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Ao volante do “novo” Alfa Romeo Tonale

29 de out. de 2025
6 min de leitura

O Alfa Romeo Tonale de 2022 foi revisto na imagem exterior e interior, recebeu uma versão híbrida mais potente e pequenas alterações no chassis que apuraram um comportamento que posiciona o modelo italiano entre as referências dinâmicas da categoria em que concorre. Conduzimos a nova versão do Sport Utility Vehicle (SUV) compacto



O Tonale não precisava de uma revolução e a Alfa Romeo também a faz. Quatro anos depois do lançamento do primeiro C-SUV da marca italiana, chegou o momento de o modelo beneficiar de uma atualização, que está concentrada na imagem, no interior, na gama e em alterações de detalhe na dinâmica. Esta intervenção procurou acentuar precisamente o que sempre diferenciou este modelo da maioria dos concorrentes: uma condução mais próxima de um automóvel convencional do que de um SUV.


A novidade mais importante encontra-se sob o “capot” da versão híbrida. O motor 1.5 Turbo de 4 cilindros passa a contribuir para uma potência combinada de 175 cv, mantendo o sistema “mild hybrid” de 48 V, a caixa automática de dupla embraiagem e 7 velocidades e a tração dianteira. Na gama portuguesa, mantêm-se o 1.6 Diesel de 130 cv e o híbrido Plug-In Q4, que passa a propor 270 cv.



Muda só na dose necessária

Visualmente, não é difícil reconhecer o Tonale que chegou ao mercado em 2022. A Alfa Romeo preservou desenho que envelhe bem e concentrou a intervenção na dianteira, onde surge um novo Scudetto tridimensional côncavo, acompanhado por uma interpretação diferente do Trilobo e por entradas de ar inferiores redesenhadas.


São alterações suficientemente discretas para não descaracterizarem o modelo, mas que lhe dão uma aparência mais baixa e larga. E há alguma substância por detrás dessa impressão: as vias foram alargadas em 8 mm. Mantêm-se os 2,636 m entre eixos. Há também novas jantes, incluindo as Stile de 19’’ e as Fori de 20’’ (as segundas são mais leves), enquanto os emblemas Alfa Romeo passam a combinar preto e branco. A paleta cresce para oito cores, três novas: Rosso Brera, Verde Monza e Giallo Ocra.


Não parece muito numa atualização de meia-vida, mas também não havia grande necessidade de mudança. Neste ponto, o Tonale gera mais consensos do que dissensos.



Interior mais bem cuidado

O mesmo princípio foi aplicado ao habitáculo. A arquitetura permanece quase inalterada, incluindo a instrumentação digital de 12,3’’ e o monitor central de 20,12’’ do sistema de infoentretenimento Alfa Connect, mas existem novos revestimentos, cores e pequenos detalhes que melhoram a perceção de qualidade. Existem bancos em pele vermelha ou Alcantara bicolor preta e branca, costuras contrastantes e, nas versões mais equipadas, bancos dianteiros com regulação elétrica, aquecimento e ventilação.


Na edição de lançamento Sport Speciale, iluminação ambiente multicor com um grafismo inspirado no Biscione.

A alteração funcional mais evidente encontra-se na consola central. O antigo comando da transmissão dá lugar a um seletor rotativo, deixando a área mais limpa e prática. Permanecem as grandes patilhas fixas em alumínio atrás do volante para o comando sequencial do programa manual da caixa automática, uma solução cada vez mais rara e um dos detalhes que melhor recorda ao condutor que está aos comandos de um Alfa Romeo.



Mais ágil do que a maioria dos SUV

É ao volante que o Tonale continua a marcar a diferença entre os SUV compactos. A posição de condução é relativamente elevada, como seria de esperar, mas o volante pequeno, as grandes patilhas fixas em alumínio e, sobretudo, uma direção com uma desmultiplicação muito rápida de 13,6:1 dão-lhe imediatamente uma atitude diferente da generalidade dos concorrentes.


Basta pouco movimento de volante para colocar a frente onde pretendemos e o Tonale muda de direção com rapidez, transmitindo uma sensação inicial de agilidade que não é habitual num SUV do segmento C. A contrapartida é uma assistência bastante pronunciada e pouca informação a chegar ao condutor. É uma direção mais veloz do que comunicativa. Neste ponto, Tonale aquém do “irmão” maior, o Stelvio.



O alargamento das vias em 8 mm não mudou muito o comportamento, mas contribui para aumentou a solidez do automóvel na estrada. O Ibrida beneficia ainda de uma vantagem importante relativamente ao Plug-In: pesa cerca de 300 kg menos. E isso sente-se nas mudanças de apoio e na forma mais natural como a carroçaria reage quando se aumenta o ritmo.


