Suzuki acelera novos automóveis
A Suzuki apresentou a estratégia tecnológica para a próxima década, baseada numa abordagem multienergia e adaptada às condições de cada mercado em que o fabricante atua. A marca nipónica quer reduzir para metade o tempo de desenvolvimento de novos automóveis até 2030 e adotar baterias dimensionadas de acordo com a utilização real dos clientes.

A empresa não acredita numa solução única para a transição tecnológica do automóvel, e, por isso, a estratégia para os próximos 10 anos combina eletrificação, novos sistemas híbridos, motores térmicos evoluídos, veículos definidos por software (SVD) e uma aposta forte na redução do peso e do consumo de energia.
A filosofia assenta no conceito “Just-Right”, utilizado pela marca para definir produtos ajustados às necessidades reais de cada mercado e cliente. Na prática, isto significa oferecer tecnologias diferentes consoante a infraestrutura disponível, o preço da energia, a origem da eletricidade, a regulamentação e as condições de utilização.
Toshihiro Suzuki, presidente da Suzuki Motor Corporation, diz que as condições energéticas, os combustíveis disponíveis e o grau de desenvolvimento das infraestruturas variam muito entre países, o que impede, na perspetiva da marca, a adoção de uma solução tecnológica universal.

Terceiro maior fabricante japonês
A dimensão da Suzuki permite-nos perceber a importância da estratégia apresentada para a próxima década. Em 2025, a marca ultrapassou a Nissan e tornou-se o terceiro maior fabricante japonês de automóveis em vendas mundiais, atrás apenas da Toyota e da Honda.
Este resultado é sustentado pelo peso enorme da Índia na operação. No exercício fiscal que encerrou em março de 2026, as vendas mundiais atingiram 3,32 milhões de unidades, mais 2,4%, das quais 1,86 milhões foram comercializadas no mercado indiano, onde o fabricante ocupa historicamente uma posição de liderança através da Maruti Suzuki.
A Índia é também a principal base industrial da marca. No exercício 2025-2026, a Suzuki produziu no país cerca de 2,35 milhões de automóveis, num total mundial recorde de aproximadamente 3,53 milhões. A comparação com os restantes fabricantes japoneses mostra como o equilíbrio de forças mudou. No mesmo período, a Honda vendeu cerca de 3,39 milhões de carros e a Nissan 3,15 milhões. A diferença entre Honda e Suzuki ficou reduzida só a 67.000 unidades!

Não surpreende, por isso, que a Índia, mercado em crescimento muito acelerado, ocupe uma posição central na estratégia da Suzuki para a próxima década, com o anúncio do reforço como centro de produção e exportação, aumentando a capacidade instalada para cerca de quatro milhões de unidades por ano a partir do exercício fiscal de 2030.
Baterias ajustadas à utilização real
Um dos pontos mais interessantes da nova estratégia está na abordagem aos automóveis elétricos. A Suzuki fala num conceito de “lean battery”, defendendo baterias dimensionadas de acordo com a utilização efetiva dos clientes, em vez de maximizar capacidade e autonomia. O objetivo é reduzir, simultaneamente, o consumo de matérias-primas e o peso dos veículos.
A marca também pretende padronizar os sistemas de baterias, conservando flexibilidade suficiente para selecionar diferentes tecnologias e capacidades em função da região onde cada automóvel é comercializado. Esta abordagem encaixa na filosofia da Suzuki de produzir modelos compactos e leves, mas contrasta com a tendência adotado por diversos fabricantes de aumento contínuo da capacidade das baterias para garantia de autonomias cada vez maiores.

Híbridos em série e novos motores turbo
A estratégia tecnológica não se limita aos elétricos. A Suzuki confirmou o desenvolvimento de sistemas híbridos em série, nos quais o motor de combustão funciona essencialmente como um gerador de eletricidade para alimentar o sistema elétrico de tração. Está previsto o lançamento de um novo sistema híbrido, conhecido internamente como Super Ene Charge, além de uma nova geração de motores turbo de injeção direta a gasolina.
Entre as tecnologias em desenvolvimento encontram-se ainda o S Light, conceito de diminuição do peso sem redução dos níveis de segurança, e o SDV Lite, uma interpretação simplificada do princípio “Software Defined Vehicle”. A intenção é combinar as diferentes tecnologias de acordo com as necessidades específicas de cada mercado, em vez de aplicar a mesma solução a todos os automóveis.
Novos modelos em metade do tempo
A Suzuki prepara, ainda, uma transformação profunda dos processos de engenharia e fabrico, de forma a acompanhar o ritmo da concorrência chinesa. Até 2030, a marca pretende reduzir para metade o tempo necessário para criar automóveis, melhorar em 30% a eficiência do processo de desenvolvimento e aumentar em 50% a eficiência da produção.

Para cumprir estes objetivos, o fabricante pretende aumentar a utilização de engenharia digital, desenvolver produtos e processos industriais em simultâneo e aprofundar a modularização de componentes e plataformas. O propósito é reduzir o intervalo entre a identificação de uma alteração no mercado e o lançamento de um produto capaz de responder à mudança, uma questão cada vez mais importante numa indústria em que os ciclos de desenvolvimento tradicionais estão a ser pressionados pela rapidez dos fabricantes chineses.
Índia também no centro da estratégia energética
O peso da Índia não se limita às vendas e à produção automóvel. A Suzuki também está a desenvolver no país um negócio de biogás integrado na estratégia multienergia. A terceira fábrica deste tipo iniciou a atividade em agosto e utiliza estrume bovino como matéria-prima para produzir biogás, que pode servir de combustível para veículos a gás natural comprimido. Este processo gera ainda fertilizante orgânico, posteriormente devolvido às comunidades locais, criando um modelo de economia circular adaptado à realidade do país.

Esta atividade integra a iniciativa “Japan-India Cooperative Biogas for Growth”, acordada pelos governos do Japão e da Índia em julho, e complementa a utilização significativa de veículos a CNG no mercado indiano. Para a Suzuki, trata-se de mais um exemplo da abordagem multienergia que pretende manter na próxima década: elétricos onde fizerem sentido, híbridos, motores térmicos mais eficientes e combustíveis alternativos adaptados às condições locais.
A combinação destas tecnologias integra o que a marca chama de “Right × Light Mobile Tech”, conceito que junta minimização do consumo energético e maximização do valor para o cliente.





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