Kimi Antonelli campeão aos 20 anos
Kimi Antonelli sagrou-se campeão mundial de Fórmula 1 no Grande Prémio do México, a ronda 19 da temporada de 2026, tornando-se, aos 20 anos, dois meses e sete dias, o mais jovem piloto de sempre a conquistar o título. O italiano da Mercedes terminou a corrida no terceiro lugar, atrás de Max Verstappen, da Red Bull-RBPT Ford, que conseguiu a terceira vitória do ano, a sexta no Autódromo Hermano Rodríguez e a 74.ª na categoria-rainha do desporto automóvel, e Lewis Hamilton, da Ferrari.

Este recorde histórico de precocidade pertencia desde 2010 ao alemão Sebastian Vettel, que conquistou o primeiro dos seus quatro títulos mundiais consecutivos com 23 anos, quatro meses e 11 dias. Antonelli torna-se também apenas o terceiro italiano campeão na Fórmula 1, depois de Giuseppe Farina, vencedor do primeiro campeonato da história, em 1950, e Alberto Ascari, campeão em 1952 e 1953. O último título transalpino tinha sido comemorado há 73 anos!
Antonelli apresentou-se no Hermanos Rodríguez com 123 pontos de vantagem sobre o companheiro de equipa George Russell e precisava apenas de terminar no nono lugar para garantir a conquista matemática do campeonato. Arrancou de quarto e, terminando em terceiro, comemorou o título no pódio e ao lado de dois “pesos pesados” da categoria – Verstappen tem quatro títulos e Lewis Hamilton partilha o recorde de sete com Michael Schumacher.

Italiano “sem palavras!”
“Conseguimos. Sem eles, eu não estaria aqui. Sem a Mercedes, sem a minha família”, afirmou depois da corrida. “Estou muito grato por este momento e é algo que ficará para sempre. Estou sem palavras. Ainda estou a tentar perceber o que acabou de acontecer.”
O novo campeão revelou também que, ao contrário do discurso que manteve durante grande parte da temporada, a conquista do Mundial esteve presente no seu pensamento muito antes das últimas corridas. “Não foi fácil manter sempre a concentração, porque a ideia do campeonato esteve presente desde muito cedo”, reconheceu. “Estou muito feliz por termos conseguido e agora podemos aproveitar o resto da época.” E deixou uma mensagem curta sobre o futuro: “Isto é apenas o começo…”

Norris elogia sucessor
Lando Norris, campeão mundial em 2025, destacou o mérito de Antonelli e a dimensão da época realizada pelo piloto da Mercedes. “Não podia ter ido para melhor pessoa. É genuíno, muito, muito simpático e guiou de forma inacreditável este ano, penso que melhor do que todos esperavam.”
O britânico sublinhou ainda a qualidade da oposição. “Competiu contra os melhores pilotos do mundo, todos em carros muito bons, e bateu-os claramente. Deve estar muito orgulhoso, fez história hoje e estou muito feliz por ele.”

Líder do Mundial desde Suzuka
Antonelli assumiu pela primeira vez a liderança do campeonato depois da vitória na terceira ronda da temporada, no Japão, em Suzuka. Então, passou a somar mais nove pontos do que George Russell. Novo triunfo em Miami aumentou a diferença para 20 pontos e, depois da vitória no Canadá, a margem chegou aos 43.
Seguiu-se a fase mais forte da temporada, com cinco vitórias consecutivas até ao Mónaco. Nessa altura, Lewis Hamilton ocupava já o segundo lugar do Mundial, mas estava a 66 pontos. A vantagem diminuiu posteriormente, com Hamilton a vencer em Barcelona, Russell na Áustria e alguns problemas de fiabilidade a penalizarem Antonelli. Depois de novo contratempo em Silverstone, a diferença chegou a baixar para 25 pontos.
O italiano recuperou, porém, o controlo do campeonato na segunda metade da temporada e chegou ao México numa posição em que bastava um nono lugar para fechar as contas.

Verstappen aproveita duelo entre Ferrari
Este domingo, na Cidade do México, Lewis Hamilton partiu da pole position, mas foi imediatamente pressionado por Charles Leclerc. Os dois Ferrari discutiram a liderança nas primeiras curvas, saíram de pista e Leclerc atravessou a relva para assumir o comando.
A situação permitiu a Verstappen ultrapassar Hamilton e subir ao segundo lugar. Leclerc recebeu depois uma penalização de cinco segundos pelo episódio e perdeu a liderança para o neerlandês durante as paragens nas boxes.
Antonelli prolongou o primeiro turno e chegou a liderar provisoriamente antes de efetuar a sua paragem. Pouco depois, Valtteri Bottas sofreu um forte acidente na primeira curva, na sequência de uma falha na suspensão dianteira esquerda, provocando primeiro a entrada do Safety Car e depois a bandeira vermelha.
No reinício, Verstappen manteve a liderança, Hamilton passou Leclerc e Antonelli ultrapassou o monegasco na volta seguinte para chegar ao terceiro lugar. Uma nova entrada do Safety Car, depois de um contacto entre Oscar Piastri e Arvid Lindblad, voltou a aproximar o pelotão, mas Verstappen respondeu bem no último reinício e resistiu à pressão de Hamilton.
O piloto da Red Bull conquistou a terceira vitória da temporada, terminando 0,799 segundos à frente de Hamilton. Antonelli completou o pódio, a 4,006 segundos do vencedor.

Mercedes pode festejar no Brasil
O título de Construtores ficou adiado para o Grande Prémio de São Paulo. Depois do México, a Mercedes soma 630 pontos, contra 504 da Ferrari, dispondo de uma vantagem de 126 pontos. Após a corrida brasileira ficarão apenas Las Vegas, Catar e Abu Dhabi, o que deixa um máximo de 129 pontos disponíveis para uma equipa. Assim, a Mercedes será campeã no próximo domingo, dia 8, se aumentar a vantagem sobre a Ferrari em pelo menos três pontos.
Nesse cenário, sairia do Brasil com uma margem mínima de 129 pontos. Mesmo que a Ferrari recuperasse todos esses pontos nas três últimas corridas, igualando a Mercedes, perderia o campeonato no desempate pelo número de vitórias em grandes prémios, critério em que a equipa alemã já tem uma vantagem impossível de anular.

Para dispensar qualquer desempate, a Mercedes precisa de marcar pelo menos mais quatro pontos do que a Ferrari em São Paulo, ficando com uma vantagem superior aos 129 pontos ainda disponíveis.





Comentários