Paris-2026: DS F3VER
A DS Automobiles surpreende o Mondial de l’Auto com “concept” que prenuncia a produção de um novo segmento B! Chama-se F3VER. O automóvel com 4,19 m de comprimento e motorização elétrica apresenta-nos a futura evolução do “design” da marca francesa com posicionamento “premium” e recupera muitos princípios na origem do primeiro DS3, modelo introduzido pela Citroën em 2009 e produzido até 2016 (tinha somente 3 portas e 3,948 m), sobretudo as dimensões compactas e o potencial de personalização acima da média. Tratava-se, por isso, de proposta diferenciada na categoria.
A marca não diz que este estudo antecipa um N.º3 substituto do DS 3 no mercado desde 2018, mas admite que tem a ambição de assumir a forma de reflexão sobre o desenvolvimento de novos automóveis. Este “concept” surge numa fase em que a DS Automobiles acaba de renovar (quase!) toda a gama para aumentar volumes de produção e vendas, ambos muito abaixo do ambicionado, ganhando, por isso, mais importância. Introduzidos Nº8, Nº4 e Nº7, falta um carro mais acessível que desempenhe o papel que o DS3 teve até 2014 – foi o motor da “independência” da Citroën!
O F3VER tem 4,19 m de comprimento e 2,70 m entre eixos. Apesar das dimensões compactas, distingue-se pela habitabilidade e capacidade da mala (400 litros). Os franceses não anunciaram potências nem baterias, mas comprometeram-se com autonomias entre as melhores do segmento B.

O nome F3VER joga com a palavra inglesa “fever”. A DS Automobiles, com o novo estudo, propõe modelo capaz de criar uma “febre” coletiva positiva que aumente a capacidade de atração da marca.
O novo “rosto” da marca francesa
O desenho rompe parcialmente com a nova identidade visual da DS Automobiles.
A frente organiza-se em torno de elemento vertical central que inclui o logotipo da marca e a assinatura luminosa também muda, devido à adoção de elementos em Y que tornam o carro fácil de identificar tanto de dia como à noite.
Na conceção da traseira, a abordagem estilística é a mesma. Um elemento digital posicionado no centro do para-choques integra o logótipo da marca francesa e os farolins com grafismos tridimensionais têm 16 painéis LED – para sustentá-los, os “designers” criaram estrutura leve em magnésio com forma inspirada na abóbada do Grand Palais de Paris.
No F3VER, personalização tão importante como no primeiro DS3.O anel em torno do tejadilho tem funções decorativas e pode contar com diversos acabamentos. A marca também propõe uma nova interpretação da pintura bicolor da carroçaria. A diferenciação entre as duas propostas de tons estende-se até à traseira e abrange portão, flancos da carroçaria e para-choques, mudando, visualmente, os volumes do automóvel. O azul Cosmic Blue é dicróico e, por isso, em função da incidência da luz, muda para violeta.
As luzes posteriores integram animações que funcionam quer como elementos de personalização, quer como ferramentas de comunicação do carro com o exterior. No F3VER, a DS Automobiles estreia a Design Intelligence. Este conceito expressa a ambição de propor modelos mais diferenciados com menos componentes. Isto assegura menos complexidade e peso, mais eficiência aerodinâmica e qualidade percebida, e redução nos tempos de desenvolvimento de novos carros.

Primeiro segmento B em 2009
O segmento B tem importância histórica para a DS Automobiles. A Citroën revelou o DS3 em 2009 e colocou-o no mercado em 2010 como primeiro membro de nova gama de automóveis da Citroën. Então, a ambição era rivalizar com Mini e Audi A1 na faixa “premium” da categoria. O êxito da empreitada funcionou como ponto de partida para a construção de uma marca independente.
A DS Automobiles foi criada em Paris no dia 1 de junho de 2014 e adotou o Citroën DS de 1955 como referência. O DS3 acompanhou este desenvolvimento, perdeu o emblema do “double chevron” no processo de atualização de 2016 e, na primeira geração, também foi proposto como descapotável.
Em 2018, apresentação do sucessor, o DS 3 Crossback. A mudança de berlina de 3 portas para B-SUV de 5 devia-se à expansão rápida da procura deste formato na Europa. Tecnicamente, carro importante: estreou a plataforma CMP e teve versão elétrica E-Tense desde o início da carreira comercial. Em 2022, outra atualização, com a eliminação de parte da designação: passou a chamar-se só DS 3. O modelo continua na base da gama da marca, mas está rodeado de propostas (muito) mais modernas.

A DS Automobiles, em espaço de tempo reduzido, mudou a gama (quase) de fio a pavio. O Nº8 iniciou esta etapa – e introduziu a nova nomenclatura. Seguiram-se o Nº4 e o Nº7. O primeiro tem só motorizações elétricas, mas o segundo e o terceiro também dispõem de versões híbridas. Em 2025, a marca vendeu apenas cerca de 29.000 automóveis no mercado europeu. O objetivo é aumentar volumes e quota. E o lançamento do N.º3 facilitaria sobremaneira o cumprimento bem-sucedido da missão! Um carro mais compacto, emocional e personalizável talvez recuperasse a capacidade de atração que caracterizava o primeiro DS3.
FaSTLAne transforma DS em marca especializada
No plano FaSTLAne 2030 da Stellantis, que pressupõe investimento na ordem dos 60 mil milhões de euros até 2030 e a introdução de mais de 60 novos automóveis, o construtor franco-italo-americano redefine o papel de cada marca do consórcio. A DS Automobiles partilha com a Lancia o estatuto de “fabricante especializado”. Simultaneamente, é reintegrada na Citroën em matéria de gestão, mas mantendo autonomia ao nível da identidade e do posicionamento.
Para marca pequena, a partilha de plataformas, tecnologias, “software” e cadeias cinemáticas é (ainda…) mais importante do que para marca maior, mas esse facto não retira pressão à DS Automobiles, uma vez que tem de utilizar os componentes comuns sem perder a diferenciação na base do estatuto “premium”. Este F3REV é a resposta ao desafio. Baseia-se na STLA One, plataforma desenvolvida para uma nova geração de automóveis para os segmentos B, C e D. Isto significa que o N.º3, produzindo-se, poderá contar com motorizações elétricas e híbridas.






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