Toyota Hilux: presente e futuro
Toyota Hilux prepara-se para capítulo novo em história tão bem-sucedida como longa, que combinando o ADN de robustez (e capacidades para utilização fora de estrada…) com desenvolvimentos muito significativos tanto no desenho como na tecnologia. E, à nona geração, a “pick-up” rende-se às modas e ganha motorização elétrica, a alternativa à versão Diesel, que também tem sistema de eletrificação (MHEV).
Ícone da Toyota e “pick-up” entre as mais vendidas em todo o mundo, o Hilux apresentasse-nos na nona geração, que dá continuidade à história iniciada em 1968 e rendeu já mais de 27 milhões de unidades. A popularidade do modelo e enorme em mercados como o argentino e o tailandês, onde a robustez, a capacidade de carga e a versatilidade de utilização são muito determinantes.
Na Europa, cenário distinto, a categoria representa muito menos vendas. Mas, também aqui, Toyota em posição de destaque, com 20% de quota de mercado em 2025 (46.101 unidades). Em Portugal, Hilux no topo da lista, com 29% dos registos, à frente de Ford Ranger e Isuzu D-Max, ambas com 21%.

Foi neste contexto que três divisões da Toyota (Tailândia, Europa e Austrália) colaboraram no desenvolvimento da nova geração Hilux, processo que considerou o “feedback” dos clientes profissionais e particulares para propor automóvel muitíssimo bem-adaptado às exigências e necessidades do maior número possível de utilizadores. Resultado: progressos relevantes na qualidade percebida e na funcionalidade. Na gama, duas motorizações: Diesel “mild-hybrid” (MHEV, 48 V) e elétrica (BEV).
O desenho, produzido na Austrália, adota a linguagem mais recente da marca nipónica, facto que explica a aproximação à imagem de automóveis como o RAV4. Destacam-se, sobretudo, a faixa preta na dianteira com a inscrição por extenso do nome da marca, a grelha em padrão de “favos de mel” (apresenta-se fechada na versão elétrica, que tem menos necessidades de refrigeração) e os faróis esguios com LED. O para-choques dispõe de proteções inferiores em cinzento e conta-se com estribos laterais e jantes de 17’’ ou 18’’. E a versão BEV distingue-se por contar com diversos apontamentos estéticos específicos, nomeadamente guarda-lamas pintados na cor da carroçaria.

Vocação fora de estrada
O novo Hilux (5,320 m de comprimento e 3,085 m entre eixos) mantém dimensões generosas e arquitetura baseada num chassis de longarinas, essencial para aplicações mais exigentes. A estrutura apresenta-se reforçada (aumento da rigidez e da segurança. Na versão elétrica, a bateria encontra-se instalada em zona protegida e tem 59,2 kWh de capacidade.
As aptidões para a condução fora de estrada continuam entre os argumentos do Toyota, com demonstram os ângulos de ataque e saída, de 29º e 24º, respetivamente, ou a capacidade de passagem a vau (700 mm). Existem, todavia, diferenças entre motorizações. Com o Diesel, a altura ao solo é de 309 mm – na elétrica, não excede os 212 mm, o que tem impacto tanto no ângulo ventral (baixa de 23º para 20º) e na inclinação máxima de subida (34.º “contra” 42º)… Estas diferenças resultam a integração da bateria no piso, componente que também origina aumento de cerca de 245 kg no peso (total de 2420 kg). As capacidades de carga e reboque também são diferentes: até 1025 kg e 3500 kg, respetivamente, no Diesel, 710 kg e 1600 kg no BEV.
Mais qualidade no habitáculo
O interior evolui significativamente na qualidade percebida e na ergonomia. O novo volante, os melhores materiais e o aumento dos espaços de arrumação aproximam este Hilux do que encontramos nos SUV modernos. Nas versões mais bem equipadas, revestimentos em pele sintética com pespontos contrastantes e consola em posição sobrelevada.
Os bancos dianteiros têm novo desenho, podem contar com regulações elétricas e oferece melhores apoios. Em termos tecnológicos, no painel de bordo, monitores digitais tanto para a instrumentação (7’’ ou 12,3’’, dependendo da versão, ambos com modos de apresentação Casual, Smart, Tough ou Sporty), como para o sistema multimédia (9’’ ou 12,3’’ e associação à aplicação da Toyota e conectividade sem fios para sistemas Android Auto e Apple CarPlay). Na consola, comandos dos sistemas de tração e dos modos “off-road”, e novo seletor “shift-by-wire” da caixa de velocidades.

