OCDE alerta para “encruzilhada” laboral no automóvel
A transformação do setor automóvel na União Europeia (UE), impulsionada pela eletrificação, digitalização e crescente concorrência chinesa, está a alterar profundamente o emprego e as cadeias de abastecimento. Estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) descreve o momento atual como uma “encruzilhada” para a indústria do continente.

O setor, na EU, emprega mais de seis milhões de pessoas, mas a evolução recente aponta para uma deterioração rápida em algumas áreas. Segundo a OCDE, o emprego na indústria automóvel diminuiu cerca de 9% entre 2019 e 2023, enquanto os fornecedores, no mesmo período, perderam cerca de 110.000 postos de trabalho.
O estudo identifica também uma deslocação gradual de atividade da Europa Ocidental para os países da Europa Central e Oriental, sobretudo na produção de componentes, à medida que as empresas procuram custos laborais mais baixos. Em contrapartida, regista-se maior estabilidade nas áreas de vendas e reparação.
China ganha peso
A dependência da China também aumentou em componentes estratégicos. A quota de componentes provenientes daquele país passou de quase zero para cerca de 3% entre 1995 e 2022, sobretudo em baterias e eletrónica, áreas fundamentais para a eletrificação. A OCDE admite que esse peso terá crescido ainda mais desde então. Segundo a organização, os fabricantes chineses beneficiam do controlo de cadeias de abastecimento de minerais, de economias de escala e de investimento sustentado em tecnologias para veículos elétricos.

Esta transformação está na origem de exigências laborais novas. Quase 80% dos empregados da indústria automóvel referem mudanças substanciais no ambiente de trabalho, enquanto cerca de um terço enfrenta essas alterações sem formação adequada, percentagem que sobe para 40% entre os fornecedores.
A OCDE alerta ainda para o impacto prolongado dos despedimentos. Os trabalhadores afetados podem perder cerca de 57% do rendimento no primeiro ano e continuar a ganhar menos 20% a 25% seis anos depois.
Requalificação como prioridade
Perante este cenário, o estudo defende um reforço da formação e da requalificação profissional, sobretudo nas empresas de menor dimensão, bem como melhores mecanismos de apoio ao rendimento e ao emprego. A OCDE considera ainda essencial atrair novos investimentos para a produção europeia de elétricos e respetivos componentes, reduzindo a dependência externa e ajudando a preservar emprego industrial num setor em profunda transformação.






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