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Xiaomi prepara entrada na Europa

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    E-Auto
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

A Xiaomi prepara-se para passo decisivo no processo de transformação de fabricante de eletrónica de consumo em construtor automóvel de expressão mundial. A companhia chinesa pretende começar a vender carros elétricos na Europa durante 2027 e, para apoiar este processo, criou centro de investigação e desenvolvimento na Alemanha. Enquanto o negócio dos “smartphones” enfrenta dificuldades cada vez maiores, o novo ramo de negócio ganha um peso crescente nas receitas da empresa.



A Xiaomi está cada vez mais dependente dos automóveis elétricos e da inteligência artificial (IA) para contar com novas fontes de crescimento e receita, numa altura em que o negócio tradicional de “smartphones” da empresa chinesa enfrenta uma saturação do mercado, um aumento do preço dos componentes e uma concorrência feroz. A tecnológica reconfirmou que pretende começar a vender automóveis elétricos na Europa em 2027. O fabricante estreou-se na indústria apenas em 2024, com o SU7 à venda na China.


O centro de investigação e desenvolvimento (I&D) na Alemanha desempenhará um papel importante na adaptação dos futuros automóveis às exigências dos consumidores e à regulamentação europeia. A entrada na Europa proporciona a redução da dependência do mercado chinês, onde a concorrência entre fabricantes de elétricos é cada vez mais intensa e a pressão sobre os preços penaliza muito as margens de lucro de grande parte dos atores da indústria.



Elétricos garantem aumento das receitas

Os resultados financeiros mais recentes demostram a importância crescente do negócio automóvel para a Xiaomi. No segundo trimestre do ano, as receitas dos carros elétricos aumentaram 15,9%, para 23,9 mil milhões de yuan (cerca de 2,9 mil milhões de euros).


Considerando conjuntamente os automóveis elétricos, a inteligência artificial e outras novas áreas de negócio, estas atividades já representaram cerca de 23% das receitas da Xiaomi, contra 18,3% no mesmo período do ano anterior. É uma evolução significativa para uma empresa reconhecida fora da China, sobretudo, pelos “smartphones”, “tablets” e outros dispositivos eletrónicos.


O crescimento tem sido acompanhado por um rápido aumento das matrículas de automóveis. Ainda no segundo trimestre, a Xiaomi entregou 104.199 carros, mais 28,2% do que no mesmo período do ano anterior. Apesar do aumento das vendas e receitas, a expansão para novas áreas continua a exigir investimentos elevados. Por isso os negócios relacionados com veículos elétricos, IA e outras iniciativas registaram um prejuízo operacional de 2,6 mil milhões de yuan, refletindo os custos associados ao desenvolvimento de produtos, tecnologia, capacidade industrial e expansão internacional.



Mais automóveis, menos “smartphones”

A Xiaomi, depois do lançamento SU7, berlina elétrica que registou, rapidamente, níveis de procura muito elevados no mercado chinês, aumentou a gama, o que reforçou a ambição da empresa de se transformar num dos protagonistas desta indústria. A estratégia beneficia da experiência acumulada na eletrónica de consumo, no “software” e na integração de dispositivos.


Isto permite pensar na criação de um ecossistema no qual “smartphones”, automóveis e equipamentos domésticos inteligentes estejam interligados através das mesmas plataformas digitais. Esta abordagem distingue a Xiaomi das marcas tradicionais e aproxima o desenvolvimento do automóvel do modelo utilizado pela indústria tecnológica, com uma forte aposta no “software”, na conectividade e nas atualizações permanentes.


A Europa representa, no entanto, um teste muito importante para as ambições internacionais da marca. O mercado é mais regulamentado e apresenta requisitos de homologação e segurança diferentes dos existentes na China. E os fabricantes chineses também enfrentam barreiras comerciais adicionais, devido às taxas impostas pela União Europeia (EU) aos carros elétricos importados no país asiático.



Os “smartphones” continuam a representar a principal atividade da Xiaomi.

Atualmente, a empresa é o terceiro maior fabricante mundial destes equipamentos, atrás da Samsung e da Apple. No segundo trimestre, os lucros líquidos rondaram os 6,2 mil milhões de yuan, cerca de 750 milhões de euros, uma queda de 42,6% em relação ao mesmo período de 2025.


A evolução dos resultados ajuda a perceber por que razão o automóvel assumiu uma importância tão grande na estratégia da Xiaomi em tão pouco tempo.

Com o mercado dos smartphones mais maduro e margens pressionadas pelo aumento dos custos dos componentes, os veículos elétricos oferecem à empresa uma oportunidade de entrar num mercado de dimensão muito superior e de aproveitar a sua experiência em “software”, eletrónica e IA.


A expansão para a Europa em 2027 representa, contudo, um desafio tremendo. A

marca, além de competir com os fabricantes europeus estabelecidos, terá pela frente outros construtores chineses emprenhados em planos de internacionalização e no reforço da presença na região. Soma-se a necessidade de construção da credibilidade como fabricante de automóveis.

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