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Opel Frontera GS Electric 44 kWh

O nome evoca a memória do todo-o-terreno de origem Isuzu apresentado pela Opel no início da década de 1990, mas este Frontera novo distancia-se muito da imagem de jipe “puro e duro” do modelo com que partilha só o nome. É Sport Utility Vehicle (SUV) compacto e mais jovem e pragmático, e permite à marca alemã acelerar o processo de eletrificação da gama. A versão à prova é a elétrica com 113 cv, e bateria com 44 kWh de capacidade. E, assim, em vez do passado, o futuro.



O regresso da denominação Frontera ocorre em automóvel com poucas ligações ao todo-o-terreno que a Opel lançou na década de 1990, ao abrigo de uma parceria técnica com a Isuzu. A sua produção durou até 2004 e foi necessário esperar até 2025 para se ter um sucessor… embora não no sentido literal. Isto porque o novo Frontera é muito mais urbano, faltando-lhe, por exemplo, a virtude da tração integral.

 

O Frontera agora renascido situa-se então numa realidade bastante distinta, procurando responder a preferências e desafios modernos, desde logo pela ideia de acessibilidade que a Opel pretende transmitir neste SUV de dimensões compactas. Partilha a plataforma Smart Car e diversos componentes com o Citroën C3 Aircross ou o Fiat Panda, mas os “designers” da Opel trabalharam bem na diferenciação da imagem, com o Frontera a incorporar atributos visuais como o “Opel Vizor” na dianteira, que integra a grelha, os faróis e o logótipo atualizado. A cor de carroçaria (laranja) e as jantes de 17’’, ambas de série, destacam-no no meio da multidão.



Muito espaço a bordo

O interior do Frontera revela filosofia inerente de contenção de custos evidente pela construção dominada pelos plásticos duros, embora seja preciso notar que o desenho geral do habitáculo é muito agradável, com os revestimentos de estilo alumínio nas portas e no painel de bordo a contribuírem para imagem moderna, tal como a fita elástica presente na consola central entre os bancos da frente. Mas, principalmente, o Frontera é funcional. Tudo está facilmente acessível e os comandos físicos da climatização também contribuem para essa impressão. A vertente tecnológica da variante GS, a mais equipada, está assegurada pela conjugação de dois ecrãs de 10’’, um para a instrumentação e outro (tátil) para o sistema multimédia, mas nem assim este automóvel perde a apresentação despretensiosa.

 

O programa multimédia, com ícones grandes e fáceis de utilizar durante a condução, também permite acesso à navegação e tem ligação sem fios a equipamentos Android Auto e Apple CarPlay. E, assim, de forma conveniente e fácil, capacidades melhoradas, competências otimizadas.



O nível GS destaca-se, ainda, por oferecer câmara traseira, carregador sem fios para “smartphone” ou faróis dianteiros LED, entre outros. Por outro lado, não se compreende a ausência de registo de consumos energéticos (ao contrário do que sucede com o congénere térmico), obrigando desta forma a fazer contas para se imaginar o consumo. Outra peculiaridade é a necessidade de “dar à chave” para ligar o motor, algo que é muito pouco usual em elétricos e, já que estamos no “livro de reclamações”, os terminais dos desembaciadores do óculo traseiro poderiam não ser tão visíveis.

 

Já no espaço a bordo, o Frontera é muito apelativo, com interior suficientemente amplo para quatro adultos, tanto em comprimento para as pernas, como em altura ao tejadilho. Trata-se de modelo que, apesar de medir cerca de 4,4 m, oferece comodidade adequada para uma pequena família, tanto mais que a bagageira é também muito versátil, com piso duplo e 460 litros de capacidade, na configuração de 5 lugares.



Melhor em ambientes urbanos

A versão elétrica mais acessível recorre a motor síncrono de 113 cv (83 kW) e 125 Nm, alimentado por bateria LFP de 44 kWh, naquela que é a variante de menor autonomia – a Opel aponta até 306 km. Mas há aqui uma lógica pragmática que se aplica à condução deste modelo, oferecendo prestações corretas, mas sem o rasgo enérgico e, por vezes, até impetuoso de alguns rivais. Isso fica bem evidente nos arranques desde parado, com os primeiros metros a mostrarem uma toada progressiva na subida de velocidade, sem a capacidade de “disparo” doutros elétricos (sobretudo quando circula mais carregado).

 

Porém, o Frontera Electric não compromete em condução quotidiana, primando pela facilidade de condução dentro e fora das cidades: em andamento, as retomas são boas e acaba por ser um SUV agradável de guiar no dia-a-dia, sem o tal rasgo desportivo, mas com muita tranquilidade e um lado dinâmico que até surpreende pela positiva. Isto porque o modelo admite passagens rápidas em curva e bom controlo geral da carroçaria, o que é possível pelo baixo centro de gravidade e por amortecimento bem calibrado, protegendo também muito bem o lado do conforto. A ideia que fica é que a Opel incutiu o seu cunho na afinação do chassis (do amortecimento à direção), conseguindo diferenciá-lo dos modelos da Citroën e Fiat.



O pragmatismo deste Opel fica ainda patente na ausência de modos de condução, dispondo unicamente de modo “conforto” para a regeneração, por via de botão “C” junto do seletor na consola central, o qual deixa o veículo rolar mais livremente.

 

A versão de acesso tem bateria com 44 kWh de capacidade, que satisfaz mais os utilizadores que conduzem regularmente em ambientes urbanos e trajetos curtos do que em autoestrada, embora o Opel até tenha o benefício de carregar a 100 kW nos postos rápidos com corrente contínua. Num trajeto misto de 100 km, cumprimos cerca de 270 km com uma única carga, com um valor de consumo estimado de 16,3 kWh/100 km. Em autoestrada, o consumo do Frontera aumenta.



Acessível? Nem por isso!...

A Opel pretende incentivar a acessibilidade aos modelos elétricos, mas o Frontera é meia resposta à questão. A gama 100% elétrica inicia-se nos 29.990 € e o preço da versão mais equipada GS (com itens como painel de instrumentos e ecrã central tátil de 10’’ ou carregador “wireless” para “smartphones”) é de 33.490 €, o que não é um preço, propriamente, muito acessível.


Mas o aspeto pragmático do interior, a facilidade de condução e a habitabilidade generosa ajudam o Frontera na missão de reposicionar a Opel entre as marcas a considerar no segmento B-SUV, precisamente a categoria automóvel que está a ganhar maior relevância no mercado europeu.



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