top of page
Logotipo | e-auto

Toyota pede à Europa menos protecionismo

há 3 horas
4 min de leitura

A Toyota, maior fabricante mundial de automóveis, defende que União Europeia (EU) deve reconhecer Reino Unido, Turquia e Japão como parceiros industriais de confiança e pede a Bruxelas que adote regulamentação mais flexível nas metas de redução de CO2 para 2030 e 2035 – e neutralidade tecnológica!



A Toyota pretende que a UE substitua uma interpretação “fechada” da futura regulamentação “Made in Europe” (significa “Feito na Europa”, traduzido do inglês para o português) por uma abordagem mais abrangente, que designa por “Made with Europe” (“Feito com a Europa”) e que reconheça o contributo de parceiros industriais próximos como Reino Unido, Turquia e Japão. Para o fabricante nipónico, a competitividade europeia no setor dependerá tanto da capacidade industrial instalada no continente como da escala proporcionada pelas cadeias de fornecimento e pelos mercados que lhe estão associados.


Esta posição surge numa altura em que Bruxelas prepara o “Industrial Accelerator Act” e a revisão das regras aplicáveis à indústria automóvel, incluindo as metas de CO2 para 2030 e 2035. A Toyota defende a manutenção de objetivos ambientais ambiciosos, mas considera indispensável adaptá-los à procura real, permitir diferentes tecnologias de descarbonização e dar aos fabricantes tempo suficiente para ajustarem produto, produção e cadeias de fornecimento.



“A Toyota não é uma ‘convidada’ na Europa. Consideramo-nos um fabricante europeu e queremos que esta indústria seja muito bem-sucedida”, diz Yoshihiro Nakata, presidente e administrador-delegado da Toyota Motor Europe. A marca encontra-se no continente há mais de seis décadas e, atualmente, dispõe de oito unidades de produção em seis países: Portugal, Reino Unido, França, Polónia, República Checa e Turquia. E, por isso, mais de três quartos dos Toyota vendidos na região são produzidos localmente (no nosso País, a marca mantém a unidade Toyota Caetano Portugal, em Ovar).


A dimensão global da Toyota reforça a importância da argumentação apresentada. O consórcio nipónico, em 2025, manteve a liderança mundial das vendas pelo sexto ano consecutivo, com 11,3 milhões de unidades comercializados.



“Made with Europe” em vez de “Made in Europe”

A Toyota também diz concordar com o objetivo europeu de reforçar a produção local, mas considera que limitar os apoios aos automóveis montados apenas na UE reduziria muito a escala necessária para competir globalmente. Incluindo Reino Unido, Turquia e Japão, o mercado considerado pela marca nipónica aproxima-se das 31 milhões de automóveis. Por isso a marca propõe que estes países sejam reconhecidos como parceiros de confiança, desde que exista reciprocidade comercial e condições equivalentes de acesso aos respetivos mercados.


A Toyota defende ainda que os requisitos de conteúdo europeu sejam introduzidos progressivamente, chegando aos 70% ao fim de três anos, calculados com base no valor do automóvel à saída da fábrica. Nesta avaliação deveriam também contar atividades como engenharia, investigação e desenvolvimento e montagem final.


A marca considera que requisitos relevantes de localização não deverão entrar em vigor antes de 2030, respeitando os ciclos de desenvolvimento dos automóveis e os investimentos já realizados nas cadeias de fornecimento, contesta um eventual limite de 85% para a produção destinada às vendas globais, considerando mais realista uma meta de 70%. E defende que contratos públicos, incentivos e regras para frotas empresariais deverão obedecer ao mesmo conjunto de critérios, permitindo que automóveis produzidos com parceiros considerados de confiança sejam tratados em condições equivalentes.



Mais flexibilidade nas metas de CO2

A posição da Toyota estende-se às futuras normas europeias de emissões. A marca considera que os elétricos a bateria deverão representar cerca de 45% das vendas de automóveis novos em 2030, abaixo dos mais de 55% que, segundo as suas estimativas, seriam necessários para cumprir os objetivos atuais da UE.


Propõe-se, por isso, um período de transição de cinco anos, de 2028 a 2032, e apoia-se uma redução de 90% das emissões de CO2 em 2035, comparativamente aos níveis de 2021.No entanto, ao contrário da nova posição conjunta defendida por França e Alemanha, a Toyota admite que os restantes 10% possam ser compensados através de flexibilidades associadas a combustíveis renováveis e aço de baixo carbono.


Para os veículos comerciais ligeiros, a marca japonesa defende regras específicas, com uma diminuição de 35% das emissões de O2 em 2030 e de 80% em 2035, considerando que as necessidades de autonomia, carga útil e disponibilidade destas viaturas tornam o processo de eletrificação mais difícil. A Toyota quer ainda que automóveis capazes de funcionar exclusivamente com combustíveis renováveis elegíveis sejam considerados veículos de emissões zero e pede avaliações periódicas dos objetivos, se a procura por elétricos ou o desenvolvimento das infraestruturas de carregamento ficarem abaixo do previsto.


Os automóveis com pilha de combustível a hidrogénio (Fuel Cell ou FCEV) deverão, por seu lado, ficar excluídos dos requisitos de conteúdo local, de forma temporária, até que exista uma cadeia de fornecimento e um mercado europeu suficientemente desenvolvidos.



Reino Unido deve acompanhar Europa

A Toyota, nesta reação, defende a adoção da mesma política pelo Reino Unido, onde mantém produção de automóveis, motores e outros componentes. A marca apoia a revisão do mandato britânico para veículos de emissões zero e recomenda uma maior aproximação de Londres às regras de Bruxelas.


Para 2030, a Toyota propõe que os veículos de emissões zero representem, no máximo, 50% das vendas de ligeiros de passageiros e 40% dos comerciais ligeiros, acompanhados de mecanismos de flexibilidade. E quer também que Londres defina desde já o enquadramento para 2035 e reconheça os combustíveis renováveis como uma possível ferramenta de descarbonização.


“O isolamento enfraquece-nos. A Europa tem as capacidades, as pessoas e os parceiros de confiança para liderar, mas a legislação deve refletir o ritmo a que os clientes são capazes e estão dispostos a mudar”, resume Matt Harrison, membro da direção da Toyota Motor Europe.


Neste contexto, a Toyota propõe a transformação do “Made in Europe” em “Made with Europe”: proteger e reforçar a indústria instalada no continente, mas sem fechar as fronteiras às relações industriais que, no entender do fabricante, podem garantir a escala necessária para competir com China e EUA.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
e-auto - blillboard 970x250px.png
bottom of page