Era nova na Fórmula 1
- José Caetano

- há 4 dias
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Atualizado: há 2 dias
Na madrugada de domingo (04h00 em Portugal Continental), início da 77.ª edição do Mundial de Fórmula 1, com o 40.º Grande Prémio da Austrália, 29.º no Circuito Albert Park de Melbourne! Em 2026, 11 equipas (duas estreantes: Audi e Cadillac), 22 pilotos (o inglês Arvin Lindblad, de 18 anos, é o “rookie”), 24 corridas (mais seis de Sprint) e, principalmente, regulamento técnico, monolugares novos e unidades de potência novos. Lando Norris e McLaren-Mercedes são os campeões em título.

Este Mundial arranca com mais dúvidas do que certezas na linha do horizonte. Os impactos da guerra nova do Médio Oriente dificultaram as viagens para a Austrália e comprometem a organização das rondas 4 e 5 da temporada, marcadas para 12 e 19 de abril, no Bahrain (Sakhir) e na Arábia Saudita (Jeddah), respetivamente. E a informação mais recente é a de que os responsáveis do campeonato equacionam a diminuição do número de grandes prémios, de 24 para 22, e não a mudança das corridas para Imola (Itália) e Portimão (Portugal).
As potências das unidades de potência mantêm-se acima dos 750 kW (1000 cv), é verdade, mas a origem da energia mudou. A Fórmula 1 continuou com o 1.6 Turbo, exigindo só que passasse a consumir combustível 100% sustentável, mas o MGU-H introduzido em 2014 foi abandonado e o rendimento do MGU-K progrediu de 120 kW (160 cv) para 350 kW (470 cv). E a mecânica de combustão interna gera 400 kW (540 cv) em vez de 630 kW (850 cv).

Regulamento técnico: as mudanças
Em Melbourne, na madrugada deste domingo, num grande prémio que está a gerar muita expectativa, era nova na categoria mais importante do desporto automóvel. As motorizações de 2026, comparadas com as de 2014 a 2025, são mais simples, tecnicamente, mas a componente elétrica ganha peso muitíssimo superior: cerca de 50% da energia que move os Fórmula 1 provém da bateria e não do depósito de combustível. Talvez por essa razão, Max Verstappen disse que estes monolugares são “Fórmula E com esteroides”, frase polémica criticada até pelo amigo António Félix da Costa, o português que representa a Jaguar na categoria “secundarizada” pelo piloto neerlandês da Red Bull-RBPT Ford.
E a crítica de Verstappen explica-se: os pilotos confrontam-se com muitas “dores de cabeça” na gestão da energia, com registo de casos de perdas de potência em reta, em aceleração, devido à entrada em ação do sistema que recupera a energia armazenada na bateria – “super clipping” é o termo que designa ação que reduz a velocidade de ponta…

Soma-se a estreia da aerodinâmica ativa, com dois modos de funcionamento das asas dianteiras e traseiras, um para curvas, outro para retas. A ideia é aumentar a eficiência. O sistema não substitui o DRS. É o botão “Boost que substitui a função utilizada na Fórmula 1 de 2011 a 2025. Encontra-se no volante e os pilotos ativam-no para disporem da potência da motorização híbrida para “atacarem” adversário ou protegerem posição – e podem fazê-lo em qualquer zona do circuito, mas esta ação, que “liberta” até 350 kW da unidade elétrica (MGU-K) descarrega a bateria…
Novo é, igualmente, o “Overtake Mode” (o Modo de Ultrapassagem), outra função ativada em comando no volante que aumenta o consumo da energia na bateria. O programa encontra-se disponível só quando a distância para o carro precedente é igual ou inferior a 1 s na passagem por ponto de deteção no circuito – cumprindo-se esta exigência, 0,5 MJ extra de energia, mais energia sob o pé direito, menos no acumulador que alimenta o sistema elétrico!
Por fim, 2026 também representa o regresso dos fundos planos e o fim dos túneis de Venturi que criavam apoio aerodinâmico. E, assim, o “porpoising” sai de cena, mas reentra o “rake”. O primeiro é o fenómeno na origem do movimento saltitante do carro a alta velocidade, o segundo indica o ângulo do monolugar em relação ao piso (isto é, a diferença de altura entre a dianteira e traseira). Ambos influenciam a passagem do ar sob os Fórmula 1 e o “downforce” – quando é maior, a rapidez em curva aumenta, mas a velocidade máxima diminui, devido ao aumento do arrasto (“drag”). E, por isso, também neste ponto, obrigatoriedade de “compromissos”!
Comparados com os antecessores, os monolugares novos são mais leves (-30 kg) e pequenos, com reduções de 200 mm na distância entre eixos, de 3600 mm para 3400 mm, e de 100 mm na largura, de 2000 mm para 1900 mm. As jantes mantêm as 18’’, mas regista-se, igualmente, uma diminuição na largura dos pneus (de 305 mm para 280 mm à frente e de 405 mm para 375 mm atrás).
Também existem mudanças regulamentares nos campos dos limites orçamentais e da segurança, nomeadamente com a obrigatoriedade de recurso a luzes laterais e traseiras para aumento da visibilidade em condições meteorológicas adversas e informação sobre o estado de funcionamento do sistema híbrido, nomeadamente do ERS (recuperação de energia nas desacelerações e nas travagens) e do MGU-K – na prática, até 2025, 80% a mecânica de combustão interna assegurava 80% da potência e só 20% era elétrica, mas a proporção, em 2026, muda para 50%-50%.

