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Stellantis Box-on-Wheels: entregas autónomas, mas não para já

há 8 horas
2 min de leitura

Sem condutor e sem sequer uma cabina convencional, o Box-on-Wheels (BOW) foi apresentado pela Stellantis Pro One, a divisão do segundo maior fabricante europeu de automóveis dedicada aos veículos comerciais e serviços associados, como uma visão para o futuro das entregas urbanas de “último quilómetro”. Desenvolvido em parceria com a chinesa UQI Robotics, o protótipo fez a sua estreia pública no IAA Transportation 2026, em Hannover, na Alemanha.



O nome diz quase tudo sobre o conceito: uma “caixa sobre rodas”, 100% elétrica e capaz de se deslocar autonomamente, destinada às grandes áreas urbanas, incluindo zonas de acesso condicionado ou de baixas emissões. O objetivo passa por avaliar de que forma condução autónoma, eletrificação, conectividade e serviços podem ser combinados numa plataforma logística integrada.


O BOW dispõe de uma ampla área interior destinada à carga, à qual se acede através de duas portas de grandes dimensões com abertura elétrica. Além das entregas urbanas, a Stellantis prevê que uma solução deste género possa desempenhar tarefas em ambientes controlados ou de acesso restrito, como fábricas, hospitais, aeroportos ou centros logísticos.


No cenário imaginado pelo fabricante, o destinatário da encomenda identifica-se através de um código introduzido no ecrã exterior situado junto à porta dianteira direita para conseguir acesso à mercadoria. Ao eliminar a necessidade de um condutor ou de um estafeta a bordo, uma solução deste tipo reduz os custos operacionais e permite novas formas de organização das entregas.



Tecnologia chinesa

A componente tecnológica está a ser desenvolvida em colaboração com a UQI Robotics, empresa chinesa especializada em logística autónoma, inteligência artificial e robótica. Fundada em 2020 como uma “joint venture” entre a UBTECH e a Miracle Automation, a empresa diz já ter colocado em operação mais de 7000 robôs em 66 cidades e regiões e acumulado contratos superiores a 260 milhões de euros.


No BOW são utilizados diferentes sensores, sistemas de perceção, “software” de condução autónoma e eletrónica redundante, acompanhados por uma plataforma conectada que permite a troca de dados e a monitorização das operações em tempo real. Durante o IAA Transportation, realizaram-se diversas demonstrações.


À Stellantis Pro One caberá adaptar e desenvolver a solução para as necessidades do mercado europeu, integrando também serviços, conectividade, gestão de frotas e soluções destinadas aos operadores profissionais. As primeiras atividades de validação estão previstas para a Europa, antes de uma eventual expansão para outros mercados.



Ainda longe da produção

Apesar da aparência de produto praticamente acabado, o BOW não é uma nova proposta de índole comercial prestes a chegar ao mercado. A própria Stellantis define-o como uma “proof of concept”, ou demonstração de viabilidade, destinada a testar o potencial da logística autónoma e a avaliar o desempenho operacional, o interesse para os clientes e a possibilidade de implementação em maior escala.


Também não foram divulgadas especificações essenciais como dimensões, capacidade de carga, bateria, autonomia, potência ou velocidade máxima, nem existe uma data anunciada para uma eventual produção em série. Para já, o Box-on-Wheels é só um laboratório sobre rodas que demonstra a direção que a Stellantis está a estudar para a logística urbana: veículos elétricos, conectados e autónomos capazes de transportar mercadorias sem condutor e de assumir tarefas que continuam dependentes de veículos comerciais convencionais e operadores.

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