911 recupera contas da Porsche
A Porsche recuperou fortemente os níveis de rentabilidade durante os primeiros nove meses do ano, com um progresso no resultado operacional de somente 40 milhões de euros de janeiro a setembro de 2025 para 1,74 mil milhões de euros durante o período homólogo deste ano, mesmo registando uma quebra de 16% nas vendas mundiais. O 911 foi o único automóvel na gama da marca alemã que registou aumento das entregas (12%), confirmando a importância crescente das versões mais caras e rentáveis na nova estratégia do fabricante.

A Porsche, recorde-se, implementou plano de reestruturação para reduzir custos, diminuir a dependência dos volumes de produção elevados e concentrar recursos nos modelos que garantem margens de lucro maiores. Os encargos associados a essa transformação tinham atingido os 2,7 mil milhões de euros só nos primeiros nove meses de 2025, o que reduziu a margem operacional para apenas 0,2%.
Entre janeiro e setembro deste ano, a margem recuperou para 6,9%, mesmo se a faturação recuou 5,9%, para 25,28 mil milhões de euros. A queda nas receitas foi, assim, muitíssimo inferior à redução de 16% nas entregas, o que reflete os preços mais elevados e o “mix” comercial mais favorável.
A Porsche entregou 178.532 automóveis nos primeiros nove meses do ano, contra 212.509 no mesmo período de 2025. O 911 destacou-se, com aumento de 12% na procura, para 42.217 exemplares. Esse crescimento deveu-se, principalmente, às versões GTS, Turbo e GT, as mais caras e com margens maiores.

Já a procura dos demais Porsche recuou: 2% no Cayenne, 21% no Macan, 35% no Panamera, 31% no Taycan 31% e 79% no 718 (Boxster ou Cayman), gama que teve a “performance” condicionada pelo fim da produção da geração atual.
A China mantém-se entre as razões por detrás das “dores de cabeça” da Porsche, com as entregas da marca no maior mercado automóvel do mundo a abrandarem 33%, para 21.493 automóveis. Na América do Norte, região mais importante para a empresa, recuou de 13%, para 56.088. E os registos também desaceleraram na Europa (11%) e na Alemanha (7%), para 44.949 e 20.954 carros, respetivamente.

Menos volume, maior margem
Esta recuperação dos resultados enquadra-se na estratégia “Value over Volume”, através da qual a Porsche pretende reduzir a importância do volume de produção e concentrar-se nos automóveis mais rentáveis. O programa passa por não fazer mais do que cerca de 200.000 unidades por ano, contra as 261.341 de 2025 ou o recorde de 336.280 em 2024.
A administração da marca entende que este é o volume necessário para atingir o ponto de equilíbrio, simplificar a estrutura, reduzir despesas de desenvolvimento e diminuir custos de vendas e distribuição. Esta reestruturação, recorda-se, inclui a eliminação de mais de 9000 postos de trabalho até 2035 e de 40% dos cargos de gestão.

Em paralelo, a Porsche pretende reforçar o posicionamento no topo do mercado, aumentando o peso das versões exclusivas, dos programas de personalização e dos modelos orientados para uma utilização apenas em circuito. A marca admite aumentar em 20% os preços dos automóveis mais exclusivos e posicionar carros novos acima do 911, de forma a aproximar dos níveis de rentabilidade registados por fabricantes de automóveis desportivos e de luxo que trabalham com volumes de produção muitíssimo inferiores.
A Porsche mantém as previsões para este ano: receitas de 35 a 36 mil milhões de euros e margem operacional entre 5,5% e 7,5% – a segunda baixou para 1,1% em 2025, mas anuncia-se a ambição de regressar rapidamente aos dois dígitos, com 15% como objetivo de longo prazo.






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