China e EUA “tramam” Volvo Cars
A Volvo Cars anunciou plano para a eliminação de cerca de 2500 postos de trabalho em todo o mundo, número que representa cerca de 6% da força laboral do fabricante sueco que acionista de referência chinês – a Geely comprou-a à Ford em 2010 e, 2021, com a entrada em bolsa, em Estocolmo, essa participação foi reduzida para 78,7% –, depois de ter terminado o terceiro trimestre do ano com um prejuízo operacional de 3,7 mil milhões de coroas suecas (cerca de 332 milhões de euros). A deterioração dos resultados deve-se, sobretudo, aos resultados na China e EUA.

Esta nova redução de efetivos deverá estar concluída em meados de 2027 e concentrar-se-á na Suécia, onde serão eliminados cerca de 2000 empregos. A empresa prevê fazê-lo através da não renovação de contratos de consultoria, saídas normais e programas específicos de rescisão.
As medidas surgem depois dos 3000 postos de trabalho eliminados no âmbito do programa de redução de custos lançado em 2025. Inicialmente avaliado em 18 mil milhões de coroas suecas (cerca de 1,62 mil milhões de euros), esse plano foi depois reforçado em mais 5 mil milhões de coroas (449 milhões de euros).
Agora, perante o agravamento das condições de mercado, o fabricante escandinavo pretende reduzir outros 5 mil milhões de coroas suecas (449 milhões de euros) em custos indiretos e variáveis até ao final do próximo ano. Considerando as diversas medidas anunciadas desde 2025, o esforço acumulado de redução de custos ascende a cerca de 28 mil milhões de coroas (2,52 mil milhões de euros).

China pressiona resultados
A deterioração dos resultados deve-se ao desempenho da empresa na China, onde as receitas da Volvo Cars diminuíram quase 50% durante o terceiro trimestre, num mercado marcado tanto pela forte pressão sobre os preços como pelo crescimento dos fabricantes locais.
Segundo a agência Reuters, a Volvo decidiu privilegiar a rentabilidade em detrimento da quota de mercado na China, recusando acompanhar a crescente guerra de preços. Hakan Samuelsson reconheceu ainda que a marca deveria ter percebido mais cedo a necessidade de adotar uma estratégia mais orientada para aquele mercado.
A resposta passa por desenvolver automóveis mais adaptados às exigências chinesas e por recorrer a componentes e tecnologias do consórcio Geely. Dos 13 novos modelos previstos pela Volvo até ao final da década, seis serão desenvolvidos para a China, e Samuelsson não espera uma melhoria significativa dos resultados no maior mercado mundial antes da introdução desses produtos.
O mesmo responsável admitiu também que deixou de funcionar a antiga fórmula de desenvolver automóveis globais na Europa e vendê-los na China com um posicionamento “premium”. A estratégia futura terá, por isso, de assentar numa maior regionalização dos produtos, das plataformas e do “software”.

Resultados deterioram-se
A Volvo Cars faturou 66,9 mil milhões de coroas suecas (cerca de 6,01 mil milhões de euros) no terceiro trimestre do ano, menos 23% do que os 86,4 mil milhões de coroas (7,76 mil milhões de euros) registados no mesmo período de 2025. O resultado operacional passou de um lucro de 6,4 mil milhões de coroas suecas (575 milhões de euros) para um prejuízo de 5,6 mil milhões (503 milhões de euros), enquanto a margem bruta recuou de 20,4% para 14,7%.
Nos EUA, a Volvo aponta para os impactos negativos das tarifas alfandegárias e o fim dos incentivos à compra de automóveis eletrificados como fatores de pressão sobre as margens. O trimestre foi ainda penalizado em 1,1 mil milhões de coroas (cerca de 99 milhões de euros) pela reavaliação dos créditos associados às normas de emissões CAFE e em 900 milhões de coroas (81 milhões de euros) pelo reconhecimento das perdas da Polestar.
A Europa continua a representar o mercado mais resistente para a marca. Os automóveis elétricos significaram 32% das vendas mundiais da Volvo no trimestre, contra 22% um ano antes, enquanto o conjunto dos elétricos e híbridos Plug-In atingiu 53%. No continente, os elétricos correspondem já a 45% dos registos da marca.

Mais sinergias com a Geely
A redução de custos passa por uma maior integração com a Geely, que controla a Volvo Cars. A empresa pretende aumentar o número de fornecedores comuns e utilizar mais componentes e plataformas partilhados entre as diferentes marcas do grupo chinês. Nos EUA, a marca pretende aumentar a produção na fábrica de Charleston para reduzir a exposição às tarifas.
“Foi um terceiro trimestre muito dececionante e que reflete um ano que se tornou muito mais difícil do que antecipávamos. O nosso plano de recuperação necessita, por isso, de um reforço decisivo”, reconheceu Hakan Samuelsson.






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