Paris-2026: Alfa Romeo Cuorerosso
A Alfa Romeo, no Mondial de l’Auto, exposição a decorrer em Paris, França, até ao próximo domingo, dia 18 de outubro, apresenta um “concept” que não antecipa um automóvel de produção em série, pelo menos diretamente, mas introduz o essencial da imagem pretendida para a renovação de uma gama cada vez mais dependente do Junior (a quota do compacto nas vendas aproxima-se dos 60%!) e menos dos veteranos Giulia e Stelvio. A futura oferta será multienergia e continuará a admitir versões desportivas Quadrifoglio.

O Cuorerosso é um “coupé” com configuração de 2+2 lugares, mede 4,70 m de comprimento e foi criado como um manifesto para a próxima geração de automóveis do fabricante italiano criado há 116 anos que integra o portefólio de marcas da Stellantis. Desenho, organização do habitáculo, tecnologias e conceitos mecânicos deste estudo destinam-se a influenciar os Alfa Romeo que chegarão ao mercado automóvel nos próximos anos.
E este processo de renovação é ainda mais urgente porque o Giulia e o Stelvio estão no mercado há cerca de uma década. O primeiro foi apresentado em junho de 2015, enquanto o segundo foi revelado em novembro de 2016. Ambos receberam atualizações em 2020 e 2023. O fim da produção está previsto para o final de 2027 e os sucessores que estavam planeados, muito orientados para motorizações elétricas, foram reavaliados, acompanhando a mudança de estratégia da Stellantis para a adoção de uma maior flexibilidade tecnológica no processo de mudança de paradigma no automóvel, do motor térmico para o elétrico.

O Cuorerosso não é o próximo Giulia, mas estabelece um novo desenho e uma filosofia técnica que deverão influenciar os automóveis aos dois concorrentes da Alfa Romeo no segmento médio (D). Antes disso, no final de 2027 ou início de 2028, a marca de Arese apresentará um novo C-SUV que substituirá o Tonale. A Alfa Romeo estuda ainda o regresso ao segmento C com uma proposta inspirada na tradição da Giulietta.
Santo Ficili, administrador-delegado da Alfa Romeo e da Maserati, durante conversa com E-AUTO no Mondial de l’Auto, confirmou que o projeto já existe em desenho e maquete, embora a decisão industrial final dependa do estudo bem-sucedido da viabilidade comercial.
Giorgio em vez de STLA One
Do ponto de vista técnico, o Cuorerosso introduz também uma questão muito interessante. Apesar de a Stellantis ter apresentado a arquitetura multienergia STLA One para novos automóveis dos segmentos B, C e D, Santo Ficili contou-nos que o “concept” foi concebido numa variante muito otimizada da plataforma Giorgio, estreada pelo Giulia. Depois, acabou também por servir o Stelvio e o Maserati Grecale

A Giorgio é um dos exemplos mais óbvios da partilha de engenharia entre Alfa Romeo e Maserati. A possibilidade de uma evolução desta arquitetura encontra-se em avaliação, mas não existe ainda uma decisão. Já a cooperação entre as duas marcas deverá aumentar nos próximos anos. O 33 Stradale utiliza uma base técnica relacionada com o Maserati MC20/MC Pura, e os projetos especiais desenvolvidos no âmbito da BottegaFuoriserie deverão aprofundar a partilha de engenharia, materiais, processos de desenvolvimento e componentes.
Também ao nível das motorizações existe uma relação de proximidade, embora o V6 2.9 biturbo de Giulia e Stelvio Quadrifoglio seja uma unidade desenvolvida para a Alfa Romeo, enquanto o Nettuno 3.0 V6 pertença apenas à Maserati. Na eletrificação, as sinergias são ainda mais evidentes. A Maserati criou uma família Folgore, com motorizações elétricas de alto desempenho para o GranTurismo e o GranCabrio, criando conhecimento que pode ser aproveitado em futuros projetos da parceira italiana. A variante elétrica inicialmente anunciada para o 33 Stradale reforçava essa aproximação tecnológica entre as duas marcas. Tinha 750 cv, mas “desapareceu” da comunicação oficial…