A suspensão mantém um compromisso orientado para a otimização do controlo dos movimentos da carroçaria, mas sem tornar o Tonale desconfortável. Mesmo em piso degradado, o Alfa Romeo absorve bem irregularidades mais pronunciadas e, sobretudo no híbrido mais ligeiro, consegue conjugar esta qualidades com um nível de conforto adequado a uma utilização diária.


Não é um SUV que esconda completamente a altura ou a massa, mas entra em curva com prontidão e revela menos tendência para alargar a trajetória do que a maioria dos rivais. Quando o ritmo aumenta, percebe-se, contudo, que a rapidez da direção cria expectativas que o restante chassis não consegue acompanhar.



Híbrido mais potente, mas não desportivo

A principal novidade mecânica encontra-se no Tonale Ibrida. O 4 cilindros 1.5 Turbo é apoiado por sistema elétrico de 48 V e caixa automática TCT de dupla embraiagem e 7 velocidades. Este sistema, agora, proporciona uma potência combinada de 175 cv.


A eletrificação permite arrancar e movimentar o automóvel a baixa velocidade só com o motor elétrico, cumprindo-se determinados requisitos, e desliga o motor de combustão nas fases de desaceleração. A passagem entre as duas fontes de energia está mais bem dissimulada e, numa condução normal, o sistema trabalha com suavidade, sem obrigar o condutor a pensar demasiado no que está a acontecer mecanicamente.



Os 175 cv dão ao Tonale fôlego mais do que suficiente (8,5 segundos de 0 a 100 km/h e 212 km/h de velocidade máxima), mas não transformam esta versão numa proposta muito desportiva. A resposta é progressiva e suficientemente vigorosa nas recuperações, embora o 4cilindros se torne bastante mais audível quando é obrigado a trabalhar perto dos regimes superiores.


Também a caixa de dupla embraiagem funciona melhor numa condução fluida do que quando se utilizam as patilhas em alumínio. Numa condução quotidiana, o sistema escolhe as relações adequadas e contribui para a suavidade do conjunto, mas as passagens não têm a rapidez desportiva proposta pela apresentação e registam-se algumas hesitações sempre que se toda a potência disponível.


Conduzido depressa, o Tonale tem uma frente que responde de imediato, um chassis que mantém os movimentos bem controlados e um motor que possui disponibilidade suficiente para conservar um ritmo elevado.



Ainda há mecânica Diesel

Numa altura em que vários concorrentes abandonaram completamente este tipo de motorização, a Alfa Romeo mantém também o 1.6 Diesel de 130 cv, combinado com uma caixa automática TCT de 6 velocidades e tração dianteira.


Para este modelo, a marca anuncia 10,9 segundos de 0 a 100 km/h, 195 km/h de velocidade média e consumo médio entre 5,3 e 5,5 l/100 km.


O Ibrida Plug-In Q4 de 270 cv, único Tonale com tração integral, posiciona-se no extremo oposto da gama. Combina um motor 1.3 Turbo a gasolina com eletrificação dos dois eixos e uma bateria de 15,5 kWh de capacidade. Acelera de 0 a 100 km/h em 6,6 segundos, atinge 195 km/h e percorre até 61 km de forma 100% elétrica (WLTP) - até 81 km numa utilização urbana. O carregador de bordo admite carregamentos de até 7,4 kW (carga completa em cerca de 2h30).



Quatro níveis de equipamento

Na gama, quatro níveis de equipamento: Tonale, Sprint, Ti e Veloce. Mesmo a versão de entrada inclui faróis Full LED, jantes de 17’’, painel digital de 12,3’’, ecrã central de 10,25’’, Apple CarPlay e Android Auto sem fios, climatização automática de duas zonas, acesso sem chave e um conjunto abrangente de sistemas de assistência à condução.


Em Portugal, preços desde 43.800 € (Tonale Ibrida). O Alfa Romeo encaixa-se entre os SUV compactos generalistas mais potentes e as propostas “premium” alemãs.

A Sprint acrescenta uma apresentação mais desportiva, jantes de 18’’, iluminação ambiente e navegação, enquanto a Ti aposta no conforto e nos materiais, por isso incluindo bancos em pele com regulações elétricas, aquecimento e ventilação. A Veloce permanece no topo da gama e junta jantes Stile de 19’’, faróis Matrix LED, pinças Brembo vermelhas e suspensão eletrónica DSV. Acima, mas só temporariamente, posiciona-se a edição de lançamento Sport Speciale, distinguida pelo interior em Alcantara preto e branco, detalhes exteriores específicos e equipamento mais completo.

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