Diesel no topo das preferências
A Toyota, apesar da adoção da versão elétrica, antecipa que o motor turbodiesel eletrificado continuará no topo das preferências dos clientes, tanto pela maior versatilidade de utilização que proporciona, como pela ausência de limitações no domínio da autonomia.
O motor de 4 cilindros e 2,8 litros com 204 cv e 500 Nm é apoiado por sistema “mild-hybrid” de 48 V com motor-gerador de 12 cv (8,5 kW) alimentado por bateria de iões de lítio montada debaixo dos bancos traseiros. Esta tecnologia melhora a eficiência e, sobretudo, a resposta nos baixos regimes, tornando os arranques e as recuperações mais suaves e eficazes, além de otimizar o funcionamento do “start-stop”.
Na condução, sobressaem a robustez e a disponibilidade de binário. Existem diversos modos de condução e o sistema Multi-Terrain Select (MTS) adapta a tração às condições do terreno: inclui os programas Dirt, Mud, Deep Snow e Auto. E somam-se as redutoras (L4) e o bloqueio de diferencial, recursos que permitem transpor (quase) todos os tipos de obstáculos durante a condução fora de estrada.
Em condições exigentes, como as enfrentadas na Bulgária, sob chuva intensa e lama, o Hilux demonstra grande capacidade de progressão e segurança, confirmando a sua reputação. Em estrada, o Toyota surpreendente tanto pela previsibilidade de reações, como pelo conforto. A versão Diesel tem caixa automática de 6 velocidades com funcionamento a rever.

BEV: a nova era elétrica
A maior novidade desta nona geração é a versão BEV com dois motores elétricos, para tração integral permanente (AWD) e potência combinada de 196 cv. O binário distribui-se pelos dois eixos, com a entrega de 206 Nm ao dianteiro e de 270 Nm ao traseiro. A bateria é do tipo NMC e tem 59,2 kWh de capacidade (apenas 54 kWh são úteis) e refrigeração líquida. A autonomia anunciada pela marca é de até 257 km em ciclo combinado WLTP (até 380 km em cidade!). A potência máxima de carregamento é de 125 kW em corrente contínua (10% a 80% em 0h30) e 10 kW em corrente alternada (carga completa em 6h30).
A versão elétrica beneficia de reforços estruturais e de uma suspensão traseira De Dion, com afinação específica para melhorar o comportamento. E também possui o modo de condução Mogul preparado para enfrentar pisos muito irregulares.
Fora de estrada, a entrega imediata do binário permite superar quase todos obstáculos – até sob condições adversas –, devido à distribuição inteligente da energia entre eixos. Apesar da altura ao solo mais reduzida, a versão BEV, nestes ambientes, não perde muito para a Diesel. Em estrada, resposta imediata e suavidade de rolamento como características principais.

Gama e preços em Portugal
No mercado nacional, três níveis de equipamento para a motorização Diesel (Caixa Metálica, Tracker e Invincible) e dois para a elétrica (Caixa Metálica e Tracker). Na versão básica, entre os itens propostos, jantes de aço e 17’’, monitor tátil de 9’’, painel de instrumentos TFT de 7’’ e diversos sistemas de assistência à condução. Na Tracker, jantes de liga leve, de 17’’, faróis LED, volante em pele, bancos aquecidos, sistema de som com oito altifalantes e multimédia com monitor de 12,3’’. Na Invincible, jantes de 18’’, bancos em pele, sistema de som da JBL e instrumentação digital num ecrã de maiores dimensões.
Preços: 49.500 € para a versão 2.8 Diesel Hybrid 48 V Caixa Metálica com três lugares – cinco lugares, 59.200 €. A Hilux BEV tem preços desde 69.400 € (Caixa Metálica, cinco lugares). Os montantes indicados incluem a taxa de IVA, de 23%.






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