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Trump põe Audi debaixo de fogo

há 4 minutos
2 min de leitura

O alemão Gernot Döllner, administrador-delegado da Audi, anunciou ao lado de Donald Trump, presidente dos EUA, os planos para a construção de uma fábrica no estado da Geórgia, projeto que pressupõe um investimento na ordem dos 3,6 mil milhões de euros, acontecimento muito contestados por representantes dos trabalhadores da marca do Grupo Volkswagen.



A razão para as críticas percebe-se facilmente: Döllner fez o anúncio durante um comício Donald Trump em Perry, na Geórgia. A presidente do poderoso sindicato alemão IG Metall classificou a participação do CEO da Audi no evento como algo “muito embaraçoso” e “politicamente inaceitável”.


Na primeira fábrica nos EUA, como informámos oportunamente, a Audi prevê criar cerca de 4500 postos de trabalho e produzir até 200.000 automóveis por ano. Esta unidade será construída a partir de 2027 e tem arranque da produção programado para o início da próxima década.


Christiane Benner, presidente da IG Metall e “vice” do Conselho de Supervisão do Grupo Volkswagen, acusa Döllner de ter violado as regras de neutralidade política da Audi e do consórcio, que restringem as participações públicas com candidatos a eleições nos três meses anteriores a uma votação. E Daniela Cavallo, presidente do conselho de trabalhadores do fabricante, acusou o mesmo responsável de ter prestado “apoio ativo à campanha” de Trump.



Estes factos registaram-se a 10 dias das eleições intercalares norte-americanas, marcadas para 3 de novembro, nas quais serão renovados todos os 435 lugares da Câmara dos Representantes e cerca de um terço dos lugares do Senado dos EUA. Trump apresentou o investimento da Audi como uma demonstração de que a política de tarifas sobre as importações adotado pela sua administração está a incentivar fabricantes estrangeiros a transferirem produção para os EUA.


Gernot Döllner defendeu a decisão de participar no evento, argumentando que a aceitação do convite não é mais do que a demonstração de respeito “pelo cargo e pelo país onde investimos”.



Q7, Q8 e Q9 para produzir nos EUA

A fábrica na Geórgia deverá produzir três Sport Utility Vehicles (SUV) da Audi (Q7, Q8 e Q9), automóveis que a marca, atualmente, fabrica na Europa. Ao contrário de BMW e Mercedes-Benz, os seus concorrentes “premium”, a Audi não dispõe de unidade industrial nos EUA e importa os automóveis que vende naquele país da Europa e do México. E as tarifas de Trump, só no último ano, terão custado à subsidiária do Grupo Volkswagen cerca de 1200 milhões de euros.


A produção nos EUA elimina a fragilidade e reduz a exposição, mas cria problema. O Grupo Volkswagen está a executar um dos maiores planos de reestruturação da sua história, com redução de emprego e da capacidade produtiva na Europa. A IG Metall não contesta a construção da fábrica na Geórgia, mas pede garantias para o futuro das fábricas e dos trabalhadores na Alemanha. E a empreitada necessita da aprovação do Conselho de Supervisão do Grupo Volkswagen, órgão em que os representantes dos trabalhadores ocupam metade dos lugares.

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