Calendário, equipas e pilotos
No pelotão de 2026, duas novidades. A Audi adquiriu a Sauber em 2024 e, por fim, estreia-se, oficialmente, na categoria-rainha do desporto automóvel, e a Cadillac, marca norte-americana com posicionamento “premium” propriedade da estado-unidense General Motors, também compete pela primeira vez na Fórmula 1, facto que aumenta o número de equipas e pilotos na grelha de partida (respetivamente, de 10 para 11 e de 20 para 22). A primeira tem unidade de potência própria, mas a segunda, nos primeiros três anos de atividade no campeonato – isto é, até ao final de 2028 –, contará com o “apoio” da Ferrari.
Mais novidades: a Honda, depois do fim da relação com a Red Bull, associou-se à Aston Martin, e a Ford regressa a campeonato que abandonou em 2024, desta vez como parceria da Red Bull Powertrains no fornecimento das unidades de potência quer da Red Bull, quer da Racing Bulls – o fabricante norte-americano, é o terceiro mais bem-sucedido na história da Fórmula 1 (superam-no só Ferrari e Mercedes!), com 523 grandes prémios (este domingo, na Austrália, cumpre-se o 1150.º desde o arranque do Mundial, em 1950), 176 vitórias, 288 pódios, 138 “poles”, 160 voltas mais rápidas e 13 títulos de pilotos e 10 de construtores. Por fim, a Renault deixou a categoria, o que fez com que a Alpine passasse a integrar o grupo de escuderias-clientes da Mercedes-AMG.

Também entre os pilotos, novidades… Sergio Pérez e Valtteri Bottas regressam ao campeonato, ambos com a Cadillac, Isack Hadjar mudou-se da Racing Bulls para a Red Bull, substituindo Yuki Tsunoda, que foi “despromovido” a piloto de reserva e testes da escuderia austríaca, e Arvid Lindblad é o “rookie” da temporada, após a promoção da Fórmula 2 à Fórmula 1 patrocinada pela Racing Bulls.
No calendário de 2026, a exemplo do que aconteceu em 2024 e 2025, encontram-se 24 corridas, mais seis com o formato de Sprint, que serão organizadas nos fins de semana dos Grandes Prémios da China, Miami, Canadrá, Grã-Bretanha, Países Baixos e Singapura. A novidade mais importante é, no entanto, a estreia de Madrid (circuito citadino novo), que recebe a etapa espanhola do Mundial, o que obriga a mudança no nome da ronda em Montmeló para Barcelona-Catalunha. E Ímola e o Grande Prémio da Emília-Romanha, Itália, saem do mapa da categoria (o contrato expirou em 2025 e não foi renovado).
Regulamento desportivo: as mudanças
Nos regulamentos desportivos, as mudanças são mínimas, mas a numeração dos pilotos adotada em 2014 foi revista, admitindo-se a alteração de números durante as carreiras, se a FIA autorizar a mudança, e as equipas encontram-se obrigadas a cobrir o mínimo de 55% da superfície da superfície dos monolugares (observando-os de cima ou de lado) – devem fazê-lo com autocolantes ou pintura –, de forma a reduzir o excesso de fibra de carbono exposta. E, por fim, em evento específico, o Grande Prémio do Mónaco, é eliminada a exigência de duas paragens para trocas de pneus, uma vez que a fórmula testada em 2025 para melhorar a atratividade da corrida, através do aumento do número de ultrapassagens, não funcionou.




































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