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Campeões de autonomia: Dacia Duster Eco-G e Dacia Bigster Hybrid-G 4x4

A Dacia também tem programa de eletrificação com ambições, mas a marca romena do Grupo Renault insiste, e bem, na exploração de territórios que atraem menos construtores, como o da mobilidade com custos controlados e, por isso, mais acessível. Duster Eco-G e Bigster Hybrid-G, teoricamente, contam com mecânicas a gasolina e GPL que permitem conduzir mais quilómetros por menos dinheiro. Prova dos nove…



O contexto económico-político internacional é de incerteza, como vemos no sobe e desce do preço dos combustíveis. Nestes momentos, contando-se o dinheiro e pretendendo-se, ainda assim, comprar automóvel novo, recomenda-se pragmatismo, sobretudo procurando-se um carro com custos de utilização reduzidos. A Dacia, marca que conseguiu impor-se num mercado muito competitivo, tem duas propostas que mais do que satisfazem esta exigência/necessidade: Duster Eco-G 120 Auto e Bigster Hybrid-G 150 4x4. O primeiro é bicombustível (gasolina/GPL). O segundo também conta com tecnologias eletrificadas. E, nos dois, percorremos mais quilómetros por menos dinheiro! No entanto, têm soluções técnicas diferentes, razão por detrás deste “mano a mano”.



Tecnicamente, o Duster Eco-G é muito mais simples. No Sport Utility Vehicle (SUV) do segmento B, encontra-se um motor 1.2 Turbo que funciona a gasolina e GPL. Na configuração Eco-G 120 da mecânica de 3 cilindros, mantém-se a sobrealimentação turbo, mas há injeção indireta em vez de direta, o que diminui a complexidade e aumenta a robustez. A unidade rende 120 cv e 197 Nm, e a transmissão aciona apenas o eixo dianteiro. A caixa automática tem seis velocidades e dupla embraiagem. Na racionalidade, este carro é “campeão”: o custo do GPL é muito inferior ao da gasolina e o sistema não penaliza o espaço a bordo de forma importante nem obriga o condutor a mudanças nos hábitos de utilização.


No Bigster Hybrid-G 150 4x4, combinam-se três tecnologias: sistema híbrido de 48 V, alimentação bifuel gasolina/GPL e sistema de tração integral eletrificado. Desta forma, a Dacia consegue propor eficiência energética, menores custos de utilização e capacidades (reais) de condução fora de estrada, sem comprometer uma imagem de marca importante: a simplicidade.


 

O “ponto de partida” é, também, o 1.2 Turbo. Aqui, o motor é apoiado por um sistema “mild-hybrid” de 48 V (MHEV) e propõe um rendimento maior: 140 cv e 230 Nm. A transmissão (caixa automática de 6 velocidades e dupla embraiagem) aciona, igualmente, só o eixo dianteiro. No SUV concorrente no segmento C, há, complementarmente, um módulo de eletrificação do eixo traseiro que integra motor (23 kW/31 cv), bateria com 0,84 kWh de capacidade e caixa de duas velocidades.


O sistema apresenta um rendimento combinado de 154 cv e 230 Nm e assegura a disponibilidade de tração integral sem ligação mecânica entre os eixos (na prática, o motor de combustão interna aciona o dianteiro e o elétrico move o traseiro, com a repartição do binário entregue à gestão eletrónica do módulo híbrido). A fórmula rompe com os cânones da categoria, principalmente porque a mecânica também é alimentada por GPL. No Bigster e no Duster, existem dois depósitos, ambos com 50 litros de capacidade.



Custos por quilómetro muito reduzidos

Atualmente, na Dacia, o Bigster é o automóvel com mais tecnologia. A marca, com este SUV baseado na mesma arquitetura técnica do Duster (CMF-B), tem uma proposta quase imbatível para quem conta com orçamento limitado e procura um carro com capacidade de progressão em pisos muito pouco aderentes, eficiência, espaço e versatilidade. Durante a condução, há diferenças importantes entre os dois modelos em teste. O concorrente no segmento B, mais leve, não impressiona pela exuberância das “performances”, mas cumpre, com competência, as necessidades do quotidiano. A resposta do motor de combustão é progressiva, o que aumenta o conforto de utilização. No entanto, por não dispor de assistência elétrica, trata-se de uma mecânica com consumos maiores em ambientes urbanos, territórios em que o concorrente no segmento C tem desempenho mais meritório, mesmo sendo maior e mais pesado, por circular, frequentemente, de forma 100% elétrica, acelerando-se com moderação, o que melhora a suavidade, reduz o esforço da mecânica térmica e baixa o dispêndio de combustível.



