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Volvo afunda-se na fiabilidade

A Volvo está comprometida com a eletrificação do automóvel, mas a marca sueca na órbita do consórcio chinês Geely encontra-se confrontado com dificuldades na mudança de paradigma tecnológico, sobretudo na forma de traduzir a herança da “segurança, primeiro” para a era digital. Prova: os problemas com as atualizações remotas de “software” (OTA) e as motorizações híbridas Plug-In (PHEV) e elétricas posicionaram-na em 31.º entre 32 fabricantes no estudo de fiabilidade de 2026 da empresa de análise de mercado e consultoria J.D. Power, com nada menos do que 296 problemas por cada 100 carros! O trabalho realizou-se apenas nos EUA.



No mesmo estudo da J.D. Power, pior do que a Volvo, somente a Volkswagen, com 301 problemas por cada 100 carros, mas a marca alemã não beneficia da imagem nem do posicionamento “premium” do fabricante escandinavo. Em 2025, Volvo na 23.ª posição, com 242 problemas registados. Nesta “prova dos nove” à fiabilidade, consideram-se somente as queixas dos proprietários após três anos de utilização dos carros. Os resultados são taxativos e os suecos não ignoram os factos.

 

A Volvo, no passado recente, deixou de propor carros simples e, por isso, fiáveis. O investimento da marca sueca concentrou-se no desenvolvimento e a produção de geração nova de automóveis, mais luxuosa, sim, mas também muito complexa no plano tecnológico. O impacto foi imediato, com a descida imediata da fiabilidade, devido a problemas de “software”. 240 e 940 eram carros robustos com reparação fácil, mas esta identidade adquirida pelo fabricante durante as décadas de 1970 e 1980, aparentemente, é… passado!



Introdução da SPA, início dos problemas 

E a mudança, na linha do tempo, identifica-se muito facilmente. Em 2010, quando a Geely comprou a Volvo à Ford, investiu-se em plataforma nova, a SPA, a base do XC90 introduzido no mercado em 2016. O plano era introduzi-la em toda a gama e adotar sistemas de segurança e tecnologias de conetividade pioneiros. A ambição era promover a imagem da marca, propondo interiores minimalistas e “premium”. Visualmente, estes carros com monitores digitais de grandes dimensões e (quase) sem comandos físicos impressionavam, mas havia o outro lado da moeda…

 

Os primeiros Volvo baseados na SPA confrontaram-se com muitos problemas nos motores, sobretudo nos equipados com sistemas híbridos, e também dispunham de sistemas multimédia que bloqueavam frequentemente. A marca mudou para a tecnologia Android Automotive, mas a opção trouxe problemas novos. Em 2019, a marca encontrava-se já mal posicionada no estudo de fiabilidade da J.D. Power e a situação agravou-se de ano para o ano. De resto, até a Toyota, outrora a referência em matéria de fiabilidade, está confrontada com “contratempo” do mesmo tipo. O padrão é consistente: mais complexidade técnica e tecnológica, mais problemas!



Elétricos e híbridos Plug-In menos fiáveis 

E os estudos da J.D. Power provam que os automóveis com motorizações elétricas e híbridas Plug-In têm mais problemas (212 por 100 carros nos primeiros e 237 nos segundos). E a Volvo, quando passou a “vender” estilos de vida em vez de viaturas, como fizeram as rivais alemãs, o que significa mais “design” e tecnologia, e menos engenharia de qualidade, independentemente do aumento nas vendas, sacrificou a fiabilidade.

 

No estudo de 2026, Lexus primeira entre as marcas “premium”, o que sucede pelo quarto consecutivo (151 problemas por 100 carros após três anos de utilização), e Buick número um entre os fabricantes generalistas (160).

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