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Robôs humanoides “paralisam” Hyundai

O Grupo Hyundai confrontou-se com primeira greve total em 10 anos na Coreia do Sul, que contou a adesão de cerca de 40.000 trabalhadores. Em causa, problemas salariais com negociações num beco sem saída, plano para aumento da idade da reforma e, cada vez mais, a proteção dos postos de trabalho perante o avanço da inteligência artificial (IA), da automação e dos robôs humanoides nas unidades de produção do terceiro maior fabricante automóvel mundial em volume de vendas!



Esta paralisação aconteceu depois de várias greves parciais realizadas em julho e originou manifestação junto à sede da companhia, em Seul, que também registou a participação de muitos funcionários de empresas fornecedoras do consórcio – a reivindicação é a negociação direta das questões salarias com os fabricantes.


Segundo Lee Jong-cheol, dirigente sindical da Hyundai, milhares de trabalhadores que contribuíram para a transformação e o crescimento da Hyundai e da Kia estão a ser empurrados para situações profissionais precárias ou contratos temporários depois de atingirem a idade da reforma (60 anos). Também na Samsung, a gigante da indústria eletrónica, funcionários em protesto, por razões semelhantes.


A dimensão do conflito laboral ganha importância pelo peso do Grupo Hyundai na indústria automóvel. Este consórcio que reúne as marcas Hyundai, Kia e Genesis, em 2025 e pelo quarto ano consecutivo, foi o terceiro maior mundial em vendas – 7,27 milhões de automóveis. O Toyota comandou a tabela, com 11,32 milhões de unidades, enquanto o Grupo Volkswagen ocupou a segunda posição da lista, com 8,98 milhões.



Mais de 55.000 carros afetados

A greve total de um dia representa uma escalada num conflito laboral que dura há várias semanas. Segundo estimativas da agência sul-coreana Yonhap, as diversas paralisações parciais de julho perturbaram a produção de cerca de 55.200 carros, correspondentes a aproximadamente 1,4 mil milhões de euros.


E a contestação sindical surge num período desafiante para empresa que admitiu, recentemente, a possibilidade de não cumprir os objetivos de vendas globais para este ano, devido ao aumento da concorrência dos fabricantes chineses na Europa europeu e à diminuição na procura no mercado doméstico.



A transformação tecnológica da indústria automóvel tornou-se num pontos-chave das negociações entre sindicato e administração da empresa. Os representantes dos trabalhadores exigem garantias de manutenção dos empregos à medida que o fabricante aumenta o ritmo de introdução de inteligência artificial, automação e robôs humanoides nas suas unidades industriais.


O Grupo Hyundai, recorda-se, detém o controlo da Boston Dynamics, companhia norte-americana especializada em robótica e responsável pelo desenvolvimento dos robôs mais avançados do mundo. E pretende utilizá-los nas suas instalações industriais nos EUA a partir de 2028. Posteriormente, o objetivo é a introdução da tecnologia noutras unidades de produção, incluindo na Coreia do Sul.


E, para os sindicatos, a crescente utilização de IA também compromete postos de trabalho nas áreas de investigação, desenvolvimento e engenharia. Confirmando-se, alteração profunda na estrutura do emprego nos fabricantes de automóveis.

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