Lexus RZ 350e e 550e: Mãos na manche!
- José Caetano

- há 2 dias
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O One Motion Grip aproxima-se, visualmente, das manches dos aviões comerciais, mas não é mais do que um sistema de direção sem ligação mecânica entre o volante e as rodas que a Lexus estreia no RZ, na primeira versão F Sport do Sport Utility Vehicle (SUV) proposto só com motorizações elétricas e que acaba de beneficiar da primeira atualização. As novidades e as impressões de condução…

O RZ, em Portugal, encontra-se no catálogo da Lexus desde março de 2023. Trata-se do primeiro carro da marca “premium” do Grupo Toyota produzido apenas com motores elétricas. Cerca de três anos depois da estreia no mercado, o SUV recebe a primeira atualização, que não é só de pormenor(es), considerando-se a extensão da intervenção, muito maior do que o comum nestas atualizações de meia-idade, que são, maioritariamente, modernizações no desenho e do equipamento, o RZ da Lexus apresentasse-nos com muitas novidades.
O SUV é o primeiro Lexus com motorização elétrica com o pacote de equipamento F Sport e o primeiro carro no nosso País com uma direção elétrica, um volante em forma de manche. Somam-se o sistema que simula a atuação de caixas manual, a bateria nova e os progressos na rigidez da carroçaria, que melhoraram a condução e o conforto. Esta intervenção beneficiou as três versões do modelo, da 350e com um motor e tração dianteira à 500e com duas máquinas e quatro rodas motrizes à 550e, que tem os mesmos recursos técnicos da 500e, mas é muito mais orientada para a dinâmica e as “performances”.
A mudança mais significativa no RZ é mesmo a adoção bateria maior (tem 77 kWh de capacidade e contra com sistema novo de refrigeração e pré-condicionamento para permitir recarregamentos mais rápidos). Assim, resolve-se o problema maior do SUV da marca “premium” do consórcio Toyota, com aumentos nas autonomias de até 429 km no 300e (204 cv) para até 568 km no 350e (224 cv) ou de até 406 km no 450e (312 cv) para até 456 km no 500e (381 cv). No original, recorda-se, bateria com 71,4 kWh de capacidade. E regista-se, também, progresso no carregamento, com a introdução de carregador de bordo (corrente alternada) mais potentes, com 22 kW, e a otimização da alimentação com corrente contínua, mas mantendo-se a potência máxima admitida (150 kW).
No 350e, o motor com 224 cv e 269 Nm aciona as rodas dianteiras e permite que o SUV com mais de duas toneladas cumpra o arranque 0-100 km/h em 7,5 s, registo que rápido q.b. – a velocidade máxima, para proteção da autonomia, está limitada a 160 km/h. O 500e com máquinas elétricas nos dois eixos (combinadas, 381 cv e 536 Nm) também supera o desempenho do antecessor 450e, com 4,6 s em vez de 5,3 s (e 180 km/h “contra” 160 km/h. Nas duas versões do SUV, a entrega faz-se de forma suave, sim, mas é pouco emocionante, característica que talvez satisfaça a base de clientes da Lexus. A marca também melhorou a insonorização, reforçando o isolamento com recurso a adesivos melhores no piso, feltros redutores de ruídos e, ainda, mudanças no suporte do motor que reduziram as vibrações.

O RZ novo, comparado com o antecessor, move-se de forma ainda mais silenciosa e refinada. E, teoricamente, anunciando-se consumos energéticos inferiores, este carro também é mais eficiente, mas a confirmação deste facto far-se-á só durante teste com extensão bem maior do que este primeiro contacto, cumprido na região do Algarve. Desconhecem-se preços, mas antecipam-se aumentos (“atualizações pequenas”, disseram-nos!), mas este Lexus está, também, mais bem equipado de série – carregador sem fios para “smarphones”, programa multimédia com ecrã de 14’’ posicionado no centro do painel de bordo, sistema de climatização com duas zonas de controlo da temperatura e teto panorâmico em todas as versões, bancos ventilados, Head-Up Display e retrovisor interior digital, entre outras “mordomias”, no nível Luxury acima do Executive.
O RZ mantém o interior confortável e elegante, a norma na Lexus. Os materiais e a montagem são de qualidade muito acima da média, combinando, por isso, com o estatuto “premium” da marca nipónica.
O chassis do SUV elétrico da Lexus também beneficiou de intervenção, sobretudo na suspensão, com mudanças nos amortecedores dianteiros e traseiros. Soma-se o aumento na rigidez (aumentaram-se os reforços), o que teve impacto positivo na manobrabilidade. O RZ não é o automóvel mais ágil da categoria, mas parece-nos mais fácil de conduzir, e direto e preciso em curva. O 350e movimenta-se de forma suave e “digere” bem as irregularidades do piso. As jantes são de 18’’. Nas demais versões, têm 20’’, o que perturba a capacidade de filtragem do asfalto e o conforto.

550e F Sport no topo da gama
O RZ 550e posicionado no topo da gama é o primeiro automóvel elétrico da Lexus proposto com a designação desportiva F Sport e, ainda, o primeiro carro da marca com direção “steer-by-wire” (One Motion Grip) e caixa capaz de simular a atuação de sistema de 8 velocidades acionado manualmente (Interactive Manual Drive). É combinação tecnológica sofisticada e virtuosa, por beneficiar muito a experiência de condução.
O 550e (408 cv) é mais potente do que o 500e (381 cv), e mais veloz no 0-100 km/h (4,4 s em vez de 4,6 s), mas a capacidade da bateria não aumenta e, assim, menos 6 km entre recargas, de acordo com a homologação WLTP (diminui de 456 km para 450 km). O F Sport tem, também, linhas mais desportivas (jantes de 20’’, condutas de ar integradas no para-choques dianteiro, difusor e “spoiler traseiro).
Dinamicamente, por dispor de rodas maiores e suspensão preparada “à medida” – amortecedores e molas têm regulações específicas –, o 550e é mais rígido do que os outros RZ. Na prática, sensibilidade maior aos buracos e às lombas. Os bancos dianteiros desportivos, felizmente, são ótimos e asseguram que este SUV nunca é desconfortável.
O One Motion Grip elimina as ligações mecânicas entre volante e rodas – a marca apresentou o sistema, originalmente, num protótipo de 2022. O comando ganha a forma das manches que conhecemos dos aviões comerciais e o primeiro contacto é surreal, por necessitar de rotação de somente 200 graus entre a posição neutra e o bloqueio em ambas as direções. Obviamente, este sistema, para mais confiança e segurança na condução, apresenta-se protegido por redundâncias. Todavia, sem surpresa, estranha-se e entranha-se, mas apenas após o cumprimento de período de adaptação e aprendizagem. Nota mais positiva: o mecanismo quase elimina as vibrações sem penalizar a experiência de condução.
O 550e F Sport, comparado com outros RZ, é mais preciso e progressivo em curva. As patilhas que comandam a caixa “virtual” encontram-se bem posicionadas e as passagens, a exemplo do que acontece no Hyundai Ioniq 5 N, projetam o ruído do motor para o habitáculo. O sistema funciona rapidamente e aumenta a impressão de envolvimento na ação (regista-se mesmo movimento de desaceleração quando
é atingido o limite da «rotação»). Também neste caso, preço(s) por anunciar.


































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