no dia 24, Noah cumpre a segunda temporada na F4 Espanha, integrado na Campos Racing Griffin Core, equipa de topo no campeonato em que cumpriu a passagem do karting para os monolugares, etapa muito importante no percurso desportivo de um piloto que alimenta o sonho de competir na Fórmula 1, tal como o pai. “As mudanças nunca são fáceis, mas adaptei-me bem e rapidamente”, disse-nos Noah.
O objetivo para este ano é claro. “Depois de vencer o campeonato de inverno, tenho de ambicionar o título”, prosseguiu Noah Monteiro, empreitada que não vê como fácil, considerando a competitividade do campeonato. “As corridas são sempre muito exigentes, com muitos pilotos nas lutas pelas vitórias, incluindo alguns com que ninguém contava, o que torna tudo mais difícil, mas estou determinado e sinto-me em forma”, contou-nos.

Eurocup-3 (provável) em 2027
No Campeonato de Espanha de F4, com mais de três dezenas de monolugares em competição, registam-se muitos incidentes durante as corridas (duas com 30 minutos e uma com 25 em todos os fins de semana da temporada), Safety Car em pista com muita frequência, o que significa ainda mais ação, uma vez que os relançamentos representam oportunidades de ganhar posições, ou o risco de as perder. “Os recomeços treinam-se até nos simuladores, mas o instinto é tão importante como a capacidade de reação”, explicou Noah, que já viu as duas faces da moeda nestas situações.
A F4 Espanha utiliza monolugares Tatuus com motores 1.4 Turbo da Abarth. Entre os pilotos que competiram na categoria e atingiram o topo do desporto automóvel estão Pierre Gasly, Guanyu Zhou, Jack Doohan ou Franco Colapinto, o campeão de 2019. Noah Monteiro também tem os olhos no futuro. E, no imediato, depois da F4, Eurocup-3 como passo mais provável, tanto mais que partilha o mesmo “ecossistema” de eventos. “Três anos no mesmo nível não faz muito sentido, independentemente do que fizer esta temporada. O caminho ideal para a minha evolução é esse, mas estamos a ponderar outras possibilidades, incluindo a Fórmula 3”, confirmou Noah.

Estreia frustrada na Fórmula E
Noah Monteiro, antecipando o futuro, não fecha portas. Recentemente, o nome do piloto foi associado à Fórmula E, o que não surpreende, considerando que o pai, Tiago, representa dois pilotos no campeonato (António Félix da Costa, da Jaguar, e Norman Nato, da Nissan) e tem, por isso, bons contactos na categoria. O que sabemos: trabalhou no simulador de equipa que está de saída da categoria e esteve com um pé no teste para “rookies” integrado no programa do ePrix de Madrid, no final de março.
Sobre este episódio, e sempre sem referir nomes, Noah fala sem ressentimentos. “Nada acontece por acaso. Foi frustrante, sim, mas tenho de olhar para a frente, não para trás. Neste processo, abriram-se diversas portas e a Fórmula E, com a geração nova de monolugares, que representa uma revolução, pode tornar-se até uma ótima ‘porta de acesso’ para a Fórmula 1. As corridas são muito competitivas e superinteressantes e o nível dos pilotos é elevadíssimo. Talvez tenha novidades em breve”, disse o jovem piloto.
Noah, no entanto, quando olha para o futuro, e considerando só os monolugares, não fecha nenhuma porta. “Felizmente, existem muitas opções para continuar a progredir no desporto automóvel, incluindo fora da Europa, como o IndyCar nos EUA ou a Super Formula no Japão”, reconheceu.
Escola obrigatória, pais importantes
Noah Monteiro completa 17 anos só a 23 de novembro. Sem surpresa, a carreira académica cruza-se com a desportiva. Ser-se bem-sucedido nas duas não é uma missão fácil, mas a segunda depende do sucesso na primeira… “É difícil, sim, mas tenho o apoio da escola e dos professores, assisto às aulas sempre que consigo e, para competir, tenho de estudar”, rematou o piloto.
Monteiro, nesta conversa, também reconheceu a importância do apoio da mãe, Diana Pereira, e do exemplo e da influência do pai, Tiago. “Cresci no ‘paddock’, nas corridas, e tive uma infância boa. Ele é impecável, dá-me muitos conselhos, mas pressiona-me zero; diz-me apenas para aproveitar todos os momentos e divertir-me”, contou.
E Noah não espera que o facto de Tiago se movimentar muito bem nos bastidores do desporto automóvel possa beneficiá-lo. “Abre portas, sim, mas não são suficientes se não conseguir resultados”, concluiu.






















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