China atrás do topo da indústria mundial
A China tem novo plano quinquenal para o setor automóvel com objetivos muito ambiciosos: entre as prioridades, o reforço das vendas de elétricos e híbridos, de forma a que representem 70% dos registos de carros novos em 2030, número que consolida a estratégia de eletrificação que já transformou o país no maior mercado e produto mundial de viaturas NEV (Novas Energias), classificação que abrange elétricos (BEV), híbridos Plug-In (PHEV) e sistemas de extensão da autonomia (REEV), 40% de veículos comerciais eletrificados, condução autónoma adotada em larga escala e, ainda, eliminação dos fabricantes menos eficientes.

Considerando a evolução recente das vendas na China, Pequim deve atingir a primeira meta muito antes do prazo estabelecido. Trata-se do 15.º plano quinquenal para a indústria automóvel chinesa e foi elaborado por nove organismos governamentais. Este programa sucede ao definido em 2021, no qual as autoridades chinesas pretendiam que os chamados NEV alcançassem 20% das vendas em 2025. No entanto, a realidade ultrapassou largamente a previsão: no ano passado, representaram 54% das vendas de ligeiros de passageiros.
A progressão da quota continua em 2026. Em agosto, os NEV corresponderam a 65,2% das vendas a retalho de ligeiros passageiros, um máximo histórico que deixa a nova meta de 70% para 2030 a uma distância de menos de cinco pontos percentuais! Curiosamente, este crescimento acontece num mercado em contração. Nos primeiros oito meses do ano, foram vendidos a retalho cerca de 11,72 milhões de automóveis, menos 20,8% do que no mesmo período de 2025.
No período em análise, a procura de NEV também recou, mas de forma bem menos expressiva: venderam-se 6,67 milhões de unidades, menos 12% do que de janeiro a agosto de 2025.

Novos gigantes automóveis mundiais
No entanto, a ambição de Pequim para o automóvel não se limita à eletrificação. O novo plano pretende transformar a dimensão adquirida pela indústria chinesa numa posição de maior influência global, estabelecendo como objetivo colocar diversos fabricantes nacionais entre os 10 maiores mundiais e aumentar a participação do país na definição das normas e dos padrões tecnológicos internacionais. BYD, SAIC e Geely já figuram entre os maiores construtores em volume de vendas, mas encontram-se ainda a uma distância considerável dos três grupos que comandam o setor: Toyota, Volkswagen e Hyundai.
Pequim também pretende acelerar a utilização em larga escala dos sistemas de condução autónoma. Não foi estabelecida uma quota concreta para veículos autónomos em 2030, mas o novo plano prevê aumentar significativamente a implantação comercial da tecnologia, recorrendo, por exemplo, à disseminação dos serviços sem condutor.
Outro capítulo estratégico é o das baterias. Pequim pretende desenvolver normas específicas para novas químicas e tecnologias, incluindo baterias de estado sólido, mas também pretende reforçar as áreas da reciclagem e da recuperação de matérias-primas críticas como lítio, cobalto e níquel.

Fabricantes menos eficientes fora do mercado
Atualmente, a indústria automóvel encontra-se confrontada com momento muito complexo, devido ao excesso de capacidade produtiva e à prolongada guerra de preços, combinação de fatores responsável pela compressão das margens de lucro dos fabricantes e por preocupações crescentes relacionadas com qualidade e segurança. As autoridades chinesas têm introduzido novas regulamentações em diversas áreas, das baterias aos sistemas de assistência à condução e até aos puxadores das portas.
O novo plano quinquenal defende a reforma do setor, incentivando a consolidação entre fabricantes e a saída do mercado das empresas menos eficientes. Uma orientação que poderá acelerar a redução do elevado número de marcas ativas no mercado chinês.







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