Mercedes adia produção do GLC nos EUA para 2030
A Mercedes-Benz adiou por mais de dois anos o início da produção do GLC nos Estados Unidos, passando-o de novembro de 2027 para maio de 2030, segundo notícia do Automotive News, que cita duas fontes conhecedoras dos planos da marca alemã. A produção deverá realizar-se na fábrica de Vance, no estado do Alabama, onde o construtor já fabrica diversos Sport Utility Vehicles (SUV).

Segundo a mesma publicação, a nova alteração do calendário terá sido decidida no segundo trimestre do ano e está relacionada com a transição para a próxima geração do GLC. Assim, em vez de adaptar a unidade industrial para a produção do modelo atual, a Mercedes optou por aguardar pelo seu substituto, conhecido internamente pelo código V255.
Na verdade, em janeiro, o diretor da Mercedes-Benz, Ola Källenius, reconhecera já que a produção norte-americana do GLC começaria um pouco mais tarde do que previsto. Posteriormente, a marca alemã apontou para 2029, pelo que o novo calendário representa mais um adiamento de um projeto considerado estratégico para a atividade da empresa nos EUA.

Um dos modelos mais vendidos nos EUA
O adiamento significa que a Mercedes continuará a importar da Alemanha um dos seus automóveis mais importantes no mercado norte-americano, suportando, por isso, as taxas de 15% aplicadas aos carros importados da União Europeia (UE).
Nos primeiros nove meses do ano, a marca alemã comercializou cerca de 54.000 unidades do GLC nos EUA, mais 9,9% do que no período homólogo de 2025. Este SUV representa quase um quarto das vendas de ligeiros passageiros da Mercedes no segundo mercado automóvel mundial, se não considerarmos os comerciais, e é o segundo modelo mais vendido do segmento dos SUV “premium” compactos, atrás do BMW X3.

A importância comercial do GLC explica a decisão de transferir parte da produção para a América do Norte, com o objetivo de reduzir a exposição às taxas adotadas pela administração Trump. A fábrica de Bremen, na Alemanha, continuará a fazer o SUV para outros mercados internacionais.
Este adiamento não tem implicações na Europa, onde o GLC ocupa uma posição central na gama da Mercedes-Benz. Segundo dados da Dataforce, nos primeiros oito meses do ano, a marca alemã entregou 90.319 unidades, mais 29,2% do que no mesmo período de 2026. Este número posicionado o SUV em 19.º na lista dos automóveis mais vendidos no continente, considerando todos os segmentos. E é o modelo mais vendido da marca na região. Bremen também fabrica o novo GLC elétrico, desenvolvido sobre uma plataforma específica com uma arquitetura de 800 V.
Investimento de 4000 milhões de dólares
Em março, a Mercedes-Benz anunciou um investimento de cerca de 4000 milhões de dólares na fábrica de Vance até 2030, integrado em programa de expansão das operações nos EUA que ultrapassa os 7000 milhões de dólares.
Inaugurada em 1997, a unidade industrial do Alabama, atualmente, produz o GLE e o GLS, incluindo algumas variantes Mercedes-AMG e Mercedes-Maybach, assim como os elétricos EQE SUV e EQS SUV. Também em março, a fábrica atingiu uma produção acumulada de cinco milhões de automóveis.
A unidade industrial exporta aproximadamente 60% da produção e representa um dos principais centros de exportação de automóveis dos EUA. Todavia, a redução da procura de elétricos e as mudanças nas linhas de montagem fizeram com que a taxa de utilização da capacidade instalada descesse abaixo de 80% em 2025.






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