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Paris-2026: Citroën 2 CV Concept

há 24 horas
4 min de leitura

Em 2028, regresso do 2 CV ao catálogo da Citroën! A marca francesa confirmou-o na véspera do arranque da 91.ª edição do Mondial de l’Auto, com a apresentação de estudo que antecipa a imagem quase definitiva do citadino elétrico. Mede 3,97 m, tem 5 portas e produção “Made in Europa”. A expetativa é de que o preço possa aproximar-se bastante dos 15.000 €, a condição para a massificação necessária à democratização da tecnologia de substituição do motor de combustão interna.



O 2 CV Concept é apresentado cerca de 78 anos depois do carro que estreou esta designação icónica e teve também estreia mundial no salão de Paris. O fabricante francês ambiciona, igualmente, recuperar o conceito por detrás de um dos carros mais importantes que produziu: combinar acessibilidade e simplicidade. O futuro citadino cumpre todos os critérios inscritos na regulamentação europeia proposta Bruxelas para categoria nova de automóveis elétricos, que contraria tendências na indústria: menos complexidade técnica, dimensões, o que pressupõe a adoção de baterias com menos capacidade. E, assim, combinando-se todos os ingredientes, preços mais acessíveis.


O 2 CV Concept é ainda mais compacto do que o 2 CV original, que media 3,78 m de comprimento e 2,40 m entre eixos. O automóvel apresentado em Paris-1948 e à venda na Europa a partir de 1949 pesava 500 kg a 520 kg, (outra) característica que a Citroën também procura recuperar, com a imposição do limite de uma tonelada. Esta opção permite baixar a capacidade e o custo da bateria, diminuir o consumo de energia e propor autonomia suficiente para uma utilização quotidiana. A marca não anunciou quaisquer especificações técnicas para o protótipo, mas confirmou a base: a nova plataforma E-CAR.



No 2 CV Concept, recuperam-se, ainda, o baixo custo e facilidade de reparação. O modelo tem superfícies simples e para-choques independentes da carroçaria que podem trocar-se facilmente e por pouco dinheiro, no caso de pequeno toque. E os franceses também prometem manutenção muito acessível.


Não é cópia do original…

Visualmente, a associação ao ícone é instantânea, mesmo tratando-se de modelo reinventado para uma nova geração de condutores. Os faróis continuam redondos e separados da carroçaria, o para-brisas mantém a posição muito vertical e a linha curva do tejadilho remete-nos para a silhueta do carro original. E os guarda-lamas são arredondados, as jantes de aço (mesmo se as dimensões crescem para 18’’) e os “piscas” encontram-se posicionados nos pilares posteriores (C).



Atrás, o portão com parte negra também reinterpreta imagem de característica do 2 CV. A capota é em lona e abre manualmente, outra ideia recuperada do conceito original. Mais pormenores: inscrições no para-brisas dos números 48, 90 e 56, que remetem para os anos da introdução do primeiro 2 CV (1948), o fim da produção na fábrica de Mangualde, em Portugal (1990), e a apresentação do Concept (2026); e, garante-o a Citroën, os sons do arranque do motor e da buzina também recordam o carro antigo!



Na conceção do interior, manutenção da filosofia da simplificação. Este novo 2 CV não tem um “tablier” convencional – substitui-o estrutura cilíndrica horizontal que suporta o volante (tem somente um braço), o seletor da transmissão, os principais comandos e o ecrã central quadrado de 8’’, recurso digital que nenhum automóvel moderno dispensa. E o Citroën Smart Vision posicionado à frente do condutor tem todas as informações fundamentais, do nível de carga da bateria às indicações da navegação, o que diminui a “intrusão” da tecnologia num carro apresentado como simples. Existem duas filas de bancos corridos com a “receita” Advanced Comfort e dianteiro, amovível, pode retirar-se do habitáculo e utilizar-se durante atividades no exterior.


Por fim, em vez de consola central, o 2 CV conta com um cesto amovível (também pode retirar-se do “cockpit”, a exemplo da Radioën utilizada como coluna de som).



Início da história remonta a 1936

O início da história do 2 CV é anterior à II Guerra Mundial. O programa arrancou em 1936 com o TPV (acrónimo de Toute Petite Voiture), que pretendia criar automóvel muito económico e robusto, destinado sobretudo às populações rurais francesas. À época, o transporte motorizado próprio era ainda muito pouco comum.


E o caderno de encargos tornou-se lendário. O carro deveria transportar até quatro pessoas e cerca de 50 kg de produtos agrícolas, atingir cerca 60 km/h, contar com manutenção acessível e barata, ser fácil de conduzir e movimentar-se sobre pisos muito degradados sem danificar uma… cesta de ovos!


Os primeiros protótipos foram desenvolvidos e testados antes do conflito militar que arrasou quase toda a Europa. A Citroën preparava-se para apresentar o carro no salão de Paris de 1939, mas a guerra interrompeu o programa e a maioria das unidades foi destruída ou escondida para impedir que o projeto caísse nas mãos dos alemães.



Depois do fim do conflito, a marca retomou o projeto e o automóvel definitivo seria apresentado só a 7 de outubro de 1948, em Paris. Tinha tração dianteira e o motor de 2 cilindros dispunha de arquitetura “boxer” e refrigeração a ar. A suspensão de grande curso privilegiava conforto de rolamento e permitia a condução em quase todos os tipos de superfícies e terrenos.


No primeiro 2 CV, o motor de 375 cc debitava apenas 9 cv, potência suficiente para uma velocidade máxima na ordem dos 65 km/h. A designação 2 CV não indicava a potência efetiva, mas a classificação fiscal francesa.



Mais de cinco milhões de unidades

A fórmula foi muito duradoura, como demonstra a produção até 1990. A cilindrada da mecânica, posteriormente, para 425 cc, primeiro, e 602 cc, depois, mas a marca nunca renunciou aos princípios da simplicidade, do baixo peso, do conforto e da facilidade de manutenção. No total, fizeram-se 5.114.969 unidades, incluindo 1.246.335 versões comerciais.


Portugal, nesta história de sucesso, teve uma participação importante. Mangualde arrancou a produção automóvel em 1964 com o 2 CV AZL e fez 81.882 exemplares do modelo, entre versões de passageiros e comerciais. Foi também no nosso País que acabou a carreira do Citroën. O último exemplar deixou a linha de montagem no dia 27 de julho de 1990 – tratava-se de um 2 CV 6 Charleston cinzento.

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