O Bigster Hybrid-G 150 4x4, de acordo com a Dacia, é capaz de percorrer até cerca de 60% do tempo de condução urbana sem o motor térmico. E o sistema híbrido e a máquina elétrica, nos percursos muito mais exigentes, com pisos escorregadios e terra, por exemplo, introduzem vantagens objetivas, devido à tração integral, que é ativada eletronicamente, de forma competente e rápida. O Duster não tem esta mais-valia. Há, todavia, o reverso da medalha: a sofisticação tecnológica introduz complexidade, que contrasta com a simplicidade da relação entre o pedal, o motor e a transmissão. E este ponto, privilegiando-se a facilidade de utilização e manutenção, e o custo por quilómetro, tem de ser considerado!


O tema da autonomia associa-se muito ao automóvel elétrico, devido à necessidade de carregamento das baterias. Para muitos utilizadores, este facto não é mais do que um obstáculo à compra, sobretudo percorrendo-se muitos quilómetros de forma regular, o que obriga a paragens frequentes, ou não se dispondo de acesso a pontos de carga. E, neste particular, o Duster e o Bigster, com motorizações bifuel, são fora de série, sobretudo adotando o GPL para a condução quotidiana, devido à vantagem significativa do preço deste combustível.



No primeiro, há dois depósitos de 50 litros. A comutação de combustível faz-se muito facilmente, através de um comando específico. Considerando os consumos anunciados pelo fabricante, que não são muito inferiores aos reais, e se o pé direito não for “pesado”, 1300 a 1380 km sem paragens! Percorrendo-se distâncias longas frequentemente e pretendendo-se reduzir o custo por quilómetro, as vantagens reais do Duster são inegáveis. No segundo, que também tem sistema bifuel e depósitos com a mesma capacidade, mas ainda dispõe de eletrificação que diminui o esforço da mecânica térmica, sobretudo em cidade e nas fases de arranque e desaceleração, este tema ganha outra dimensão: a promessa é de até 1500 km. O Bigster é mais sofisticado, tecnicamente, o que origina uma experiência de utilização muito refinada. E somam-se as demais qualidades apresentadas anteriormente.



Nos dois SUV, os “mais” e os “menos”

Todavia, estes números, sobretudo os dos consumos, exigem enquadramento e interpretação. O Duster Eco-G gasta mais do que um SUV do mesmo tipo equipado com motorização híbrida, principalmente em ambientes urbanos, mas não é mais caro de utilizar, devido ao preço por litro de GPL ser muitíssimo inferior ao da gasolina. E, assim, na categoria em que concorre, posiciona-se entre as propostas mais competitivas (e as vendas demonstram-no!). O Bigster Hybrid-G tem tecnologia sofisticada, que aumenta o prazer na condução e diminui o consumo absoluto, mas também conta com um custo de aquisição maior, que “queima” muitas vantagens no confronto direto com o parceiro de gama (tem-nas no conforto, na eficiência, na tração e, ainda, na utilização).



Tudo somado, e comparando os mais e os menos dos dois SUV da Dacia, o Duster Eco-G é vencedor no preço de compra, no custo de utilização e na simplicidade mecânica, e derrotado no conforto, na dinâmica e nas “performances”. E o Bigster Hybrid-G supera-o, ainda, no pacote tecnológico, que integra diversos recursos invulgares no segmento, e na autonomia de maratonista! O primeiro representa uma compra muito racional; o segundo é mais automóvel. Os dois provam que a Dacia percebe o momento do mercado: não há fórmula única para a promoção da eficiência e os consumidores não são iguais, nem procuram o mesmo.



Automóveis modernos e bem equipados

A Dacia mudou de posicionamento, de “a marca mais barata” para a que propõe a “relação mais atrativa entre preço e valor do produto”. Duster e Bigster são os SUV da nova geração de carros que combinam qualidade nos materiais e na montagem com modernidade no desenho e no equipamento, nomeadamente nos domínios das assistências à condução e da conectividade (“vide” os monitores no centro dos painéis para os dispositivos multimédia compatíveis com Apple CarPlay e Android Auto). Esta promoção de estatuto foi (bem) percecionada pelos consumidores. Os acessórios YouClip (sistema modular de fixação de objetos no interior do carro, de forma rápida e simples) também são elementos diferenciadores.



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