4,70 metros e apenas 1,33 m de altura
Cuorerosso resulta da combinação das palavras italianas para coração e vermelho e sintetiza três elementos que a Alfa Romeo pretende preservar na transformação da gama: Itália, caráter desporto e emoção. O projeto introduz também o conceito de Bellezza Necessaria, filosofia de desenho que procura eliminar o supérfluo e fazer convergir estética, funcionalidade, tecnologia e qualidade.
O novo estudo mede 4,70 m de comprimento, 2,93 m entre eixos, 1,98 m de largura e apenas 1,33 m de altura. O peso anunciado é de 1750 kg. As proporções combinam a elegância de um Gran Turismo com a presença de um superdesportivo. O desenho e o formato da carroçaria recuperam códigos históricos da Alfa Romeo, como a Coda Tronca, enquanto o Scudetto e o Trilobo são reinterpretados na nova assinatura dianteiro. O próprio óculo assume a forma de um Scudetto e a traseira integra dois elementos luminosos circulares.
O coeficiente aerodinâmico anunciado é de 0,28 (superfícies muito limpas, vidros embutidos, difusor inferior integrado e jantes forjadas inspiradas no conhecido desenho “Teledial”). Os puxadores de portas convencionais desapareceram, sendo as portas acionadas através de um comando tátil colocado no tejadilho. As traseiras abrem em sentido contrário ao da marcha.

Menos ecrãs, mais condutor
No interior, o Cuorerosso antecipa outra orientação assumida por Santo Ficili: evitar habitáculos dominados por grandes superfícies digitais e devolver protagonismo ao condutor e aos comandos físicos. O denominado Cannocchiale Vivente reinterpreta a tradicional instrumentação Alfa Romeo de dois mostradores. Na configuração Immersivo, ambos permanecem separados; no modo Concentrato, movimentam-se fisicamente até formarem quase um único elemento, diminuindo, simultaneamente, a quantidade de informação apresentada.
O Magma Display, instalado no túnel central, combina superfície tátil, comando rotativo, interruptores físicos e o seletor dos programas de condução Cruise, Sport e Quadrifoglio. Existem ainda direção “steer-by-wire” (isto é, sem ligação física entre volante e rodas), suspensão pneumática e travões carbono-cerâmicos da Brembo. No “cockpit”, Alcantara, nubuck Poltrona Frau, metais, materiais compósitos e fibra de carbono reciclada convivem com couro regenerado constituído em 60% por resíduos pós-industriais. A pintura Liquid Ink Red utiliza uma base muito fina de alumínio coberta por uma camada transparente pigmentada, fazendo a tonalidade variar entre vermelho intenso e quase preto conforme a incidência da luz.
A Alfa Romeo não confirmou a motorização instalada no Cuorerosso. No entanto, Ficili disse-nos que o “concept” apresenta uma futura gama preparada para diversas tecnologias híbridas: MHEV, HEV e PHEV. Como expressão máxima de desempenho, a marca imagina um V6 2.9 HEV, associado à tração integral Q4, transmissão com conversor de binário e veio de transmissão em fibra de carbono.
Em paralelo, as equipas da Maserati, em Modena, estudam diferentes formas de eletrificação do V6 Nettuno. Também neste caso não existe qualquer decisão sobre a arquitetura final.

Regresso à competição em 2027
E a recuperação da vertente mais emocional da marca italiana chegará também à competição. Santo Ficili confirmou que a Alfa Romeo anunciará no início de 2027 o regresso à competição, mas fê-lo sem identificar o automóvel ou o campeonato.
Ficili deixou apenas algumas pistas. Um programa de Turismos ou competição-clientes parece compatível com a organização da Stellantis Motorsport e com a futura proposta da Alfa Romeo para o segmento C. Um GT permitiria disputar numerosos campeonatos e até regressar ao WEC e às 24 Horas de Le Mans com um concorrente na categoria LMGT3.
Mais distante, 2030 poderá abrir uma janela interessante para a resistência devido à nova geração regulamentar da categoria Hypercar. Uma entrada mais imediata criaria sobreposição com o programa Peugeot 9X8 da própria Stellantis, uma hipótese que não está em cima da mesa!






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