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Elétricos: reclamações quase triplicam

Os automóveis com motorizações elétricos já representam cerca de 26% das matrículas de novos ligeiros de passageiros em Portugal. Logo, sem surpresa, segundo o Portal da Queixa, regista-se, também, um aumento exponencial no número de reclamações dos consumidores relacionadas com estes carros e a tecnologia.



Nos primeiros sete meses do ano, de acordo com números da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), matricularam-se 40.309 ligeiros de passageiros com a tecnologia, mais 40,7% do que no mesmo período de 2025. Só em julho, registaram-se 5603 novas matrículas, o que representa um crescimento de 54,3% face ao mês homólogo do ano passado. No acumulado de 2026, os elétricos representaram cerca de 26% das novas matrículas, percentagem que confirma a crescente importância da tecnologia no mercado nacional.


Este aumento das vendas traduz-se, naturalmente, num crescimento progressivo do número de automóveis elétricos em circulação e, consequentemente, numa maior procura de assistência, manutenção e serviços de pós-venda. E é neste contexto que os dados mais recentes do Portal da Queixa assumem particular importância: as reclamações relacionadas com carros elétricos quase triplicaram em dois anos, passando de 75, entre janeiro e julho de 2024, para 205 no mesmo período deste ano, o que corresponde a um aumento de 173%. Só entre janeiro e julho, o número de reclamações cresceu 92% face às 107 registadas no período homólogo de 2025.



A comparação entre a evolução das vendas e a das reclamações deve, contudo, ser feita com cautela. Os dados do Portal da Queixa não permitem estabelecer uma relação direta entre o número de queixas e a dimensão do parque de carros elétricos em circulação, nem determinar se existe um aumento da incidência de problemas por veículo. Ainda assim, os registos mostram que, à medida que os automóveis elétricos se tornam mais comuns nas estradas portuguesas, o pós-venda assume uma importância crescente na experiência dos consumidores.


Reparação e manutenção representam 40% das reclamações relacionadas com carros elétricos

De acordo com o Portal da Queixa, a reparação e manutenção representam 40% das reclamações relacionadas com carros elétricos, enquanto o atendimento e a qualidade do serviço correspondem a 32%. Em conjunto, estas duas áreas concentram 72% das queixas apresentadas pelos consumidores. Entre os restantes motivos encontram-se a qualidade e segurança do produto, responsável por 16% das reclamações, as questões financeiras e pagamentos, com 6%, e as questões legais e contratuais, também com 6%.



Os relatos dos consumidores incluem problemas técnicos persistentes, reparações que não solucionam avarias, dificuldades no acionamento das garantias e insatisfação com os processos de atendimento e comunicação. Por subcategorias, 71% das reclamações são dirigidas às marcas, enquanto 18% têm como destinatários os concessionários.


Entre as marcas identificadas nas reclamações, a BYD primeira, com 17% do total, seguida da Tesla, com 15%, o que também não surpreende, considerando as gamas e os números dos registos das duas marcas – a primeira, chinesa, vende apenas elétricos e híbridos Plug-In, enquanto a segunda, norte-americana, tem só elétricos. No entanto, apesar do aumento significativo do número de queixas, a satisfação média dos consumidores registou uma evolução positiva, subindo 4,82%, de 3,15 pontos em 2025 para 3,30 em 2026.


As reclamações, geograficamente, concentram-se nas principais áreas metropolitanas, com Lisboa e Porto, em conjunto, a representarem 55,77% das queixas sobre carros elétricos em 2026, seguindo-se Setúbal, com 8,65%, e Braga, com 7,69%.

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